O que fazer quando deixo de gostar da minha igreja

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É incrível como ficaram acaloradas as discussões sobre preferências das igrejas. Todo mundo deseja fazer as coisas à sua maneira. Ou a igreja é muito chata ou ela é muito divertida, ou ela é profunda no alcance aos não crentes ou ela não é profunda no treinamento de discípulos, ou ela é muito grande ou ela é muito pequena. Independente da sua perspectiva, existe uma série de prioridades concorrentes na igreja. E essa luta por prioridades está drenando o poder da comunidade.

Todos têm uma opinião. Nós temos inclinações e estilos que gostamos. O que torna a situação mais complicada é que raramente ela é uma questão sobre certo e errado. É apenas sobre aquilo que gostamos. Com todas as nossas preferências em conflito, como podemos criar uma comunidade de crentes?

COMUNIDADE

Comunidade não é apenas uma sugestão: é um comando para todos os cristãos. Espera-se que nos envolvamos na comunidade. Quando temos pessoas de diferentes esferas de vida, panos de fundo, gerações e culturas reunidas nessa comunidade diversificada, é difícil atender aos gostos pessoais de cada um.

A única maneira de uma comunidade poder realmente existir é se aqueles que fazem parte dela se preocuparem mais com o que é melhor para o grupo, ou com a missão comunidade, do que com os seus gostos pessoais. Um grupo coeso de pessoas com planos pessoais e crenças inflexíveis (em relação as suas preferências) nunca poderá existir. Pense na palavra comunidade dividida em duas partes: “comum” e “unidade.” Sem algo em comum, sem unidade, não existe comunidade. Uma comunidade diversificada não pode existir sem uma missão ou sacrifício pessoal.

Jesus definiu a nossa missão de uma maneira muito clara: fazer discípulos de todas as nações. A única coisa que impede que uma comunidade quebre as barreiras da cultura, classe econômica, raça e idade é o nosso próprio egoísmo. Às vezes somos chamados para fazer sacrifícios por aquilo que amamos. Quando elegemos uma igreja baseando nossa escolha unicamente em nossas preferências, estamos fazendo algo que é totalmente sobre Deus ser sobre nós. Qualquer igreja baseada em agendas individuais ou em reuniões sobre desejos pessoais não é uma igreja baseada em Jesus.

A igreja existe para a Glória de Deus e não para as nossas opiniões.

A igreja é chamada para convocar as nações: homens e mulheres de todas as línguas, tribos e gerações. Nós não construímos igrejas para faixas etárias específicas. Se o fizéssemos, não seriamos eficazes. As igrejas precisam de diversidade. A mesma coisa que dá poder para a nossa comunidade é muitas vezes a única coisa que nos impede de nos envolver com ela.

Quando temos várias gerações de pessoas com diferentes pontos de vista e preferências, não existe qualquer maneira de fazer todos felizes. E mesmo se pudéssemos, isso não significa que deveríamos fazer todos felizes. Então, o que devemos fazer?

SACRIFÍCIO

Quando os país têm filhos, as crianças vão para o trabalho de modo que os pais possam comer, dormir e comprar novas roupas? Não. As crianças não ajudam os seus pais. Elas não fornecem provisão para os seus pais. Elas não se sacrificam por seus pais. Os pais fazem sacrifícios pessoais para o bem dos seus filhos. É assim que a vida funciona. O maduro sacrifício para o imaturo. Os mais velhos se sacrificam pelos mais jovens.

Não é diferente na igreja. O cristão maduro não exige que o seu estilo seja respeitado ou que as coisas sejam do seu jeito. O cristão maduro sacrifica de bom grado as suas preferências pelos outros. Em sua maturidade, eles entendem que isso não é sobre eles. É sobre Jesus. É da responsabilidade do maduro sacrificar os seus gostos para o bem da comunidade.

Para muitos, se a igreja toca música contemporânea ela está tentando entreter, apresentar, fazer um show e, portanto, não está focada na adoração genuína. E se essa não for a motivação? E se a razão pela qual a igreja faz as coisas dessa maneira for o melhor envolvimento dos cristãos menos maduros ou dos não-cristãos, de modo que eles sejam atraídos pelo Evangelho e transformados por ele? E se a igreja faz as coisas assim, porque eles acreditam que essa é a melhor maneira de alcançar a comunidade em torno dela? E se ela estiver certa?

E se a música alta trouxer alguém que não conhecia Jesus e como resultado ele responder ao Evangelho e se apaixonar por Jesus, isso não valeria à pena? A verdade é: o estilo da adoração não importa. Ela não proíbe certos estilos de culto. É uma questão de preferência. Podemos cruzar os braços e protestar contra o foco superficial da igreja ou podemos perceber que Deus não está preocupado se estamos fazendo um solo na guitarra ou cantando a cappella. Sua alegria está na verdadeira adoração.

Certamente existem igrejas que se preocupam mais com o entretenimento do que com a adoração. Nós somos muito rápidos em lançar esse julgamento sobre elas. Só porque algo é divertido, não significa que o entretenimento seja o foco principal ou o objetivo.

Não é apenas uma questão de adoração. É uma questão de preferência. E quando nossas preferências não estão sendo atendidas somos tentados a nos afastar. Devemos ser gratos por nossos pais não terem essa atitude com a gente. Se somos realmente maduros, a nossa preocupação não deve ser a de obrigar a igreja a fazer as coisas da nossa maneira, mas sim apoiar todo o trabalho que ajuda no avanço do Evangelho.

Os não cristãos ou cristãos imaturos são a nossa missão. Estamos aqui para fazer discípulos. Isso é maior do que nós ou nossas planos pessoais. Podemos nos esconder atrás do idealismo teológico que quisermos, mas no final do dia a questão será: estamos dispostos a fazer sacrifícios pessoais pelo bem da comunidade e para a Glória de Deus? Se não estivermos, não temos o direito de nos chamar cristãos. O ponto central de nossa fé é que ela não é sobre nós. Não devemos esperar que os cristãos mais novos façam sacrifícios pelos mais antigos.

O sacrifício não é uma ideia popular. No entanto, é uma ideia cristã. Vivemos em um mundo onde tudo é sobre nós. Estamos cercados por uma cultura egoísta. Em nós existe um desejo natural em fazer as coisas do nosso jeito, em sermos servidos e em nos concentrarmos em nós mesmos. Uma comunidade não funciona dessa forma. Uma comunidade não pode existir sem que homens e mulheres estejam dispostos a deixar de lado suas vontades e apoiar o bem de suas comunidades.

Os mais maduros se sacrificam pelo bem dos imaturos e para o bem dos outros.

A questão é, quem você é? Você é maduro o suficiente para servir e investir em uma comunidade que não faz tudo da maneira como você acha que deveria ser? Ou as coisas precisam ser do seu jeito?

 

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

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