Seu crescimento não depende só da sua igreja

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Todos nós já conhecemos alguém novo em nossa igreja e em algum momento, eles nos informam que deixaram a sua última igreja, porque eles “não estavam sendo alimentados.”

Não é um motivo incomum. Geralmente também não é bíblico. Na maioria das vezes, para ser honesto, as pessoas que deixam as igrejas por este motivo não estão saindo porque não há alimento espiritual na mesa, mas porque suas agendas, desejos e expectativas não estão sendo atendidas pela liderança. Infelizmente, muitos cristãos são consumidos por seu próprio egoísmo, a tal ponto que a submissão e a vontade de crescer sob a autoridade espiritual raramente é considerada.

É verdade que existem algumas igrejas que não desafiam as pessoas a crescerem, não fazem discipulado, nem sequer pregam corretamente a palavra de Deus. Há situações em que uma igreja pode desempenhar um papel fraco ou mesmo paralisar o crescimento espiritual de uma pessoa. Na ocasião, não há validade para deixar uma igreja porque você “não estava sendo alimentado.”

O problema é que a desculpa é usada com muita mais freqüência do que ela seja válida. Vamos portanto, pensar a respeito de algumas coisas antes de tomarmos decisões precipitadas.

Alimento

A comunidade da igreja pode e deve fornecer recursos para ajudar na busca de crescimento espiritual, mas é sua a responsabilidade tirar proveito desses recursos.

Veja só: Eu não irei negar os meus pais e mudar meu nome, porque minha mãe parou de fazer o jantar. Não vou morrer de fome se minha esposa parar de cozinhar. Eu sou um homem crescido. Há apenas uma pessoa responsável se eu não como e não cresço. Não é um membro da família. Não é a igreja. Sou eu.

Há uma grande diferença entre deixar a igreja porque ela realmente não está ensinando o Evangelho ou deixar uma igreja porque você acha que “não está sendo alimentado.”

Em muitos casos, o que estamos realmente dizendo quando usamos essa desculpa é que estamos com preguiça de cuidar de nós mesmos e que Igreja não está atendendo nossos desejos do jeito que gostaríamos. Muitas vezes queremos uma igreja que irá servir e satisfazer as nossas necessidades, mas poucas vezes pensamos em fazer alguma coisa para que ela melhore, além de pensar que eu tenho parte no processo de crescimento. Paulo disse em uma das suas cartas que dentro do corpo de Cristo, todos são importantes e tem papel na edificação da igreja (Efésios 4.11,12).

 

O Propósito da Igreja

Em nossa sociedade orientada para o mercado baseado no consumismo, é fácil esquecer que as igrejas devem se preocupar mais em agradar a Deus do que as pessoas. Ironicamente, as primeiras coisas que muitas vezes buscamos quando olhamos para uma igreja (um lugar que ensina o que nós concordamos, desempenha o nosso estilo de música preferido, nos oferece o tipo de grupos ou classes que nós queremos, e, em geral, nos faz sentir bem ) podem ser um alerta.

A igreja não é sobre você ou eu. Não se trata de conseguir o que queremos ou nossas preferências pessoais. Quando nós encontrarmos uma igreja que se encaixa com o que queremos, o que estamos fazendo, muitas vezes é procurar um lugar que não irá nos desafiar a crescer ou sair de nossas zonas de conforto.

O papel de uma igreja não é nos dizer o que queremos ouvir ou oferecer todos os programas que gostamos. O papel da igreja é fazer discípulos de Jesus. Às vezes, as igrejas que nos fazem crescer mais são as que nem sempre fazem as coisas da maneira que nós faríamos, não atendem sempre os nossos caprichos, desejos e preferências, mas na verdade elas nos desafiam a sermos cada vez mais aquilo que Deus espera de nós.

Olhe para o Antigo Testamento. Quantas vezes o povo de Deus pediu coisas que não eram boas para eles? Quantas vezes eles imploraram a Deus para dar-lhes um rei só para acabar sofrendo sob sua liderança? É na natureza do homem desejar coisas que não são para o nosso bem. Deus, como um pai amoroso, se recusa a nos dar “bolo de chocolate para o jantar”, não porque ele é cruel, mas porque Ele é bom. Às vezes, Ele nega nossos pedidos porque o que nós queremos é realmente a pior coisa para nós.

 

O perigo da igreja ser um local de consumo

Esta cultura tem destruído a capacidade da igreja realizar de forma eficaz o ministério do Evangelho e a missão de Jesus. Como as pessoas da igreja pulam de um prédio para outro, igrejas encontram-se lutando para manter o salvo em vez de procurar pelo perdido.

Quando alguém muda constantemente de igreja porque recebeu um “não” ou se sentiu ofendida por isso ou por aquilo, o que podemos garantir é que ela nunca irá aprender a resolver conflitos e tensões. Ela não irá praticar o perdão ou reconciliação. Já diz o princípio bíblico de que o “ferro afia o ferro” (Pv 27.17). Se nós estamos em uma comunidade que está pregando e vivendo o Evangelho, é preciso estar disposto a ficar nela mesmo em meio a conflitos e lutas, pois elas nos conduzirão a maturidade.

Em vez de procurar professores que digam o que eles querem, devemos procurar ensinamentos que nos convencem de que temos que mudar e sermos parecido com Cristo. Jesus constantemente chocou, desafiou e até mesmo ofendeu as multidões com o que Ele dizia. Ele confrontou às crenças e a maneira de viver de algumas pessoas, e todos nós estamos sujeitos a aceitar certas mentiras como se fossem verdades. É preciso confrontação, desafio e coragem para falar a verdade. Isso é preciso para crescermos.

Uma vida espiritual equilibrada

Você pode estar em um lugar maravilhoso, uma igreja que crê na Bíblia, mas você pode ainda não esta crescendo. Ir para a igreja por algumas horas nas manhãs de domingo não irá mantê-lo alimentado espiritualmente se você não se envolver com Deus individualmente e em comunidade durante a semana. Você não faz uma grande refeição no domingo de manhã e espera ficar satisfeito para o resto da semana.

Portanto, antes de dizer que você “não está sendo alimentado” e por conta disso surgir um problema com sua igreja, dê uma olhada no que eles estão realmente oferecendo. Eles oferecem recursos de ensino sólido para o crescimento espiritual, ou você simplesmente não prefere a comida que eles estão colocando na mesa?

Junto com a prática de disciplinas espirituais uma vida espiritual equilibrada inclui muitas vezes abraçar a diversidade e ficar com uma família (igreja), mesmo quando o processo de crescimento é lento ou ela não satisfaz todas as suas expectativas. Às vezes, o mais fácil é ficar ofendido, reclamar e cair fora. Mas temos que lembrar que esta vida não se trata só sobre nós e sim sobre o que Deus deseja operar em nós.

 

 

Traduzido e adaptado por Paulo Neitzke. Original aqui

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