Quando o impossível acontece e não é um milagre

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Dia 8 de novembro de 2016 (vulgo ontem), o mundo acompanhava o resultado da corrida presidencial mais disputada dos últimos tempos. De repente, dos olhos atentos começam escorrer lágrimas. As minorias choram. Seus apoiadores comemoram. E o rosto do resto do mundo fica mais ou menos assim:

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“Era impossível, segundo as previsões de renomados Institutos de Pesquisas. Mas para quem vive achando que o impossível não acontece, segura essa aí.”

Começa o apocalipse. Bolsas caem, site da imigração canadense cai, Facebook estoura de comentários, Twitter fritando e um pensamento ecoa: Como é possível? O país que tem um Vale que nos leva ao futuro, agora é uma nação que quer voltar ao passado?

Donald Trump não é um ditador (sei que parece, mas politicamente não é). Ele foi eleito, milhares de pessoas compraram seu discurso e enviaram um recado ao mundo: a América é livre, até a segunda página.

O grito do conservadorismo calou o que sua icônica Estátua da Liberdade diz:
“Dai-me os seus fatigados, os seus pobres, As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade. O miserável refugo das suas costas apinhadas. Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades, Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.”

Quem mandou o recado?

O discurso de diversidade pregado por diversas esferas mostrou que, quando é pra valer, o que impera é o narcisismo. O amor ao próximo não inclui votar a favor do outro.

Quem fez a diferença no eleitorado Trump não foram os magnatas de Las Vegas. Foram, em sua maioria, homens brancos de baixa escolaridade com o orgulho ferido por terem perdido os bons ventos econômicos com os cortes de postos de trabalho no setor industrial (boa parte das empresas do Cinturão de Ferrugem – Rust Belt – fecharam ou mudaram para países com mão de obra barata) e culpam os imigrantes por roubarem seus postos de trabalho. Para eles, o slogan de Trump “Make America Great Again” tem especial importância. A promessa do candidato republicano de trazer de volta empregos da China para os Estados Unidos é muito bem-aceita entre esses eleitores, assim como os apelos contra o livre-comércio e a imigração.

“Não foi um voto de progresso a favor de uma classe, foi uma vingança, servida em um prato bem gelado.”

Esse recado teve mais assinaturas, além dos homens brancos desempregados, mulheres e homens conservadores, os cristãos (digito chorando nesse momento) também fazem das palavras de Trump as suas. No levantamento do público que votou, no que se refere ao cluster “religião”, os cristãos contribuíram bastante para a chegada de Trump à Casa Branca 🙁

Por que eles fizeram isso?

Não consigo afirmar com total certeza, mas algo que era perceptível é a nostalgia, a exaltação do passado. “Antigamente era melhor”, “no tempo em que eu era jovem a economia ia bem”, “se fosse no passado isso já teria sido resolvido” (observação: infelizmente, meses atrás, já tínhamos pontuado algumas questões envolvendo a candidatura de Donald Trump e opinião dos evangélicos americanos, só acessar o artigo “Donald Trump, o ‘salvador’ dos evangélicos?“).

É um comportamento do homem exaltar fragmentos históricos que deram certos e transcrever como se fosse uma era triunfal. Isso se reflete em diversas áreas da sociedade, desde a busca pela solidez econômica, até a volta da igreja primitiva.

O eleitorado de Trump quer voltar no tempo, mas parece não enxergar os lados sombrios: o combate aos imigrantes, o tratamento com as mulheres e a violência contra os negros não assusta, pelo contrário, olham isso como um indicador de que estão seguindo para o caminho de volta para casa, uma casa que seja só deles, próspera, sem portões, mas com muros altos, tocando o despertador que avisa ao mundo todo: o sonho acabou.

O que está por vir?

Se Trump usar toda a euforia que apresentou suas porpostas de governo para cumprí-las, podemos esperar basicamente:

Política Externa:

Trump deixou claro que os EUA estarão sempre em primeiro lugar, mesmo que para isso precise sacrificar os interesses de seus aliados mais próximos. Também pretende modernizar o arsenal nuclear e ampliar o poder militar americano. Prometeu impedir o avanço do islamismo radical e cobrar respeito e gratidão dos países que forem ajudado pelos EUA.

Economia:

A base econômica de Trump é a promessa de aumento de empregos. Ele diz que os EUA deixarão de perder indústrias e empregos para a China e o México, e ameaça penalizar empresas que queiram deixar o país. Pretende ainda aumentar impostos para quem sair do país e chegou a afirmar que quer “obrigar” a  Apple a fabricar seus produtos nos Estados Unidos.

Trump promete ainda cortar muitos gastos do governo e sugeriu em entrevista à MSNBC que uma de suas primeiras ações para que isso seja alcançado poderia ser cortar o Departamento de Educação.

Defesa:

Afirmou que seu governo se tornaria tão poderoso e ameaçador que não sofreria ameaças de absolutamente ninguém. Ele defende a adoção de táticas de tortura e diz que poderia aprovar técnicas ainda mais duras do que o “waterboarding”, um tipo de afogamento proibido atualmente. Ele diz ainda que os EUA precisam ser “imprevisíveis” e se diz aberto ao uso de armas nucleares.

Imigração/ Refugiados

O ponto mais polêmico da sua proposta de governo é a promessa de construir um muro na fronteira com o México, cujo o próprios mexicanos construiriam, obrigando este país a pagar pela obra com ameaças de sanções, cobranças de dívidas e cortes de acordos comerciais. Promete ainda expulsar todos os imigrantes ilegais que já estão nos EUA, cerca de 11 milhões de pessoas, afirmando que aqueles que comprovarem ser “boas pessoas” serão aceitos de volta de forma legal. Trump também considera aumentar os custos de taxas de entrada no país e de vistos temporários e diz que irá acabar com o H-1B, um visto para não imigrantes que permite que empregados especializados sejam contratados temporariamente para determinados cargos por empresas americanas.

E agora, o que podemos fazer?

Ainda estou abalada com a notícia, é realmente assustador um resultado como esse em um país de influência global. O que me acalma é voltar os olhos para o evangelho e saber que mesmo em momentos onde a maldade humana é exaltada, a soberania de Deus prevalece. E é fato: Trump também faz parte dos planos de Deus para o mundo.

Já que a onda é olhar para o próprio umbigo, talvez possamos aproveitar o momento para reavaliar nossa vida com Deus a fim de nos prepararmos para tempos difíceis a nível mundial.

As propostas de governo Trump foram adaptadas da versão publicada aqui

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