O uso do corpo na adoração

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Certamente você já percebeu que nenhuma igreja é igual a outra. Sempre há algo diferente – na liturgia por exemplo. Quando se fala em louvor então, fica mais fácil perceber isso. Existem aquelas igrejas onde o louvor é arrebatador, parece que os irmãos estão indo pro céu abraçados em Jesus, e um outro extremo são aquelas igrejas onde o louvor é sério e ninguém pode se quer bater uma palma.

Não há certo nem errado, nem que uma igreja seja melhor ou mais santa que a outra. O ponto é como aqueles que foram salvos por Cristo manifestam externamente o seu louvor a Ele. A Palavra de Deus fala muito sobre adoração, não somente interior, mas também em atos externos que envolvem o nosso corpo.

Com este post queremos mostrar a importância do nosso corpo na adoração, se você é líder de louvor ou pastor ensine estas coisas para a sua igreja, talvez muitas barreiras possam ser quebradas com isso.

1. A importância da expressão física na adoração a Deus

Adoração a Deus não nos foi dada para ser um mero engajamento intelectual com as verdades bíblicas. Também não se limita a uma resposta emocional interior. Deus criou os nossos corpos para glorificá-lo (1 Co 6:20). Nós não estamos buscando uma espiritualidade gnóstica que minimiza ou nega a importância do corpo na verdadeira espiritualidade (Rm 12:1; Fp 1:20.). Deus nos ordena a amá-lo com todo o nosso coração, alma, mente e força. Isso certamente inclui o corpo que ele nos deu.

Muitas das palavras que traduzem como “adoração” em grego e hebraico contém a idéia de movimento corporal. As duas palavras mais proeminentes – histahawah no Antigo Testamento, e proskynein no grego – dão a idéia de dobrar-se na cintura ou curvar-se como uma expressão de homenagem / reverência.

Além disso, a expressão física é vista e modelada de forma espontânea nas Escrituras como uma maneira de dar glória a Deus. (Jó 1:20; Sl 47:1; Sl 95: 6). Essas expressões incluem bater palmas, cantar, se curvar, ajoelhar, levantar as mãos, tocando instrumentos, danças, e de pé em reverência (Sl 47:1; Ef 5:19; Sl 95:6; Sl 134:2; Sl 33:1; Ap 15:2; Sl 149:3.; Sl 22:23).

Alguns apontaram que o Novo Testamento contém poucas referências a expressão física: ajoelhado, cantando e erguendo as mãos (embora este último não é enfatizado muitas vezes). No entanto, não é facilmente perceptível que as respostas corporais presentes no Antigo Testamento foram substituídas ou cumpridas pelo trabalho sacerdotal de Cristo, ou que agora obedecer é apenas um forma “espiritualizada” (“Eu estou gritando no meu coração.”). Em vez disso, precisamos procurar aplicar estas referências bíblicas de uma maneira que realmente honre a Deus e edifique a igreja.

Comecei dizendo que devemos ensinar nossa comunidade que a expressão física é apropriada na adoração bíblica. Nós não somos espíritos desencarnados. Deus quer que usemos também o nosso corpo para adora-lo (Sl 16:9). Mas como e quando? Nós simplesmente não vamos dizer às pessoas para “cantar como eles querem”, ou ” que pulem o mais alto para Jesus”, (embora para ver Deus honrado eu cruzei a linha algumas vezes).

Provocar uma resposta física pode produzir um afeto artificial e realmente acabar sendo algo que não brota de um coração que deseja louvar a Deus. No entanto, é claro que nas Escrituras Deus espera que usemos nosso corpo para glorificá-lo tanto na adoração corporativa como em toda a vida. Ele é infinitamente glorioso, desejável, bom e digno de nossos afetos mais puros e mais fortes.

Aqui está a segunda coisa que eu faria:

2. A expressão brota de um coração que deseja trazer glória a Deus

A expressão exterior não necessariamente é um sinal de que alguém está oferecendo uma adoração aceitável a Deus.

Deus repreende fortemente aqueles que pensam que a expressão física revela um coração idólatra ou uma vida desobediente. Conduzir a igreja para uma expressão física que não está enraizada em uma visão clara da glória de Deus irá atrapalhar, e não colaborar para uma verdadeira e sincera adoração.

Uma das ações que supostamente significa espiritualidade é levantar as mãos. Ao levantar as mãos podemos expressar uma ampla gama de emoções e atitudes – dependência, gratidão, expectativa, reverência, ou celebração. No entanto, Deus condenou ambas as ações e motivações dos israelitas através do profeta Isaías.

Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue! (Is 1:15)

As mãos que levantam para adorar a Deus devem ser mãos santas (1 Tm 2:8).

Nosso canto popular tornou-se quase um sinônimo de adoração. Mas Deus “fecha seus ouvidos” para uma adoração que não é acompanhada por uma vida justa.

Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! ” (Amós 5.23,24)

Conheço pessoas que estavam exuberantes em adoração que viviam em pecado. E também conheço pessoas que apresentam pouca expressão física nos cultos, mas que têm um conhecimento profundo das Escrituras, uma vida exemplar, e um profundo amor pelo Salvador.
Nós não vamos provar nossa devoção a Deus por atos externos. Deus olha para o coração (1 Sm 16:
7).
Em cada igreja, haverá diferentes graus de expressividade física. Embora o foco da nossa expressão corporal é o próprio Deus, somos chamados a fazer o que é edificante para os outros (1 Co 14:12; 13:1-8). Isso significa que eu não preciso sair gritando e dançando entusiasmado só porque eu sinto isso. Eu quero que as pessoas vejam a glória e a grandeza de Deus, não minhas demonstrações físicas. Eu também não posso julgar que aqueles que estão se expressando fisicamente estão buscando ou querendo atenção, são hipócritas, ou insensíveis aos outros. Talvez Deus quer que eu aprenda com expressividade livre e sincera do meu próximo.

Nosso foco deve ser exaltar a Deus de uma forma que aumenta a Sua santidade infinita e Sua graça insondável que nos trouxe perto a Ele através de Jesus Cristo. Nossa cultura, personalidade, não pode determinar nosso louvor. Que as nossas igrejas sejam preenchidas com o tipo de verdade e de expressão que comunica mais claramente para os outros o valor da nossa adoração e o quanto amamos o nosso Salvador.

 

 

 

Traduzido e adaptado por Paulo Neitzke. Original aqui.

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