Pornografia: a grande ameaça de toda uma geração

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Na semana passada, a atriz e ex-modelo da Playboy Pâmela Anderson e o rabino Shmuley Boteach publicaram um artigo cooperativo no Wall Street Journal sobre os perigos que a pornografia representa para a sociedade. Eles escreveram, “temos advertido as pessoas sobre os efeitos corrosivos da pornografia na alma de um homem e em sua capacidade de comportar-se como um marido e, por extensão, como um pai”, chamando a pornografia de “um perigo público de seriedade sem precedentes.”

Suas declarações ecoam outra advertência de alto perfil sobre a pornografia: uma recente reportagem de capa para a revista Time. A reportagem pinta uma imagem ameaçadora do sexo e da sexualidade entre os jovens americanos. Quando a história, “Porn and the Threat to Virility” (em português, A pornografia e a ameaça à virilidade), apareceu pela primeira vez semanas atrás, iniciou-se um pequeno burburinho em torno da Internet, incluindo um agrupamento incomum de vozes cristãs feministas e conservadores seculares caracterizando as descobertas da revista Time como um indicativo de um problema cultural ainda maior.

Durante a última década, ouvimos muito sobre como a pornografia afeta o cérebro humano. Ao que parece, é uma reivindicação relativamente controversa. A jornalista da Time, Belinda Luscombe referencia especialistas que argumentam a favor e contra essa ideia, assim como todos os que lamentam a falta de pesquisa nessa área. Efeitos neurológicos à parte, Luscombe basicamente concluiu que, em uma geração de homens mais impactados pela pornografia, a sua recuperação está fortemente em jogo e os efeitos da longa exposição à pornografia esta levando essa geração à uma crise de saúde.

Ele escreve:

“Um número crescente de jovens homens está convencido de que a suas respostas sexuais foram sabotadas porque seus cérebros foram marinados em pornografia quando eram adolescentes. Sua geração consumiu um conteúdo explícito em quantidades e variedades nunca antes vista, através de dispositivos concebidos para satisfazer de forma rápida e privada, numa era onde seus cérebros estão cada vez mais plásticos, mais propensos a mudanças permanentes. Esses jovens se sentem como cobaias involuntárias de um experimento de uma década, em grande parte sem monitoramento no condicionamento sexual. Eles afirmam que o resultado desse experimento são literalmente um infortúnio.

Dessa maneira, esses homens estão começando a lutar contra isso, criando comunidades online, grupos em aplicativos de smartphones e vídeos educativos para ajudar homens a parar com o pornô. Eles começaram blogs e podcasts, se apresentando em todas as linguagens públicas possíveis. A pornografia sempre enfrentou críticas dos evangélicos e das feministas. Mas agora, pela primeira vez, alguns dos alertas mais estridentes são provenientes dos mesmos grupos demográficos de seus clientes mais entusiastas”.

Luscombe se esforça para reiterar que os homens nestas comunidades e grupos de apoio não são anti-sexo ou algum tipo de assexuais emergentes. Na verdade é exatamente o oposto disso. Eles, pelo menos em teoria, gostam de sexo, sem deixar que vícios de retratos pornificados tomem conta de sua realidade. Um homem disse a Luscombe, “eu só quero desfrutar do sexo novamente e sentir desejo por outra pessoa.” Outra pessoa disse: “A razão pela qual eu parei de assistir pornografia é para ter mais sexo.” E outro homem simplificou da seguinte maneira: “parar com a pornografia é uma das coisas mais sexo-positivas que as pessoas podem fazer.”

UMA REAÇÃO DOMINANTE

A reportagem de capa da Time é uma reminiscência de um artigo escrito pela GQ Magazine no final de 2013 chamado “10 razões pelas quais você deve parar de ver pornografia.” Pelo menos para mim, esse artigo veio com um pouco de surpresa, dada a história de amor do “gentleman” conquistador. O artigo se baseava em uma pesquisa do grupo do Reddit chamado NoFap. A GQ advertia os homens sexualmente ativos sobre as mesmas coisas que a revista Time está advertindo à uma sociedade inteira.

Além dessa evidência, o artigo de Luscombe na Time também detalhe algumas das estatísticas que cercam o uso da pornografia, mencionando inclusive que o mundo acadêmico parece curiosamente hesitante em estudar o fenômeno, o que resulta em dados relativamente escassos. Ainda assim, os resultados desse relatório são tão assustadores quanto os testemunhos. Ela cita uma “empresa de rastreamento de Web independente” que contou cerca de 58 milhões de visitantes mensais dos EUA em sites adultos em Fevereiro de 2006. “10 anos depois o número aumentou para 107 milhões”. Ela também afirma que um site pornô relatou, sozinho, um número de 2,4 milhões de visitantes por hora em 2015. Em todo o mundo, as pessoas assistem gigantescas 4.392.486.580 horas de pornografia no site. De acordo com o artigo da Time, isso representa “o dobro do tempo que o Homo Sapiens viveu na terra.”

Todas essas visualizações envolvendo pornografia acrescentamse a uma reivindicação esmagadoramente consistente dos próprios consumidores: os usuários de pornografia estão dizendo o que eles querem da pornografia – o prazer e a satisfação do sexo que eles perderam completamente.

Os dados indicativos da revista Time são tão reveladores quanto o artigo de Luscombe.

Na edição dessa semana, uma pequena coluna intitulada “Como o pornô está mudando uma geração de meninas”, escrita por Peggy Orenstein, autora do livro GIRLS & SEX. Esse relato envolvendo o impacto da cultura pornográfica nas mulheres, particularmente com as jovens, pode ser mais alarmante do que a reportagem de capa. Orenstein escreve:

“Existem indicações de que o pornô tem um efeito de liberalização: os usuários heterossexuais masculinos são mais propensos do que seus pares na aprovação do casamento homossexualPor outro lado, eles são menos propensos em apoiar essa atitude nas mulheresE usuários de pornografia são mais propensos do que seus pares em medir sua masculinidade, status social e auto-estima através de sua capacidade de marcar pontos com as mulheres atraentes.

Talvez, porque ela retrata a agressão como sexy, a pornografia parece dessensibilizar as pessoasusuárias femininas são menos propensas a intervir quando vêem outra mulher sendo ameaçada ou agredida e são mais lentas em reconhecer quando estão em perigo”.

Se levarmos a sério esta questão — e por que não deveríamos? — o pornô não apenas rouba dos homens aquilo que eles querem de pornô, mas também danifica as mulheres – as pessoas supostamente celebradas.

UMA LUTA PARADOXAL

Em Janeiro, foram publicados os resultados do grande estudo referente cultura da pornografiaOs resultados confirmam e sublinham o que sabemos algum tempo: o uso de pornografia é um problema enorme e crescente, mesmo entre os cristãosEm parte, o estudo revela que um escalonamento de 57% Millennials mais jovens (idades 18 a 24) procuram pornografia pelo menos uma ou duas vezes por mêsEntre os mais velhos, o número é ligeiramente menor em 43%.

A descoberta mais triste do estudo é que apenas metade dos adultos consideram que assistir pornografia é errado – 54%. Na verdade, em uma lista de tabus, os entrevistados apontaram que ver pornografia ocupanúmero na lista de 11 tabus. Coisas como comer demais e não reciclar estão nas colocações mais altas.

Qualquer pessoa que já tenha lutado contra pornografia — ou aqueles que tem ajudado pessoas nessa dificuldade — sabem da sua natureza paradoxalDe um lado, é claro que os desejos e impulsos sexuais vem naturalmente. Por outro lado, esses mesmos desejos, como a revista Time articula claramente, podem fugir do controle e nos conduzir em ações que realmente dificultam a sexualidade.

UM CONFLITO ESPIRITUAL

Um dos meus antigos professores fala sobre aquilo que ele chama de “refugiados da revolução sexual”. Para alguns, a cultura pornográfica prometeu algo através da tela de um computador aquilo que ela nunca poderá entregar e os deixou mais vazios do que antes. Para outros, a cultura pornô ditou novas normas de beleza e feminilidade que desmantelou as mulheres em ambos os ladosDa mesma maneira como tem ocorrido com os refugiados do Oriente Médio, que estão procurando um novo lar. É ai que precisamos ajudar e mostrar uma representação do sexo muito mais convincente do que a versão digital e egoísta.

Em seu livro, God loves Sex, o estudioso do Antigo Testamento Tremper Longman III e o conselheiro Dan B. Allender exploram (Há! Você adivinhou!) o sexo numa perspectiva bíblica e teológica. E desde o início, eles reconhecem essa tensão. Eles escrevem:

“A satisfação sexual não é final; o amor nunca nos satisfaz da maneira como desejamos. Desejamos mais do que qualquer relacionamento pode fornecer e pedir aos outros por aquilo que não irá nos satisfazer plenamente é criar mais vazio e tristeza. Somos abençoados e amaldiçoados pelo desejo. Nós nunca seremos perfeitamente fiéis a Deus, nosso amante, ou para com nós mesmos à medida que lidamos com o desejo. Só Deus é fiel em seu desejo por nós”.

O Cântico dos Cânticos nos convida a intensificar o nosso desejo pelo sexo. O subproduto disso é o aumento do nosso desejo por uma sexualidade edênica que só será plenamente possível nos novos céus e nova terra.

Allender e Longman reconhecem a atração da sexualidade auto focadaauto gratificante. E eles reconhecem que a visão nunca satisfaz. Então, eles apontam para as realidades mais profundas do sexo, que “é uma experiência em que uma pessoa pode perder-se em outra pessoa. Em outras palavras, duas pessoas tornam-se ‘uma só carne.’ Embora descrito fisicamente, essa unidade é sentida não só no corpo, mas também na alma.”

Essa visão é exatamente o oposto da pornografia. Assim como o artigo da Time relata, a cultura pornô oferece um tipo acessível e instantâneo de sexo que no final, deixa você sem sexo algum. Deus oferece o sexo que exige auto-sacrifício e aliança, trazendo muito mais do que apenas sexo.

 

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

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