Quando música vira adoração

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Quando os cristãos se reúnem para adorar sempre tem música. Há coros, canções, interlúdios musicais – salmos, hinos e cânticos espirituais (Ef 5:19). Na verdade, a adoração é mais do que o canto congregacional que fazemos em um culto na igreja. Então, o que torna a música um meio tão certo para adoração? Esta é uma pergunta fascinante.

Música, como a linguagem, é uma das poucas atividades culturais universais. Seu uso transcende religião, economia, organização social e etnia. Pode ser encontrada nas mais primitivas tribos isoladas assim como nas grandes cidades. É entrelaçada no tecido da vida cotidiana de cada cultura humana ao longo da história. A música é popular, mas também é poderosa. Nossos eventos pessoais, comunitários ou nacionais mais importantes quase sempre empregam o poder da música – casamentos, festas, comemorações, até mesmo funerais. A música esta presente no entretenimento, no esporte, na guerra… e é claro na adoração. Por quê?

A música é emocional

A estética musical explora a beleza e o prazer da música. Ela sugere que a música é poderosa porque é emocional. Isso não quer dizer que a música só diz respeito a emoções, mas ela expressa e envolve a vida emocional. A psicologia e neurociência concordam em estudos mostrando que tanto criar e/ou ouvir música envolve os centros emocionais do cérebro. E a música evoca as emoções que ela expressa (afinal, por que nós gostamos de músicas tristes, se tudo que eles fizeram foi nos deixar tristes?), mas também provoca um intenso estado emocional. E como criaturas emocionais, nós gostamos disso.

A música é física

O ritmo da música ressoa com o corpo espontaneamente, os pés marcam o ritmo, as mãos batem palmas, o corpo dança. Isso revela uma ligação sutil, mas importante. A música é uma experiência auditiva que a mente busca ecoar e expressar fisicamente. E não é apenas o ritmo. Quantas vezes nós nos encontramos fazendo uma orquestra imaginária ou tocando guitarra sem ter uma nas mãos. É porque nós estamos cativados, envolvidos por uma melodia. Portanto, é claro que fazer música – tocar ou cantar – é uma atividade física.

A música é cultural

Todos nós provavelmente temos músicas que quando ouvimos, somos “levados” automaticamente para um determinado tempo e lugar, cheios de sentimentos e circunstâncias daquele momento. (Para mim, “Bohemian Rhapsody” sempre me leva de volta a um bar no norte da NSW em 1976, apoiando-se em uma máquina de pinball, ouvindo a música no jukebox. Eu tinha 13 anos, era verão, era tarde e eu estava vestindo uma t-shirt amarela). A música tem essa habilidade incrível de evocar e expressar momentos de grande significado pessoal. A Música se torna um enredo em um evento entrelaçados em torno de uma causa, tecendo nossos pensamentos, emoções e sentidos em um momento comovente, ressonante e inesquecível. Nossas culturas estão cheias de tais comemorações carregadas de música. O “Last Post” jogado em uma corneta no dia de Anzac, para mim, é um desses momentos. Uma canção evocativa fica envolto em histórias de sacrifício, coragem e perda, noções de liberdade e lealdade. O efeito é quase hipnotizante.

A música é social

Como é poderoso e significativo quando todas essas coisas vão além de mim e são compartilhadas e vividas com os outros. Compartilhar melodias, letras e ritmos têm o poder de unificar uma multidão ao redor de um momento cultural profundamente. Pense em um hino. Um hino de futebol, por exemplo, canções nacionais que enchem um estádio. E quando isso acontece, cada um de nós traz todas as nossas experiências individuais da música, mesclando-as juntos em uma experiência colaborativa cativante.

Música e Adoração

Tudo isso nos dá uma pista para a ligação entre a música e a adoração. Como crentes, nós amamos o Senhor com todo o nosso coração, alma, mente e força. E a música tem exclusivamente o poder de intervir a totalidade de quem eu sou nesse momento de expressar a minha devoção a Deus. Quando eu canto na adoração estou envolvido emocionalmente, fisicamente e intelectualmente. É como se “tudo de mim” fosse visto neste ato de amor. E a música que faz isso acontecer. E porque eu estou inteiramente e totalmente engajado nisso, as palavras que eu canto preenchem de significado aquele momento. Eu me quebranto em uma canção de adoração, e sinto que estou finalmente capaz de chegar perto de expressar tudo o que está em meu coração, mesmo que meras palavras faladas ainda pareçam insuficientes.

Mas mais do que isso, não apenas eu que tenho essa experiência. A pessoa ao meu lado também. E as nossas experiências ressoam em um único som. As mesmas palavras, o mesmo ritmo, a mesma melodia. As mesmas emoções, o mesmo engajamento, a mesma memória cultural. Estamos aqui juntos, em uma só voz, em torno de uma causa, todos focados em uma onda de profunda devoção Àquele que definitivamente nos salvou. Momentos de adoração comunitária é um daqueles momentos em que o “nós”  pode realmente se tornar em “um”.

E a música faz isso acontecer.

Original aqui.

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