Onde Deus está na tragédia?

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Em outubro do ano passado as manchetes anunciavam:

Tiroteio em Oregon mata cristãos e levanta questões profundas. Recentemente nos deparamos com uma tragédia que chocou cristãos de todo o mundo. Um homem de 26 anos entrou no campus de um colégio em Roseburg, Oregon, com armas pesadas e disparou fogo, matando dez pessoas e ferindo outras sete.

Relatos dizem que esse atirador tinha o objetivo de matar cristãos. Um dos estudantes contou para o seu pai que o atirador, Chris Harper Mercer, entrou em sua sala no colégio de Umpqua, atirou em seu professor e ordenou que os alunos ficassem de pé para dizerem se eram ou não cristãos. A CNN registrou: Para os estudantes que ficaram de pé o atirador disse: “Ótimo, por que você é cristão você vai encontrar o seu Deus em apenas um segundo.”

“E então ele atirou a matou os que ficaram em pé.”

No último Domingo (12 de junho), um cidadão norte-americano, filho de pais afegãos, chamado Omar Saddiqui Mateen, foi o responsável por um ataque (supostamente terrorista), na boate gay Pulse, em Orlando, causando a morte de 50 pessoas e deixando mais de 53 feridos, no que foi considerado o pior ataque a tiros da história dos Estados Unidos.

Essas notícias representam uma crueldade sem tamanho. Elas nos chocam e quebram o nosso coração. Para muitos de nós isso traz sérias questões: “Como Deus pode deixar isso acontecer?” e “Será que Deus existe mesmo?”. Toda semana encontramos notícias como essas.

Se você pensar bem sobre isso, a pergunta “Porque Deus permite que as pessoas sofram?” na verdade não é uma pergunta, mas é um protesto. É uma declaração angustiada que diz, “pessoas não deviam passar por situações como essa” ou, muitas vezes, “eu não devia sentir uma dor como essa!”

A dor é como as pessoas protestam. O problema está na dor. Embora possamos pensar que estamos culpando Deus, porque Deus tem poder para dar um fim nessas coisas, a coisa que nós mais queremos é que Ele pare a dor que não deveríamos estar sentindo.

ENCONTRANDO SENTIDO NO SOFRIMENTO DOS OUTROS

Frequentemente, nossa questão para o sofrimento é egocêntrica e não teológica: Porque Deus deixou isso acontecer comigo? Também é verdade que muitas vezes a nossa preocupação com a dor do outro é real. Algumas vezes nós pedimos em nome de outras pessoas para que Deus pare com as situações dolorosas.

Por que Deus coloca na mira de atiradores seus próprios filhos ao redor do mundo ou em Oregon?

“Odeiem o que é mal”, a Bíblia diz em Romanos 12:9. Mas mesmo fazendo isso, mesmo odiando o que é mal, continua sendo doloroso. Dói sentir o pecado e dói se preocupar com os outros. Da mesma forma, dói sermos os receptores desse ódio. Por que Deus nos permite sentirmos a dor causada pelo pecado do outro? Porque Deus não pode parar essas pessoas?

Eu acredito que uma resposta seria porque Deus insiste que nos tornemos como Ele. Deus odeia o pecado e se importa com as outras pessoas. A Bíblia nos diz que Deus se entristece com o pecado e com a maldade. Assim, eu acredito que o bonito no mistério da maldade é que ele nos aponta para o plano de Deus, ele nos molda para sermos como o Seu filho.

Jesus foi um homem que sofreu dores. Assim como Jó e Jeremias, Ele experimentou uma dor inexplicável. Jó e Jeremias, mesmo sendo heróicos, ambos cederam a tentação de gritar contra Deus, repreendendo a Deus por permitir que eles nascessem. “Pereça o dia em que nasci…” (Jó 3:3). Da mesma forma, Jeremias gritou: “Maldito o dia em que nasci; Que o dia em que minha mãe me deu à luz não seja abençoado!” (Jeremias 20:14)

Em extremo constraste, quando Jesus clamou “Por quê?”, ele não disse nada sobre amaldiçoar o dia em que Gabriel disse a Maria que ela daria a Luz ao Filho de Deus. Jesus clamou com fé ao em vez de protesto.

Pendurado em uma cruz, absorvendo todo o pecado do mundo, sofrendo de uma forma inimaginável, Jesus faz a oração que está em Salmos 22. Ele pensava assim:

Meu Deus! Meu Deus! Por que me abandonaste? Por que estás tão longe de salvar-me, tão longe dos meus gritos de angústia? Meu Deus! Eu clamo de dia, mas não respondes; de noite, e não recebo alívio! Tu, porém, és o Santo, és rei, és o louvor de Israel. Em ti os nossos antepassados puseram a sua confiança; confiaram, e os livraste. Clamaram a ti, e foram libertos; em ti confiaram, e não se decepcionaram. (Salmos 22:1-5)

Jesus confiava em Deus, mesmo sofrendo crueldade, dor, mesmo gemendo.

A dor é o solo onde germina o tipo mais profundo de fé em Deus. A dor é um contexto para amadurecer nosso amor a Deus, para que possamos amar a Deus acima de todas as outras coisas.

O PROBLEMA DA DOR

Ainda assim, voltamos nossas queixas para cima. Ainda assim, nos sentimos irritados e ofendidos com pessoas que sofrem injustamente. Por que Deus não melhora as coisas? Para Ele é tão simples.

Surpreendentemente, ninguém parece se queixar de que Deus também colocou muitas oportunidades diante de nós, muitas das que idolatramos. Eu nunca ouvi ninguém reclamar do quanto é irritante a liberdade de satisfazer a si mesmo no prazer e na auto exaltação, a comer demais, a fofocar e a beber até ficar bêbado. Ninguém grita com Deus por permitir-lhes pecar de suas maneiras favoritas.

Somos hipócritas, no entanto, e nos queixamos dolorosamente com toda a força de nossos pulmões sobre os pecados de outras pessoas que estão nos prejudicando. Assim, questionamos o caráter de Deus, quando na verdade estamos apenas pensando em nós mesmos.

Espero que isso não soe da maneira errada. Eu sou tão culpado quanto todos os outros quando se trata de ser exigente e querer ser servido. Mas algo eu aprendi sobre Deus. Deus planejou uma maneira de nos livrar do pecado e do mal. Veja o que o apóstolo Paulo diz:

De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios.

Dificilmente haverá alguém que morra por um justo; pelo homem bom talvez alguém tenha coragem de morrer. Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores.” (Romanos 5:6-8)

O pecado é um problema persistente, o único jeito de resolver isso foi o milagre de Deus ter se tornado carne e se transformado em pecado. Em 2 Corintios 5:17, Paulo explica: “ Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!”. Deus derrotou o pecado.

É humilhante ser honesto sobre o mistério do mal, já que ninguém entende nada sobre isso, exceto Deus. De acordo com as Escrituras, não é nosso o dever entender aquilo que não nos foi revelado.

Deuteronômio 29:29 diz: “As coisas encobertas pertencem ao Senhor, ao nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.”

OS PRESENTES QUE DEUS NOS DÁ NO SOFRIMENTO

Mesmo quando tragédias acontecem, Deus continua sendo confiável. Deus é fiel. Ele nos dá muitos presentes na tragédia. Talvez os três presentes mais visíveis são as pessoas ao nosso redor, a alegria que só encontramos Nele e Ele próprio.  

Quando digo as pessoas ao nosso redor, quero dizer aqueles que trabalham para a justiça social, oferecendo uma mão amiga ou trazendo alívio físico. Todos nós, quando passamos por momentos sombrios, nos sentimos mais ligados com aqueles que compartilham conosco o amor de Deus. Por desígnio de Deus, um coração atordoado de sofrimento, pode mais facilmente ser cheio de amor.

Pelo presente da alegria, eu estou me referindo a grande surpresa que é a leveza encontrada do outro lado da dor. Tenho repetidamente experimentado essa surpresa. É uma grande parte da razão pela qual eu não sou um ateu.  Toda vez que eu esperei em Deus, derramando meu coração para Ele, Ele me confortou e me trouxe ânimo . Eu acredito que Deus está ansioso para compartilhar essa alegria que excede o nosso entendimento com todos. Mas temos que entrar na dor. Não há outro caminho para a verdadeira alegria.

Por “dom do próprio Deus “, quero apontar para o conforto do Espírito Santo e a paz de Deus que ultrapassa a compreensão, além da promessa e garantia de ver Cristo face a face quando Ele voltar. De longe, o presente mais difícil de aceitar, pelo menos na minha opinião, é o de tomar solidariedade com o próprio Jesus Cristo em seus sofrimentos .

Suportar os sofrimentos é a única maneira de receber a sabedoria especial e o poder que vem para aqueles que sofrem injustamente.

Eu descobri que eu não sou bom em quase nada, mas Deus é paciente e tolerante; cada vez que alguém peca contra nós , somos abençoados com outra chance de nos rendermos. É assim que crescemos e nos tornamos destinatários de uma graça que vemos com muito mais evidência quando somos injustiçados.

Depois de nove longos anos de constante agonia e de questionamentos sobre aonde Deus estaria, eu O encontrei. Eu descobri de maneira incrível e real que Deus existe, fala, ouve e age. Eu O encontrei de maneira direta e pessoal diversas vezes. Eu descobri o Deus vivo porque ele se revelou a mim, confrontando minhas orações desacreditadas e respondendo os meus questionamentos sobre Sua presença. Deus veio para perto. Ele me confortou, não com respostas prontas ou frases de autoajuda, mas com perspectivas do que Ele tinha preparado para mim.  

A bondade de Deus supera Sua disposição de permitir que qualquer pessoa sofra. Quando estiver passando por um deserto, lembre-se que é por pouco tempo e você não está sozinho.

 

Traduzido e Adaptado por Maitê Leal. Original aqui.

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