O que a submissão realmente significa

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O conceito de “submissão” tem sido um assunto polêmico em círculos cristãos. O termo frequentemente evoca imagens de donas de casa dos anos 50 e faz com que as mulheres, em todos os lugares, sintam uma pontada de desconforto.

No entanto, o termo “submeter” está presente em toda a Bíblia e ele é algo difícil de ser ignorado, quer você queira ou não. O significado dessa palavra tem sido distorcido pela cultura e por alguns cristãos bem-intencionados que visam reforçar a ideia de que as mulheres são o sexo mais frágil e que para ser uma mulher piedosa é necessário ocultar ou desistir de suas opiniões.

Acredito que muitas mulheres, que cresceram rodeadas por outras mulheres fortes e decididas, tem dificuldade de conciliar essas opiniões polarizadas.

Não se preocupem, senhoras e senhores. Um rápido estudo revela que a submissão bíblica é muito mais do que papéis antiquados e preconceito de gênero. Em vez disso, trata-se de serviço mútuo, abnegação e amor. Atitudes que devem marcar a vida de qualquer crente, seja homem ou mulher.

SUBMISSÃO É UMA EXPECTATIVA DE TODOS OS CRISTÃOS

A maioria dos cristãos pensam em relacionamentos românticos, especialmente o casamento, quando esse assunto vêm à tona. Porém a submissão deve ser uma parte regular na vida de todos os crentes.

Em Efésios 5, no versículo 21, somos ordenados a nos submeter uns aos outros em amor. Isto ocorre de maneira completa quando andamos em amor e vivemos no Espírito. As epístolas paulinas estão repletas de instruções sobre como os cristãos devem se humilhar (Filipenses 2.13), encorajar uns aos outros (Colossenses 3.12-16; 1 Tessalonicenses 5.11) e, basicamente, colocar os outros à frente de si.

Existe uma certa expectativa para que todos os crentes abram mão de seu orgulho e de suas preferências pelo bem dos outros. Mais que isso, todos os cristãos são ordenados a se submeterem a Deus. Essas instruções envolvendo submissão ao nosso próximo muitas vezes são qualificadas com as declarações “como ao Senhor” ou “como convém ao Senhor”.

Em outras palavras, a maneira como nos relacionamos com o nosso próximo deve ser enxergada primeiramente a luz do nosso relacionamento com Deus. Essencialmente, nos submetemos a Ele e ao fazê-lo servimos ao nosso próximo.

SUBMISSÃO É UMA IMAGEM DE CRISTO E DA IGREJA

Paulo fornece instruções adicionais em Efésios, especialmente para maridos e mulheres, que é onde a controvérsia se instala. Começando pelo versículo 22 de Efésios 5, as esposas são instruídas a se submeterem aos seus maridos como ao Senhor. Em seguida, os maridos são ordenados a amarem as suas esposas como Cristo amou a Igreja.

Por quê? O casamento é, em última instância, uma representação de duas pessoas amando um ao outro como Cristo ama a Igreja, entregando a si mesmos em sacrifício e amando o seu cônjuge da mesma maneira como eles amam os seus próprios corpos. Paulo coloca isso muito claramente quando diz, “Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja.” (Efésios 5.32)

É tentador saltar rapidamente em conclusões sobre como isso se desenrola na vida diária. Porém, em primeiro lugar é necessário considerar o contexto e o projeto de Deus para as diferentes maneiras como os homens e as mulheres se relacionam. Quando refletimos sobre os “porquês” por trás dessa orientação, somos lembrados que a submissão está destinada a refletir o apoio mútuo, uma relação recíproca e doadora que aponta para a história da redenção de Deus.

É claro que o romance e as boas sensações também são uma parte do casamento, porém em última análise o casamento é uma aliança entre duas pessoas e Deus, feito para colocar as Boas Novas em exposição para um mundo que precisa dela.

SUBMISSÃO NÃO É UMA DESCULPA PARA MANIPULAR O SEU CÔNJUGE OU IRMÃOS E IRMÃS EM CRISTO

Nem. Pense. Nisso. Isto claramente não é uma mensagem do tipo “Mulher, fique na cozinha”. Além de fazer o meu sangue ferver, essa atitude é uma má aplicação da palavra de Deus. Já ouvi muitos sermões e histórias em que os homens usam esta passagem como uma muleta, uma oportunidade de dominar e fazer valer a sua vontade, mesmo sem saberem. Ao mesmo tempo, testemunhei mulheres manipulando a liderança que Deus deu aos homens, como desculpa para a falta de propriedade e iniciativa deles.

Considere o contexto dos versículos que acabamos de analisar. Vá em frente, veja os detalhes que os cercam. Seja alguém do sexo feminino ou masculino, é muito óbvio que usar estas passagens para controlar, envergonhar ou esquivar da responsabilidade faz com que se perca completamente o quadro mais amplo da mensagem.

Pense nisso: se os maridos estão destinados a serem um exemplo de Cristo, você acha que uma atitude de direito é justa? De jeito nenhum. Jesus era humilde, o servo máximo que poderia ter exigido qualquer coisa à sua própria maneira mas que, ao invés disso, escolheu sacrificar-se em prol do seu povo, a Sua Noiva, Sua Igreja.

Enquanto isso, se as esposas estão destinadas a serem um retrato da Igreja, você acha que elas devem faltar com a iniciativa ou manipular seus maridos? Não. Nós, seu povo, somos feitos puros e justificados pelo Seu sangue, perfeitos ao Seus olhos e equipados para realizar o trabalho mais importante: compartilhar o Evangelho. A Igreja é uma extensão de Cristo. Não podemos baratear a submissão e o casamento, tornando elas uma luta pelo poder.

SUBMISSÃO NEM SEMPRE É FÁCIL

Mesmo assim, uma boa compreensão da submissão e um verdadeiro apreço pelo desígnio de Deus nem sempre são fáceis. Submissão, até mesmo em sua definição mais simples, é sobre ceder seus desejos, planos e referências. Colocar alguém em primeiro lugar, seja Deus ou o seu cônjuge, necessita um esforço constante.

Mas a medida que refletimos o nosso bom Deus, vamos considerar a Sua fidelidade e confiar Nele e em Sua Palavra, até mesmo nos momentos difíceis, para que sejamos conforme à Sua imagem, servindo uns aos outros e considerando o nosso próximo acima de nós mesmos.

 

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

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