O que os nossos desafios nos ensinam sobre Deus

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Quem quer dificuldade na vida?

Acredito que poucas pessoas desejam isso. Não conheço muita gente que faria coisas que poderiam torná-las infelizes.

Anos atrás, conheci um cara que uma vez orou por conflitos. Quando descobri que esse rapaz estava orando para que Deus permitisse algum conflito entre nós dois, fiquei muito chateada com isso. Considerando que eu me casei com esse menino, acredito que isso diz algo sobre mim. A verdade é que a minha reação instintiva à essa oração foi de raiva porque, no meu íntimo, temo que o conflito conduza à tristeza.

Felicidade e facilidade é o que eu mais desejo em qualquer momento da minha vida. Porém, experimentei todo o tipo de luta. Daqueles que fazem lágrimas correrem e a paz ser algo distante.

Depois de lutar tantas vezes contra as dificuldades em minha vida, parei para pensar nas palavras de Paulo que diziam que devemos nos alegrar em todas as coisas e acabei fazendo a seguinte pergunta: “As provações podem realmente ser uma bênção?”

Podemos considerar o sofrimento como uma oportunidade de construção da perseverança?

Aqui estão algumas das lições que aprendi durante os longos dias que passei fazendo essas perguntas.

O que tememos, Deus já conquistou

Alguns anos depois de me casar com meu marido, nosso calendário foi preenchido com convites de chá de bebê. Vimos os nossos amigos aumentando as suas famílias e iniciamos o sonho de ter os nossos bebês.

E enquanto nossos amigos decoravam os quartos de suas crianças, visitávamos médicos para tratamento contra a infertilidade.

Enquanto eles tomavam vitaminas pré-natais e aprendiam a amamentar, eu me recuperava de quatro cirurgias, tomando 20 pílulas por dia que induziam a náusea e jogava fora dezenas de testes negativos de gravidez.

E então, finalmente, depois de cinco anos de lágrimas, medicamentos, hospitais, relações sexuais programada e dois corações agarrados à finos fios de esperança, vimos as duas linhas pequenas no teste de gravidez. Duas linhas que prometiam acabar com a vontade dos nossos corações e o vazio que sentíamos em nossa casa. Estávamos grávidos!

Imediatamente contamos à nossa família. Eles choraram de felicidade, gritaram louvores e se alegraram com a gente, agradecendo ao Deus amoroso que tinha planos amorosos.

E então, dois dias depois, em um banheiro, perdemos o nosso primeiro filho.

Derramamos lágrimas amargas, gritamos de raiva e agonia. A alegria da vinda daquela vida foi muito breve… mas, ainda assim, nós agradecemos ao Deus amoroso que tinha planos amorosos.

E a tristeza aumentava.

À medida que se tornava mais difícil não afundar nessa emoção e se recusar a voltar à superfície, decidi procurar ajuda. Encontrei um médico com quem eu poderia discutir meus sintomas físicos. Encontrei um conselheiro cristão que me ajudaria a processar os meus pensamentos e emoções. E aprofundei minha fé naquilo que era dito sobre vida e esperança.

Aprendi sobre um homem chamado Abraão e li, “Abraão, contra toda esperança, em esperança creu, tornando-se assim pai de muitas nações” (Romanos 4:18). Então eu pedi pela esperança na fé no autor da vida.

Aprendi sobre um homem chamado Davi, que tinha um coração como o de Deus e sabia que “o Senhor está perto dos quebrantados de coração e salva os que são esmagados em espírito” (Salmo 34:18). E eu pedi ao Senhor para revelar-se como a cura dos corações.

Li sobre um homem abençoado com sabedoria que escreveu: “A esperança adiada faz o coração doente, mas o desejo cumprido é árvore de vida.” (Provérbios 13:12) E, como os fiéis antes de mim, lembrei a Deus o que Sua Palavra dizia e pedi um coração que estaria bem diante da situação.

E pela primeira vez, nessa temporada de desafios e dor, me senti diferente.

Ainda haviam lágrimas inconvenientes e abundantes. Mas também haviam momentos de outro mundo que me fizeram chorar de alegria e me dominaram com totalidade.

A depressão, assim como a dor, pode nunca ir embora, mas ela pode mudar.

Ela pode machucar menos. Ela pode controlar menos. E você pode pedir a Cristo para orientá-lo fielmente através dela, ensinando-lhe como perder menos de si mesmo dentro dela.

Embora a minha realidade esteja marcada com alguns pit stops, pude encontrar um Salvador paciente que derramaria lágrimas amargas nesses grandes vales junto comigo.

O amor de Deus está conosco no quebrantamento

Nem todos os momentos de desafio são causados por nossas próprias escolhas, mas muitos dos meus tempos de dificuldade foram resultados das más escolhas que eu fiz. Esses momentos de desespero me levaram de volta a Cristo e me fizeram perceber que o nosso amoroso Pai Celestial permite que as conseqüências nos ensinem sobre as profundezas do Seu amor.

Naqueles anos, jovem e obstinada, escolhi todas as coisas que o mundo disse trazer felicidade. A autodestruição era evidente. Mas a busca pelo mundano me fez comprometer aquilo que era mais querido por mim. Como resultado, cai em uma depressão causada pelo sentimento de devastação causado pelo meu egoísmo.

Amizades em frangalhos, a minha integridade perdida, fui espancada o tanto quanto eu bati nas outras pessoas, o que fez a dor da perda ser ainda maior. Minha dor e tristeza não poderiam me absolver da culpa.

O que Deus faria comigo agora?

Até que recentemente comecei a entender o equilíbrio entre conseqüências e amor. Comecei a perceber como uma criança se parece para o meu Pai Celestial, atendendo a sabedoria de Salomão: “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem.” (Provérbios 3.11-12)

Apesar de todas as probabilidades, Deus me fez mãe de quatro filhos. E essas bênçãos, ocasionalmente maravilhosas, me fizeram aprender por tentativa e erro. Do mesmo modo, Deus honra o nosso livre arbítrio e o livre arbítrio dos seres humanos quebrantados e imperfeitos com os quais estamos nos relacionando. Às vezes, isso significa que encontraremos conseqüências e dificuldades que são provocadas pelo nosso mundo caído.

Deus ainda está conosco.

A dificuldade nos ajuda a confiar em Deus ao contrário de qualquer outro momento em nossas vidas

Quando eu estava na faculdade, fiquei profundamente comovida com Efésios 1. Começando pelo versículo 7 que diz:

“Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus, a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo”

E durante anos fiquei pensando sobre a parte que diz “com toda a sabedoria.”

Nunca fazia sentido para mim que a revelação de Jesus sobre si mesmo, sabendo o quanto iria custar, seria considerada sábia. Sacrificial. Benevolente. Misericordiosa, com certeza! Mas sábia?

E então o Senhor nos levou convincentemente e delicadamente para a nossa filha. Uma menina nascida em meio ao quebrantamento, precisando de um lar amoroso, a quem estávamos ansiosos para dar amor. Nós imediatamente a amamos. Na verdade, não podíamos imaginar nossas vidas sem ela. E nada relacionado às suas circunstâncias poderia nos impedir de lutar por ela.

Não seríamos legalmente confirmados como seus pais por 14 longos meses. E naqueles meses, quando nossos corações estavam aflitos, percebi que a visão de Deus sobre a sabedoria não é como a nossa.

Muitos nos advertiram sobre o risco de desgosto e perda.

Mas naquele espaço – onde tínhamos de depender de um Deus amoroso para cuidar de nós, onde alegria e tristeza compartilhavam o mesmo pequeno espaço de respiração – nunca estivemos mais seguros. De repente, viver no risco que o amor nos convida parecia ser a coisa mais sábia.

Se não tivéssemos escolhido o que era difícil, se não tivéssemos escolhido o risco de nos aventurarmos rumo ao desconhecido, nunca estaríamos em condições de crescer em nossa confiança na bondade e soberania de Deus.

Temos a opção de aprender a confiar no Senhor nos momentos em que não podemos nos proteger. Aprendemos que dar de si mesmo, mesmo com grande custo, é uma coisa digna.

Aprendi que o nosso Deus é o autor da graça que nos prepara para continuar. Ele chora com a gente, se alegra conosco e através da lente das minhas provações, pude aprender que quando estamos cansados e chorando é que podemos ver Seu rosto mais claramente do que nunca.

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

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