Por um mundo mais criativo e menos crítico

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Nos dias de hoje, todos são críticos.

Dê uma olhada nas postagens e comentários feitos nas redes sociais ou em quaisquer artigos. Com certeza você encontrará muitas pessoas escrevendo sobre assuntos que não gostaram ou discordaram.

Quero afirmar que a crítica nem sempre é ruim. Mas na maioria das vezes, a forma como ela é expressa em nossa cultura não é muito útil. A tecnologia foi a responsável por ter transformado a nossa iteratividade social em um tipo de “anonimato online”. Esse anonimato criou usuários especialmente talentosos em iniciar discussões.

Pois é: infelizmente, os cristãos não são uma exceção. Surpreso? Acho que não. Para seguidores de Cristo, que afirmam ter o amor de Deus em seus corações, nem sempre agimos da maneira esperada pelo Deus que servimos. Jesus diz que seus seguidores serão conhecidos pelo amor. Mas quer ver como esse “amor” é demonstrado? Acesse blogs que tratam sobre o cristianismo e análise alguns dos comentários feitos por cristãos. Existem poucas pessoas mais cruéis do que um cristão que acredita que possuir uma teologia mais correta que a sua. Em nome da proteção da fé, usamos os nossos dogmas como arma para destruir qualquer um que discorde de nós.

A comunidade cristã tem se tornado tão crítica quanto qualquer outra comunidade. Brigamos e discutimos uns com os outros. Até mesmo debates “amigáveis” podem se tornar discussões acaloradas. Qualquer pessoa com posicionamento sobre qualquer coisa será criticado.

As críticas mesquinhas tem predominado as nossas vidas de maneira que sequer notamos. Mas creio que devamos observar o assunto com mais cuidado.

A crítica como “muleta”

Como todo torcedor, muitas vezes paramos para assistir alguma partida de futebol na TV. Normalmente comentamos a respeito dos erros cometidos e oportunidades perdidas por outros jogadores. Durante o jogo, dizemos que “esse jogador é horrível” quando alguém perde a bola ou “tira esse cara do campo” quando alguém erra um chute.

Chega a ser ridículo, se você parar pra pensar. Sentamos nos sofás e zombamos de jogadores com habilidades maiores que qualquer um de nós poderia possuir. No entanto, nos sentimos completamente justificados pela forma como jogaram a partida. Criticamos o desempenho dos jogadores, mesmo quando somos incapazes de competir no mesmo nível.

Certa vez, Theodore Roosevelt disse:

Não é o crítico que importa, nem aquele que mostra como o homem forte tropeça, ou onde o realizador das proezas poderia ter feito melhor. Todo o crédito pertence ao homem que está de fato na arena; cuja face está arruinada pela poeira, pelo suor e pelo sangue; aquele que luta com valentia; aquele que erra e tenta de novo e de novo; aquele que conhece o grande entusiasmo, a grande devoção e se consome em uma causa justa; aquele que ao menos conhece, enfim, o triunfo de sua realização, e aquele que na pior das hipóteses, se falhar, ao menos falhará agindo excepcionalmente, de modo que seu lugar não seja junto daquelas almas frias e tímidas que não conhecem nem vitória nem derrota.

Pelo tempo que passamos criticando os outros, algo de bom acontece? Quais frutos tem sido colhidos em nossas vidas? Nossas relações tem sido fortalecidas? Estamos amadurecendo? Somos desafiados a crescer? A nossa qualidade de vida está melhorando? Nossas habilidades estão se desenvolvendo? Ou a crítica é usada meramente como muleta para justificar a nossa passividade pessoal?

Nós criticamos por que podemos fazer melhor ou por que somos covardes com medo de tentar e falhar por nós mesmos? Muitas vezes, o problema não está no alvo de nossas armas. Mas sim no responsável pelos disparos.

Criadores ao invés de críticos

Existem momentos e lugares certos para críticas construtivas, mas, frequentemente, apenas desejamos estar certos e por isso, lançamos nossas opiniões antes mesmo de considerar ou refletir naquilo que foi colocado pela pessoa que estamos criticando. E se fizermos uma pausa com as críticas e, ao invés disso, tentar criar algo? E se entrarmos no jogo? E se pararmos de reclamar sobre o que foi feito e tentarmos fazê-lo nós mesmos?

Em Gênesis 1, Deus cria. Ele criou o mundo e tudo o que nele há. Quando o universo foi formado, cada detalhe foi feito de maneira perfeita. Deus fez o homem, nos criando à Sua imagem. Somos feitos à imagem e semelhança de um criador. Fomos criados com a capacidade para a criatividade.

Não sou um artista. Bom, consigo desenhar um “homem palito” que justificaria o dinheiro ganho por Picasso. Não sou um grande músico (na verdade, tem quem diga que bateristas não são músicos. Tudo mentira rs). Quando ouço uma boa música, fico impressionado porque é uma habilidade que ainda preciso desenvolver. As vezes reflito no talento e a criatividade que alguém deve ter para fazer algo maravilhoso. Devemos apreciar o que os outros criam porque somos dotados com diferentes formas de criatividade.

Se somos criativos ou não, devemos apreciar como as pessoas expressam sua criatividade. Pode ser que não seja do nosso estilo. Nem sempre vamos concordar com a forma expressa pela criatividade da pessoa, mas devemos respeitar aquilo que está sendo criado.

Chamados para criar

Críticas são fáceis, seguras e preguiçosas. É uma maneira de nos mostrar como pessoas melhores do que realmente somos, degradando aquilo que está sendo feito pelo próximo. Quando criticamos, não refletimos a imagem de Deus. Refletimos a Deus quando criamos.

O objetivo do cristão não deve ser a destruição do trabalho alheio, mas a construção da missão de Jesus. Deve ser a de utilizar os seus dons, de todas as maneiras possíveis, com intuito de mostrar o amor e a graça de Deus para o mundo.

Todos nós somos criativos de diferentes formas. Alguns com palavras, outros com números. Somos feitos à imagem de um Criador. Nós o servimos melhor quando criamos e não quando tentamos destruir as criações de outras pessoas.

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