Redefinindo a gratidão

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Respirem aliviados: finalmente estamos nos aproximando do fim de mais um ano. E meus amigos, que ano foi esse. Por conta dos problemas políticos e econômicos que assolam o nosso país, todos nós sentimos os efeitos desse 2015 de alguma maneira. E chegar a mais um dezembro, em especial esse, me faz ter várias sensações.

Por um lado, é muita felicidade saber que os feriados (Natal e Ano Novo)  estão chegando, o que me deixa com espaço de sobra na agenda para descansar com minha família e aproveitar aqueles maravilhosos banquetes. Porém, para alguns esse momento representa algo muito diferente: fragilidade e quebrantamento.

Corre em alguns círculos cristãos que se estivermos lutando contra o desânimo, dúvida, magoa ou tristeza, isso acontece devido à nossa falta de gratidão.

Por um tempo da minha vida, tive receio de compartilhar sobre os momentos em que me senti emocionalmente sobrecarregado, especialmente quando me via perdido e sem direção, seja com relação às amizades, ministério, carreira, relacionamento ou família.

Não queria que as pessoas me julgassem, porque tenho sido grato a Deus por tudo o que Ele tem feito por mim. Mas, ser grato significa ter amnésia?

ESCONDENDO A CULPA

Já me senti como se precisasse respirar bem fundo até que Deus resolvesse os meus problemas, para que eu pudesse mostrar aos outros como Ele dirigiu a minha vida. Cheguei a basear a minha fé na forma como eu era competente, sendo forte e feliz até que tudo terminasse de uma maneira diferente.

Mas nem sempre foi assim. Precisei aprender da maneira mais difícil. Guardar pra mim certas partes da minha história me fez experimentar muitos momentos de ansiedade e solidão.

Acredito que muitos de nós já vivemos isso. Algumas vezes, enquanto eu estava pra baixo, ouvia certas pessoas dizerem: “Seja grato e se alegre. Tem tanta gente passando por coisa pior!” Sei que elas foram bem intencionadas, mas por vezes, ao escutar isso eu me sentia mais culpado, fazendo com que escondesse esse sentimento de tristeza.

Se temos esses sentimentos, devemos buscar uma mudança. Durante a nossa jornada pela cura, precisamos experimentar uma nova liberdade e intimidade com Deus, confiando as nossas feridas e medos a Ele.

Deus não quer que nos culpemos por nos sentirmos melhores em relação às nossas lutas porque os outros estão sofrendo mais.

Jesus não disse ao cego, “Seja grato por você poder andar.” Jesus teve compaixão pela condição de cada um, sem precisar fazer quaisquer comparações.

VERDADEIRAMENTE CONHECIDO

Jesus trouxe honra ao quebrantamento, nos convidando a se aproximar Dele, como está escrito: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso” (Mateus 11.28). Jesus não disse, “Venham a mim, todos os que são fortes e livres de preocupações.”

Às vezes tentamos aliviar o nosso sofrimento, minimizando a necessidade de sermos conhecidos. Acabamos vivendo vidas emocionalmente isoladas, mesmo que sejamos a geração mais digitalmente conectada de todos os tempos.

A verdade é que a gratidão existe quando somos verdadeiramente conhecidos, partilhando a nossa fragilidade com Deus e com as pessoas que confiamos.

O próprio Jesus entende que ser grato não necessariamente nos tira da luta. Na noite que Jesus compartilhou de uma refeição pascal, Ele confiou em sua agitação interna, mesmo que tenha, literalmente, dado graças pelo pão e pelo cálice com Seus amigos mais próximos no início da noite: “Levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Disse-lhes então: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem comigo.” (Mateus 26.37,38)

Jesus nos amou, mesmo sentindo essa profunda tristeza. Jesus escolheu ser flagelado.

Precisamos aprender a ter a coragem de sermos quebrantados. E quero abrir o meu coração através dessa lista de coisas pelas quais posso ser grato. Redefinindo a forma como pensamos sobre a gratidão, nossa caminhada de fé não será reduzida a necessidade de ter sucesso ou conviver com a falha.

REDEFININDO A GRATIDÃO

Eu sou grato…

  1. Por poder estar em necessidade, por isso posso viver uma jornada para encontrar o conforto. “Assim como uma mãe consola seu filho, também eu os consolarei; em Jerusalém vocês serão consolados.” (Isaías 66.13)
  2. Por poder sentir tristeza, por isso não preciso viver separado do meu coração. Posso chorar e sentir medo, porque Deus ama cada detalhe da minha história. “Registra, tu mesmo, o meu lamento; recolhe as minhas lágrimas em teu odre; acaso não estão anotadas em teu livro?” (Salmos 56.8)
  3. Por não precisar desejar o sofrimento, mas poder escolher abraça-lo. Deus não enxerga o meu sofrimento como vergonhosa. “Não tema, pois eu o resgatei; eu o chamei pelo nome; você é meu.” (Isaías 43.1)
  4. Por poder desabar, porque Jesus me carrega mesmo que eu tenha alcançado o meu limite. “Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele, aquele que os susterá. Eu os fiz e eu os levarei; eu os susterei e eu os salvarei.” (Isaías 46.4)
  5. Pelas promessas de Deus: nunca te abandonarei. Nunca te deixarei.“Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá.” (Salmos 27.10)
  6. Por finalmente poder parar de olhar para as minhas feridas e investigar como elas chegaram lá.
  7. Por estar aprendendo a dizer não de um jeito que eu nunca pensei: dizendo sim pra mim e sim pra Deus.
  8. Por lembrar dos sonhos que eu já tinha desistido, podendo perguntar pra Deus se algum deles ainda pode se tornar realidade.
  9. Por poder perguntar pra Deus: “É tarde demais?”, e ainda duvidar. Deus é fiel mesmo quando eu não sou. “Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo.” (2 Timóteo 2.13)
  10. Por encontrar amigos que entendem que a tristeza e a alegria podem coexistir. Amigos que confiam que o amor é maior do que qualquer resolução e que podem ser honestos sobre suas próprias histórias.

Podemos prosseguir em nossa caminhada porque coisas belas podem ser encontradas na devastação do abandono. Podemos ser verdadeiros, porque Jesus ainda assim nos escolhe.

Se Deus te colocou em um tempo de quebrantamento, agradeça. Não porque você é forte ou porque tudo precisa parecer perfeito. Mas porque você é amado.

 

 

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