Os versículos mais ignorados da Bíblia

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Uma das coisas que fazem com que a mensagem do Evangelho seja tão revolucionária é que ela reformula a maneira como pensamos sobre como mundo deve funcionar. Afinal de contas, os Seus caminhos não são os nossos caminhos.

Porém, quando um versículo frequentemente desafia a maneira como fazemos as coisas, pode ser mais fácil ignorá-lo completamente do que segui-lo fielmente. Vários cristãos possuem uma predisposição em serem seletivos quanto a alguns dos comandos mais difíceis de Cristo, enquanto favorecem os trechos mais fáceis de compreender e aplicar.

Isso não apenas reduz o impacto da mensagem de Cristo, mas também nos faz perder a real alegria da confiança em Deus – mesmo quando aquilo que Ele nos pede é difícil.

Dê uma olhada em cinco versículos que muitos cristãos frequentemente ignoram:

NÃO RESISTA AO PERVERSO

Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’. Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado. (Mateus 5.38-42)

O Sermão da Montanha é uma das mensagens mais radicais de Jesus. No versículo 38 de Mateus 5, Cristo vira de cabeça para baixo a antiga lógica e pede que Seus seguidores pensem sobre os seus “inimigos” de uma maneira diferente. Provavelmente todos nós estamos familiarizados com a ordem de Jesus sobre dar a outra face, porém o coração da mensagem não é apenas sobre perdão, mas também é sobre uma postura de graça e compaixão – não uma atitude defensiva.

No evangelicalismo moderno, existe uma tendência de defesa a nossa fé, que visa lutar em uma guerra cultural e buscar ser um “guerreiro” para a Igreja. Mas Jesus nos desafia a reexaminar a nossa visão de justiça. Nós claramente somos chamados a ajudar os pobres e devemos ficar com raiva quando as pessoas tiram vantagem daqueles que são vulneráveis, mas Cristo pede para que não hajamos na defensiva quando alguém faz algo contra nós.

Em uma era de boicotes e de indignação, a ordem “não resistir ao perverso” é uma tarefa difícil que muitas vezes é ignorado.

OS CRISTÃOS DEVEM ESPERAR O SOFRIMENTO

Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações,
pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança.  E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma… Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam. (Tiago 1.2-12)

Dos 12 discípulos originais, 10 foram martirizados, 1 foi exilado e 1 se suicidou. Obviamente que eles viveram em um tempo e lugar particularmente hostis ao cristianismo, mas eles (tirando Judas, é claro) prontamente esperavam um sofrimento temporal, em troca das recompensas eternas.

Em grande parte do evangelicalismo ocidental, onde a oposição civil é muitas vezes confundida com perseguição legítima, temos frequentemente mantido as expectativas de que os cristãos não apenas merecem ter vidas felizes e prósperas, mas que estamos justificados em nosso choque e ultraje quando a cultura não compartilha dos nossos valores.

Tiago traz uma mensagem diferente da que é pregada pelo evangelho da prosperidade e da auto-ajuda. Ela diz aos seguidores de Cristo que devemos esperar que a nossa fé seja testada, porque assim são feitos os mais fortes. Devemos esperar o sofrimento, não porque Deus seja mal-intencionado, mas porque Ele quer que saibamos como é inclinar-se diante Dele para buscar a verdadeira força.

Se estamos perseguindo a felicidade temporal, ao custo das recompensas eternas, nossas prioridades serão deixadas para trás. Em uma cultura de conforto e abundância, a mensagem de Tiago é muitas vezes ignorada em favor do “evangelho” que iguala uma fé forte com o sucesso terreno.

O ÓDIO É A MESMA COISA QUE O ASSASSINATO

Quem odeia seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna em si mesmo. (1 João 3.15)

Jesus nos desafiava constantemente a não apenas examinar os nossos comportamentos exteriores, mas também a colocar em cheque o nosso eu interior. Em Mateus, Ele iguala a cobiça ao adultério e em 1 João, Ele ilustra um exemplo ainda mais forte, dizendo que o ódio é o mesmo que o assassinato.

É provável que não existam muitos cristãos dizendo que “odeiam” alguém, porém, se formos honestos com nós mesmos, nossas ações nem sempre confirmarão isso. Porque para Jesus, o ódio não era apenas desejar o mal a alguém, mas sim a ausência de amor: “Sabemos que já passamos da morte para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte.”

O versículo não fala simplesmente sobre não odiar, mas sim sobre não amar. É por isso que ele é tão desafiador e tão ignorado.

Quando falamos mal de alguém (seja um conhecido, um famoso ou um líder), se as nossas motivações não nasceram do amor e da correção, então devemos analisar cuidadosamente os nossos motivos. Por isso que Jesus usou esses exemplos dramáticos. É fácil julgar ações exteriores, mas para Deus tudo se resume aos assuntos do coração.

NÃO SE ENTREGUE AO MEDO

Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio. (2 Timóteo 1.7)

O medo é um dos impulsos humanos mais básicos. Nós o utilizamos para nos manter fora de situações perigosas e para ficarmos protegidos contra demais danos. Mas, na fé que ensina “aquele que ama a sua vida, a perderá”, a autopreservação nem sempre é uma coisa boa.

Quando Deus ordenou que Josué conduzisse o seu povo à terra prometida, Ele lhe disse “Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”. Em Filipenses, é dito, “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.”

Novamente, a questão do medo se resume a confiança. Se cremos que Deus é quem Ele diz que é, então não temos nada a temer. Nosso próprio medo sobre as situações revela o nível de confiança que temos em Suas promessas.

Quer seja a maneira como lidamos com os eventos atuais, como a crise econômica/política e as tragédias que assolam o nosso país, ou mesmo as nossas escolhas pessoais, como aquelas que obedecem o nosso chamado e que envolvem certos riscos, permitir que o medo tenha mais destaque do que o amor faz com que a nossa perspectiva e visão se tornem deformadas.

É por isso que nos é dito: “No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor.”

ADVERTÊNCIAS CONTRA AS RIQUEZAS

Então Jesus disse aos discípulos: “Digo-lhes a verdade: Dificilmente um rico entrará no Reino dos céus.
E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. (Mateus 19.23-24)

Em Mateus 19, um jovem, que aparentava estar profundamente preocupado com a sua salvação, confronta Jesus. “Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?” Ele diz para Jesus que ele obedientemente seguiu todos os Seus mandamentos morais, até mesmo amar o próximo como a si mesmo. Então o homem pergunta, “O que me falta ainda?”

Jesus diz ao homem (que a Bíblia diz ser alguém rico), “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me”. Quando o homem se afasta, Jesus dá o exemplo de uma camelo passando pelo buraco de uma agulha, mostrando o quão difícil é “um rico entrar no Reino de Deus.”

Jesus mostrou que, para segui-lo, era preciso entregar tudo: nossos corações e devoção completa à Ele. E para muitos, a segurança e o conforto que o dinheiro fornece podem ocupar um lugar maior em nossos corações do que qualquer outra coisa. É por isso que Jesus disse aos seus seguidores que “onde está o teu tesouro, aí estará o seu coração também.”

O versículo não é simplesmente uma condenação a ganância. É uma ilustração do quanto Deus quer que confiemos plenamente Nele, sem se preocupar com nada, colocando nossa confiança em algo que “ladrão algum chega perto e nenhuma traça destrói”.

Quando gastamos muito tempo nos preocupando com as nossas contas bancárias e segurança financeira, estamos ignorando a ordem: “não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?”

 

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

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