Por que amamos viver ocupados?

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Escrever e-mails sobre trabalho. Preparar o jantar. Preparar almoços saudáveis durante a semana. Fazer academia. Falar com a mãe no telefone. Estudar a Bíblia. Encontrar os amigos para um café.

Quanto mais a minha lista de tarefas toma o meu tempo, mais inquieto eu fico. Certos dias me sinto como se vivesse a mesma velha rotina. E é nesses dias, em particular, quando estou me sentindo cansado e estressado, que a monotonia da rotina realmente me chateia.

Todas essas coisas – reuniões, comida caseira, exercício – são boas, mas descobri que o estado perpétuo de vida profissional possui o potencial de me definir ou me prejudicar.

Você não pode fazer tudo.

A pressão para dizer ‘Não, não esta noite’ era muito esmagadora. Não riscar algum item da minha lista de atividades e prioridades me deixava com medo. Parece melodramático, mas aposto que você tem uma noção do que estou falando. Admita.

Cativos dos nossos horários 

Uma coisa presente no meu coração ultimamente é a ideia de estar mantida em cativeiro pelos nossos horários. E antes de começar a pensar no seu planejamento e destacar cada uma das suas atividades, deixe-me apenas esclarecer que o que estou dizendo é que de forma alguma estar ocupado é uma coisa ruim.

Estamos todos ocupados. Cada um de nós possui uma lista de demandas que precisam de nossa atenção. Portanto, não se preocupe: a sua profissão não é uma coisa ruim.

O que estou sugerindo é que olhemos para a nossa mentalidade. Temos um estado de espírito ocupado? Você está tão sobrecarregado com intermináveis listas de afazeres que você se encontra estourando em raiva com seu melhor amigo ou seu cônjuge? Ou talvez o seu bem-estar tenha tomado o assento traseiro da sua vida e coisas como ir a academia ou preparar uma refeição saudável parecem metas inalcançáveis.

Este é um estado de espírito ocupado – quando a vida passa tão rápido que não podemos apertar o botão de “pausa” e na corrida louca do dia-a-dia, perdemos muitas oportunidades de abençoar o próximo e de ser abençoado. Às vezes, ficamos relutantes em apertar o botão de pausa porque gostamos de estar ocupados. Estar ocupado nos faz sentir importantes.

Faz-nos sentir uma sensação de valor.

Isto é o que eu gosto de chamar de “Mentalidade de Marta.”

Mentalidade de Marta 

Parte de mim sente tristeza por Marta no Novo Testamento – quero dizer, a pobre menina estava tentando arrumar suas coisas porque, afinal, Jesus era o seu convidado especial! Você consegue imaginar? Mas ao invés de estar com Jesus, sentar-se e conversar com Ele sobre o Seu ministério, ouvir histórias sobre todos os milagres incríveis que Ele realizou, ela se ocupou com a casa.

Quando Jesus e Seus discípulos estavam a caminho, ele chegou a uma aldeia onde uma mulher chamada Marta abriu sua casa para ele. Ela tinha uma irmã chamada Maria que ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo o que Ele dizia.

Mas Marta estava distraída com todos os preparativos que tinham de ser feitos. Ela foi até Ele e perguntou: ‘Senhor, você não se importa que a minha irmã tenha me deixado fazendo o trabalho sozinha? Diga a ela que me ajude!’

‘Marta, Marta’, respondeu o Senhor, ‘você está preocupada e aborrecida com muitas coisas, mas poucas coisas são necessárias – ou apenas uma. Maria escolheu o que é melhor e isso não lhe será tirado.’ (Lucas 10: 38-42)

A coisa que mais se destaca nesta passagem é que Jesus chama a Marta distraída.

Eu não conseguiria pensar em descrever pessoas ocupadas como distraídas. Talvez preocupada ou determinada, mas distraída não seria a primeira escolha nesse caso. Mas, a nossa “Mentalidade de Marta” causa a distração. Nos mantemos tão ridiculamente ocupados que nos encontramos perdendo coisas importantes, alguns momentos que talvez nunca mais voltem a acontecer.

Eu não sei sobre você, mas acho que é quando estou mais ocupado é que coisas realmente importantes acontecem comigo. Meu amigo me liga tarde da noite precisando conversar. Meu cônjuge e eu precisamos ter uma conversa franca. No meio de um dia de trabalho estressante, existe uma oportunidade de incentivar um colega no trabalho.

Mas se estou muito ocupado com minhas próprias coisas, meus planos, meus prazos e meus compromissos, estou 99% certo de que vou perder essas oportunidades. Vou sentir falta desses momentos incríveis que Deus estabeleceu antes de mim para abençoar os outros e ser abençoado. Esses momentos passarão por mim se eu não tiver cuidado.

Isso já aconteceu antes.

E isso acontecerá novamente se eu não priorizar melhor minhas atividades.

Autoestima na profissão?

Se existe algo que aprendi com a minha experiência adulta é isso: estar ocupado não define e nem pode definir quem somos. Nosso estado de ocupação não dita o nosso valor ou o nosso valor como ser humano.

É muito fácil cair na armadilha da sensação de importância com um horário cheio de compromissos. Mas se estamos perdendo oportunidades de ouvir Deus ou falar sobre a verdade com outras pessoas, então qual o ponto de tudo isso?

Hoje, estou escolhendo abandonar a minha mentalidade de Marta e permitir que Deus trabalhe na correria da minha vida.

Isso exigirá que eu tome uma atitude ativa em ouvir a Ele e às vezes dizer “não” a outras coisas. É a prática constante de estar em Sua presença e desfrutar da doçura dos pequenos momentos.

Para alguém que não é uma pessoa naturalmente paciente, estaria mentindo se eu dissesse que acho isso fácil.

Não fiquemos ocupados para ouvir o nosso Pai. E garanto que os nossos horários agitados não parecerão mais agitados. Na verdade, acredito que vamos descobrir mais tempo nas nossas listas de tarefas, tendo mais paciência e mais resistência na execução de tudo o que aspiramos fazer. Tudo porque deixamos Deus operar através de nós.

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

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