Os homens e a luta contra a agressão sexual às mulheres

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Lendo os jornais e os principais sites de notícia, não tenho dúvidas que essa campanha presidencial nos Estados Unidos é a mais feia da história americana. Uma das coisas mais impressionantes em toda essa história eleitoral é que a todo momento surgem novas acusações e contra-acusações sobre agressão sexual relacionados ao candidato Donald Trump.

É tudo muito nojento e repugnante.

Observando o contexto brasileiro e as inúmeras notícias e casos que cercam esse assunto, acredito que esse é um bom momento para que os homens, especialmente os homens cristãos, reflitam e levantem suas vozes contra os ataques sexuais às mulheres.

Podemos ser tentados a ficar em silêncio enquanto mais acusações são feitas contra pessoas influentes e que possivelmente admiramos. Podemos ser tentados em rejeitar as acusações das mulheres contra alguém que compartilha as nossas crenças ideológicas. Somos tentados a ter vergonha dos acusadores. Mas esses impulsos estão errados.

O abuso sexual é imoral, mas é muito mais do que apenas sexual. O abuso sexual é um ato de violência, em que se aproveita da violação dos indefesos. O rescaldo resultante não é apenas uma consciência culpada aguardando julgamento por parte do agressor, mas uma vítima que foi assaltada. O abuso sexual não é apenas um pecado, mas também um crime, e não apenas uma questão de injustiça pessoal por parte do agressor, mas também uma questão de injustiça pública.

Quando os homens, que têm atuação e voz, ficam em silêncio, eles não só contribuem para a vergonha que as vítimas sentem, mas eles capacitam os predadores para continuarem a atacar nossas irmãs criadas à imagem de Deus. Por isso mesmo, as vítimas não se revelam. Elas sentem que serão envergonhadas e desacreditadas, suas vidas e reputações deixadas em frangalhos por aqueles que protegem os mais fortes.

É uma versão falsa, má, depravada de masculinidade que considera a objetificação das mulheres como mera “conversa de banheiro” e “meninos sempre serão meninos”. Não podemos brincar com algo como a agressão sexual. Devemos nos lamentar o suficiente para agir.

As mulheres não são objetos, mas pessoas criadas à imagem de Deus. A pornografia diminuiu e desvalorizou as mulheres, e os homens cristãos não devem normalizar isso, mas devem falar uma palavra profética contra ela, independentemente das ramificações políticas ou pessoais.

Homens de verdade tratam as mulheres com dignidade e respeito.

A Escritura nos ordena a “falar por aqueles que não podem falar por si mesmos” (Provérbios 31.8). Vítimas de ataque sexuais que se escondem nas sombras devem encontrar um refúgio na igreja e devem encontrar aliados corajosos, líderes cristãos do sexo masculino.

Sou filho de uma mãe maravilhosa, irmão de uma mulher exemplar e namoro uma mulher incrível. Isso não me dá mais ou menos autoridade para falar sobre a violência contra as mulheres, mas me dá proximidade.

Ouvir afirmações irreverentes sobre agressão sexual me fez ficar com raiva. Será que os líderes que procuram nos conduzir na igreja, na comunidade ou em cargos públicos querem proteger essas pessoas? Será que nossas filhas crescerão em um mundo que as vê como propriedade? Será que nossos filhos pensarão que a violência sexual é trivial? Espero que não.

Essa não é uma questão política. É uma questão moral. Felizmente esse tempo vai passar, mas nossas palavras podem permanecer. Será que o testemunho público dos cristãos será prejudicado pela forma como tratamos o grave problema da violência contra as mulheres?

Eu realmente espero que não.

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