Precisamos falar sobre feminismo

0

Um dos termos mais debatidos em 2015 continua sendo alvo de críticas e teorias por muitas pessoas. Por que as ideias básicas do feminismo são tão difíceis de entender em relação à nossa vida cristã? Por que muitas Igrejas e líderes consideram esse termo até mesmo perigoso? Nesse texto, proponho uma discussão dos conceitos e de possíveis comparações do feminismo a outros momentos históricos que acabaram por moldar nossa cultura ocidental.

Conceituando o termo nas palavras da autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie : “Feminista — a pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos.” Especialmente desde a virada para o século 20, o feminismo é um conceito e uma luta que se reinventa em ondas de ação e conquistas. Que primeiro se afirmou em direitos civis, com as mulheres conquistando o poder de voto em eleições democráticas, por exemplo. Já nos anos 1960 e 1970, uma segunda onda esteve ligada a justiça social, como o movimento negro nos Estados Unidos. A onda feminista atual trata de finalmente tentar gerar igualdade entre os sexos, e especialmente para que as mulheres sejam tratadas como seres humanos – não por serem as mães, irmãs, filhas ou esposas de ‘alguém’, mas por serem elas mesmas.

Isso tudo parece bem óbvio, não é mesmo? Mas as estatísticas, diferenças salariais e abusos sofridos até mesmo dentro de casa comprovam que não avançamos muito nessa questão desde os tempos em que se apredejavam mulheres em público. Para nós, mulheres cristãs, o assunto é delicado, pois é preciso estudo da palavra, sabedoria – e bons líderes – para diferenciar os aspectos culturais inscritos na Bíblia e as lições que devemos trazer para nossas vidas em relação aos papéis sociais da mulher, como os de estudante, trabalhadora, esposa, mãe, serva de Cristo. Aliás, se talvez naquela época fosse comum muitas mulheres trabalharem fora de casa ou se lançarem em missões como Paulo, boa parte das interpretações limitantes estaria resolvida…

Para abordar apenas um exemplo, o conceito de submissão recentemente estudado e revisado, que publicamos no post o que a submissão realmente significaapresenta a ideia básica de refletir apoio mútuo; e colocar nossos relacionamentos sob a luz de nossa relação com Deus. Seja na família, entre amigos e amigas, no ambiente de trabalho, com desconhecidos na rua, nas redes sociais e até naquele momento em que tão facilmente julgamos a próxima (ou o próximo): Amá-la ou amá-lo como a si mesma(o).

Assim como Martin Luther King lutou com amor pelo movimento negro nos anos 1960 e hoje simplesmente não aceitamos situações, falas e comportamentos racistas, dentro e fora das Igrejas, o feminismo pede passagem para que todos considerem (de uma vez por todas, afinal, 2016, né gente) mulheres como cidadãs, seres humanos dignos, com direitos humanos garantidos. Simples assim. Por isso a luta social pela igualdade dos gêneros não denegra os preceitos do Cristianismo, pelo contrário, nos afirma como um povo que tem a possibilidade de olhar a próxima e olhar por ela – e a nós mesmas – com amor, comunhão, mansidão, respeito e todos os outros frutos do Espírito.

 

E a partir do ‘Amar a Deus acima de todas as coisas e de amar aos outrs como a si mesmo(a)’, fica a pergunta: Como você, mulher, tem amado a si mesma?

Mas isso já é assunto para uma próxima conversa. 😉

No more articles
Fé inteligente todo mês na sua caixa de entrada?