Qual o problema de uma vida de aventuras?

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Eu vivo em Nova Iorque, aqui é bem fácil ser pego num estilo de vida urbano e agitado. Eu corro do trabalho para a academia, saio com os amigos, vou aos eventos da igreja e raramente diminuo o rítmo.

E não estou sozinho nessa correria. Na realidade, todos da cultura ocidental são movidos para o caminho da satisfação imediata, com aplicativos para iPhone, cadeias de Fast Food e a generalização do “job-hopping”- pular de um emprego para outro. Eles dominam o cenário social.

Hoje em dia, mais e mais pessoas são desafiadas com a palavra de Paulo em 1 Tessalonicenses 4 “ E procureis viver quietos.” Nós encaramos várias distrações e tentações que podem desviar o nosso foco e confundir nossa mente do caminho de Cristo.

De qualquer forma, isso não é novidade. Pessoas sempre foram tentadas a centralizar a vida delas em coisas e não em Deus – fazendo com que as bençãos de Deus fossem o objeto adorado, ao invés de adorarmos o próprio criador.

Mas recentemente venho refletindo sobre um ídolo da minha vida, que muitas pessoas poderiam se identificar também: o ídolo da adrenalina ou da “aventura”-  essa necessidade de que todas as coisas sejam novas e a vontade de seguir o caminho para ter a animadora vida de Instagram.

Gratificação instantânea

Em nossa cultura atual, a “aventura” nos guia por vários caminhos. Mesmo se não pudermos viajar para lugares distantes, vemos o novo como um desejo, em busca de experiências excitantes no “aqui e agora”.

Em situações do cotidiano, isso vem com a impaciência quando nossas necessidades não são resolvidas naquele exato momento. Hoje, parece que só crianças e Deus tem paciência para o monótono. Quando vou com meus amigos em um bar, espero ser atendido imediatamente.

Quando eu ando por uma avenida movimentada, vejo várias pessoas se movimentando para me ultrapassarem. Quando oro, quero ouvir a voz de Deus antes mesmo do deixá-lo falar.

Ao invés de aprender a ser paciente, eu me permito a ser emocionalmente agitado, ficando frustrado e entediado.

Em outras palavras, muitos de nós perdemos o fascínio pelo cotidiano ou pelo comum. Isso é fundamental para o ídolo da “aventura” despertar um desejo profundo pelo novo, pela criatividade e pelo significado em nossas experiências e relações. Pode perceber: estamos sempre com medo de perder algo que seja o melhor – melhor apartamento, melhor trabalho, melhor encontro. Isso pode ser uma espécie de Lifestyle aventureiro, quando hesitamos no compromisso pensando: “e se alguma coisa melhor aparecer?” e com isso não descansamos, ansiosos e com medo de perder alguma oportunidade mais incrível.

Ser aventureiro não é uma má escolha, mas idolatrar a aventura sim. Nos manter focados no curto prazo, faz com que esmaguemos a paciência por aquilo que desejamos ao longo prazo. Em nossa busca pela felicidade, é essencial sabermos distinguir entre uma felicidade passageira e a duradoura, e, principalmente, qual a estrada que levará até lá.

Estamos sempre a espera da próxima experiência que nos faça sentir mais especiais, com mais sentido, propósito e deixamos de perceber que o verdadeiro sentido vem de Deus. Nos tornamos viciados em experiência e saímos de locais onde poderíamos viver uma experiência genuína com Deus.

O extraordinário no cotidiano

Na Bíblia, em Hebreus 12, o livro dos Heróis da Fé – em linhas gerais, vários personagens vivem uma vida comum e viram Deus intervir em caminhos milagrosos. Nessas estórias, o próprio Deus era um elemento extraordinário. Jesus trouxe o comum – pão e água – e fez o extraordinário.

Paulo escreve sobre vários modos que podemos utilizar para promover o evangelho e construir nossa fé. Um deles nos chama a ação de trazer nosso ídolos para a Cruz (Gálatas 2:20). Deus tem nos dado muitas coisas boas, o pecado é que corrompe essas bençãos. Mas ainda podemos escolher:  iremos permitir que essas coisas governem nossos corações ou vamos crucificar esses ídolos ao buscar um conhecimento mais profundo sobre nosso Deus?

Mas então, como começamos a deixar esse ídolo das nossas vidas? Acredito que lembrar do significado do sábado seja um bom começo. O descanso é uma parte essencial de nossa existência. Nos deixando desacelerar, escolhendo vivenciar as experiências comuns de nossas vidas diárias e deixar de lado as outras coisas potencialmente mais excitantes. Permitimos que nossas mentes, corpos e espírito se recuperem e se preparem para o que está próximo. Quando diminuímos o ritmo e nos livramos das distrações, podemos nos relacionar melhor com Deus, nos tornando íntimos e sermos usados por Ele, sem ruídos.

Por fim, precisamos nos lembrar que Deus está em tudo, e é nele a verdadeira aventura. Apocalipse 21:5 e 2 Coríntios 5:17 nos lembra que Deus é a novidade definitiva de nossos desejos. Se escolhermos desacelerar e parar de forçar aventuras, perceberemos como Deus está orquestrando o nosso ambiente, para que possamos conhecê-lo e desfrutá-lo de uma maneira emocionante.

É saudável e natural ficar animado com novas experiências, nos apaixonar sobre a maneira como vivemos e viver com entusiasmo. Mas quando isso domina nossas rotinas e escolhas, estamos lentamente dando o controle de nossos corações e mentes para os caminhos do mundo . Se optarmos por recusar coisas boas por coisas melhores, Deus Se revelará em formas que anteriormente não podíamos perceber.

Enfim, que Deus nos conceda toda a paciência e contentamento para viver fielmente nos momentos comuns, sabendo que Ele fará todas as coisas extraordinárias, simplesmente por Sua presença.

 

Texto publicado na Relevant Magazine e traduzido gentilmente por Marina Bevilaqua 🙂

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