O que dizer quando você não sabe o que falar?

2

 

Aprendendo como ficar ao lado dos outros na dor.

São situações em que o silêncio é sinônimo de pouco caso, mas qualquer palavra pode ser catastrófica, então  o que e como falar (sabiamente) em situações difíceis?

Uma das respostas mais simples e inteligentes que encontramos foi no texto de Tanya Marlow da Relevant Magazine, que está logo abaixo traduzido:

//

O pai de seu amigo acabou de morrer. O marido da sua irmã a traiu. Outro amigo está atordoado por ter sido estuprado seis anos atrás. As pessoas frequentemente me perguntam: Qual é o jeito certo–o jeito Cristão–de responder?Queremos responder e fazer a coisa certa, mas não temos certeza como.

Eu tenho pós graduação em aconselhamento, então sei bastante sobre psicologia e filosofia do aconselhamento. Eu tenho sido uma ministra cristã remunerada por mais de uma década, e uma palestrante da teologia bíblica. Eu também experimentei o sofrimento: passei os últimos três anos confinado em casa, principalmente na cama, de uma severa doença auto imune.

Mas nada na minha experiência ou treinamento é tão útil quanto este simples versículo: “Se alegre com os que se alegram e chorai com os que choram”. (Romanos 12:15) a bíblia nos dá um guia modelo de compaixão e cuidado pastoral em dois passos simples:

Chorai com os que choram

É difícil ter uma doença crônica. Houve momentos em que eu chorei em desespero pela perda de minha liberdade e o terror de nunca melhorar.

Uma vez, tivemos um casal para jantar que também eram os líderes da igreja. Eles estavam discutindo todas as coisas interessantes que Deus vinha fazendo em sua comunidade, e eu exclamei.

“Eu sei que eu deveria estar feliz por vocês, mas eu não estou. Eu sei que eu deveria estar contente com o que eu tenho, mas eu não estou. Estou com inveja, e estou farto de estar doente . ” Quando choramos com os outros, nós compartilhamos o fardo deles. Parecia que eu tinha acabado de confessar ser o pior Cristão no mundo.

Meus amigos abaixaram os garfos, e houve um silêncio breve. Então a esposa olhou para mim, e disse: “Nós estávamos discutindo sua doença no carro no caminho para cá, e eu disse, ‘ Não está certo. Este é o momento da sua vida quando você deveria estar livre pra brincar com o seu garotinho, não preso na cama, sozinho. Não está certo.'” Não está certo.

Aquelas três palavras foram tão libertadoras pra mim. eu chorei, na mesma hora. As palavras dela tinha desbloqueado a tristeza e confusão que eu sentia e tinha me dado permissão pra senti-las. Eu olhei para meus amigos, e ambos tinham lágrimas em seus olhos. Naquele momento, eu tinha tal consciência do amor de Deus. Naquele momento, a reação deles foi “Deus está comigo.”

Compaixão significa literalmente “sofrendo com.” Isso significa que olhamos as pessoas no olho e entramos em suas emoções, apenas aquela vez. Quando choramos com os outros, nós compartilhamos o fardo deles. Ela poderia ter dito, “Bem, você precisa aprender a se alegrar em toda situação. É o desejo de Deus para você ser contente, apesar da sua enfermidade. Seja grato pelo o que tem. ” Aquilo não teria me ajudado. Eu precisava ter alguém pra chorar comigo, para que então eu pudesse ter a força de ficar em pé e sussurrar que afinal, tudo isso pode ficar ok.

Quando Jesus foi ao túmulo de Lázaro, ele o ressuscitou. Mas antes de o fazer, Ele chorou. Nos apressamos para consertar as pessoas, para dar a resposta correta — e existe a hora e o lugar para um conselho sábio–mas primeiro, precisamos chorar. Isso é tão contra-intuitivo. Nós não queremos chorar, queremos enxugar as lágrimas deles. Nos sentimos desamparados. Queremos fazer tudo melhor. Parece um ato tão pequeno e insignificante, sentar-se com alguém e chorar, mas frequentemente essa é a coisa mais transformadora que podemos fazer.

Este é o paradoxo: quando choramos com os que choram, isso os permite passar para a alegria. Quando tentamos reprimir o choro, eles permanecem presos naquele lugar de lágrimas.

Se alegre com os que se alegram

O outro lado é que devemos nos alegrar com os que se alegram. É emocionalmente custoso pausar nossas vidas, colocar nossos sentimentos de lado, entrar na dor de alguém e chorar com eles. Se alegrar com os que se alegram parece uma tarefa mais fácil–mas nem sempre.

Quando eu descobri que estava grávida, fiquei radiante. Depois de batalhar com a minha saúde por tanto tempo, foi um presente de Deus. Muitas pessoas acharam fácil de me parabenizar, todos nós amamos boas notícias. Mas o parabéns mais precioso que recebi foi de uma amiga que estava lutando com problemas de fertilidade. Eu tinha o que ela mais desejava. Eu não a culparia de forma alguma se ela achasse tão difícil falar sobre isso. Mas ela olhou pra mim, colocou de lado seus próprios desejos e tristezas e se alegrou na minha felicidade. Aquele foi um momento santo e abençoado; a alegria dela foi um presente sacrificial pra mim.

Chorando e se alegrando. Parece simples o suficiente, mas tudo frequentemente pode se transformar em algo mais. Nós transformamos “chorai com os que choram” em “corrija a teologia daqueles que choram,” entreguem um lenço e diga que tudo ficará bem, ” “diga à eles que precisam pensar positivamente e não desistir da esperança. ” Nós transformamos “se alegrar com os que se alegram” em “seja sarcástico com aqueles que se alegram e deseje que a vida deles não fosse tão perfeita. ”

Se alegrar com os que se alegram; chorar com os que choram. Estas coisas são tão custosas quanto são simples.

 

Traduzido por Carolina Franchi // Original aqui

No more articles
Fé inteligente todo mês na sua caixa de entrada?