A tecnologia e o fim dos relacionamentos

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Você esta em uma sala com seus amigos (ou familiares) e de repente percebe que todos estão em seus celulares em vez de estarem conversando. Quem nunca experimentou isso?

Situações como essa servem de inspiração para que pesquisadores observem as vantagens e as desvantagens da tecnologia em nosso cotidiano, estudando maneiras de nos relacionarmos com ela de forma saudável. Craig Groeschel foi um dos que fizeram tal estudo. Ele é o fundador e pastor principal da Lifechurch, uma das mais influentes igrejas nos Estados Unidos e reconhecida internacionalmente pelos aplicativos YouVersion e Bible App for Kids.

Craig Groeschel escreveu o livro Hashtag Struggles: Following Jesus in a Selfie-Centered World. O livro descreve a força da tecnologia nos dias de hoje e a importância de nos desligarmos dela, colocando a tecnologia em seu devido lugar. Chega ser incrível ver alguém, que faz parte do mundo tecnológico, escrever um livro como esse pois fazer tal avaliação é perfeita para os nossos dias.

Lógico, não é minha intenção dizer que devemos jogar os nossos celulares, notebooks e tablets no lixo. Porém, devemos avaliar os efeitos das mídias sociais e das tecnologias no cotidiano, conhecendo os benefícios e utilidades que temos ao usar a tecnologia em nosso favor e entender quais são as desvantagens quando a usamos em excesso. Um dos problemas do uso acima do normal podem ser vistos nas mudanças dos relacionamentos entre as pessoas.

A TECNOLOGIA E AS MUDANÇAS NOS RELACIONAMENTOS

Relacionar-se com alguém tem sido um desafio para muitos. A única maneira que algumas pessoas sabem se relacionar é utilizando a tecnologia. Por medo, muitos evitam qualquer contato com amigos e conhecidos. Vivemos um tempo na qual as pessoas estão mais preocupadas em manter uma imagem online do que mostrar quem elas realmente são, postando frases e imagens que elas desejam que os outros vejam. Essa atitude tem criado indivíduos mais solitários.

Os sociólogos criaram uma definição chamada de “solidão adiada”: caso eu me sinta sozinho, posso postar uma foto e, mais tarde, voltar à minha página para ver se alguém curtiu ou fez algum comentário. Podemos saciar a nossa sede por um tempo mas estamos adiando essa solidão, não satisfazendo a nossa necessidade de fato.

Vivemos por “curtidas” porque sentimos falta de sermos amados. Sabemos que tem algo faltando, mas não sabemos o que é.

O FIM DA COMPAIXÃO

Quando vemos algo acontecendo na vida de alguém, nosso instinto nos faz ter uma maior preocupação por elas. As pesquisas tem mostrado o oposto. A Universidade de Michigan fez uma pesquisa com 14.000 universitários e o que eles perceberam foi que, com o crescimento das mídias sociais e das tecnologias, houve uma diminuição acentuada da compaixão. Esses estudos mostram que a sociedade atual se preocupa 40% menos com o próximo do que nos anos 80. Isso é chocante!

Esse estudo listou 3 teorias:

TEORIA 1: Estamos mais obcecados com nós mesmos. São tiradas mais de 93 milhões de selfies em um dia. Toda vez que postamos alguma coisa e alguém der um “like”, nossos cérebros liberam um pouco de dopamina: ficamos animados, mais agitados. Quando recebo essa injeção química, ficamos ainda mais obcecados com nós mesmos.

TEORIA 2: Quando não interagimos com as pessoas, torna-se mais fácil não nos importarmos com seus problemas. Se você está sofrendo e posta “orem por mim” no Facebook, posso orar por você. Mas se você estiver ao meu lado e eu conseguir perceber sua emoção e sua linguagem corporal, me preocuparei 10 vezes mais porque estamos próximos um do outro.

TEORIA 3: Quando vemos as pessoas expondo seus momentos delicados, ficamos dessensibilizados. Porque tudo parece igual em nossos telefones, nossos cérebros não sabem distinguir a importância de cada um. Por exemplo, seu feed de notícias no Facebook pode carregar uma receita de bolo de cenoura depois do vídeo de um jogador de futebol batendo na namorada, um link para um vídeo engraçado sobre gatos e uma notícia sobre um repórter decapitado pelo Estado Islâmico. Por serem carregadas ao mesmo tempo em seu feed, seu cérebro não distingue realmente quais deles são mais importantes.

Nós acordamos e sem perceber, nos preocupamos mais com nós mesmos do que com os outros.

NOS PROTEGENDO DOS ASPECTOS NEGATIVOS DA TECNOLOGIA

Precisamos identificar e reconhecer que esses aspectos são um problema para nós e, uma vez que fizermos isso, temos algumas coisas que precisam ser avaliadas: como administrar a tecnologia em nossas vidas e como podemos usa-la como um benefício sem transforma-la em uma maldição.

Caso você se encontre em uma relação de vício tecnológico, inicie um jejum do seu celular, notebook e tablet. Talvez os primeiros dias sejam estranhos mas quem sabe em certo momento você consiga dizer coisas como “de repente eu consegui me envolver com as pessoas”, “comecei a ler a minha Bíblia”, “escrevi uma carta” ou “fiz uma visita para um amigo”. Quando nos desintoxicamos do constante “clique-clique”, começamos a nos envolver ainda mais em nossos relacionamentos “face-a-face”.

As pessoas não dependem daquilo que postamos. Nos desligando da necessidade de estarmos sempre onlines, participaremos da vida dos que estão ao nosso redor de uma maneira mais profunda e significativa. Nossa identidade não está baseada na quantidade de seguidores que temos ou em quantas curtidas recebemos.

Precisamos redefinir a maneira como pensamos e buscar uma mentalidade mais pura, permitindo a limpeza das nossas mentes e uma perspectiva sobre as coisas que são mais importantes. Todos os dias são extraordinários para se viver e estar conectado com as pessoas. As mídias sociais e as tecnologias podem potencializar as nossas relações com o próximo, porém elas devem complementar os nossos relacionamentos e não substituí-los.

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