O escândalo do silêncio sobre o abuso sexual

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Frequentemente, quando questões relacionadas à abusos sexuais vem a tona, muitas igrejas costumam ficar em silêncio. Mas uma resposta, centrada no evangelho, contra a violação sexual de qualquer pessoa, em qualquer idade, começa com a compreensão de que o silêncio não é uma opção.

Quando a igreja é uma comunidade de segurança, as vítimas de abusos sexuais recuperam suas forças e a esperança para o seu futuro. É crucial que essa segurança esteja associada a uma Casa de Adoração, pra que elas possam amar a Deus e exercer os seus direitos e privilégios como membros igualitários. Não importa o que tenha gerado essa ferida, fomos criados para sermos curados com as pessoas. Somos projetados para sermos restaurados nessa conexão.

Quando os sobreviventes de abuso sexual são aceitos pela Igreja, eles começam a entender que a dor faz parte da sua história e não o centro de quem eles são. Porém, quando um sobrevivente é mal compreendido, envergonhado ou rejeitado pela Igreja, ele está suscetível à esconder aquilo que ele sente. Ao invés de compartilhar esse processo de cura com uma comunidade cristã, ele pode cair na religiosidade, perfeccionismo, promiscuidade, vício e outras válvulas de escape.

Essas pessoas necessitam de terapeutas experientes, bem como a compaixão e a segurança de pessoas comuns. Mas se as igrejas realmente desejam lidar com casos de abuso sexual, as vítimas precisam desesperadamente de pastores para compartilhar sua dor, educando a comunidade sobre a prevalência do trauma sexual no mundo atual. Os líderes das igrejas precisam estar de prontidão pelas(os) irmãs(ãos) e crianças oprimidas, utilizando seus recursos – sejam eles práticos, financeiros ou espirituais – e, buscando lutar por essas pessoas. Afinal, Jesus foi o nosso advogado antes de ter sido qualquer outra coisa.

Aqui estão algumas maneiras práticas que os líderes de igrejas podem trabalhar questões envolvendo abuso sexual:

CONHEÇA OS FATOS RELACIONADOS AO PROBLEMA

Em todo o mundo, uma em cada três mulheres será sexualmente abusada em sua vida. O estupro é o crime que mais cresce e o crime violento menos denunciado. Somente nos Estados Unidos, 60 milhões de crianças são vítimas de abuso sexual na infância. Pelo menos 10% das mulheres casadas estão sendo estupradas por seus maridos.

Por conta das estatísticas representarem uma preocupação pela falta de denuncias – 63% das vezes, esses crimes não são denunciados – podemos seguramente aumentar esses números em 25%. (A fonte dessas estatísticas podem ser encontradas em páginas como a ParentsforMegansLaw.org, RAINN.org, WHO.int, GNESA.org, e NDAA.org)

CAPACITE EQUIPES DE MINISTÉRIO INFANTIL ATRAVÉS DE TREINAMENTOS

Ofereça treinamentos de prevenção para os adultos em sua comunidade. Fazendo isso, sua igreja poderá se tornar conhecida pela prioridade na segurança dos menores idade. Desta forma, além de fortalecer a sua congregação, você afastará os potenciais criminosos e treinará voluntários para que reconheçam sinais de abuso.

PREGUE SOBRE A REALIDADE DESSE PROBLEMA

Converse individualmente com a vítima: fale à elas sobre o seu valor e diga que foram projetados para serem homenageados e dignos. Mas não pare por ai. Apresente estatísticas no púlpito, fale diretamente sobre os criminosos que estão zombando e desmoralizando aqueles que Deus nos confiou.

DENUNCIE ABUSOS

Se alguém disser que está sendo abusado, diga que acredita nele e que não irá abandoná-lo (a média de falsas denúncias é de 2%). Peça permissão para agir. Convoque as autoridades locais, assim como a polícia, serviços de proteção a criança e outros adultos confiáveis da comunidade. Reúna nomes de bons terapeutas e busque conselhos que possam nutrir, confortar e apoiar essa pessoa.

MOSTRE UMA JUSTA RAIVA

Não descarte a gravidade do ocorrido. Permita que as vítimas tenham raiva por terem sido abusadas. Compartilhe de seus sentimentos. Não tente conte-las com ditados cristãos ou versículos sobre perdão.

INCENTIVE O ACONSELHAMENTO

Desenvolva uma rede de referência para aconselhamento que esteja presente, tanto em casa quanto na comunidade, com terapeutas e advogados especializados em traumas sexuais.

Lembre-se de uma coisa: fale menos e faça mais. Vítimas de abuso ouvem nossas vozes, mas, principalmente, medem o espírito e a intenção do seu comportamento. Encontre maneiras e ferramentas que encorajem a sua comunidade a se manter firme com as vítimas.

Jesus disse, ao descrever qualquer um que prejudicasse “um destes pequeninos”, que seria melhor que (o criminoso) fosse lançado no mar com uma grande pedra amarrada no pescoço (veja Marcos 9.42). Jesus nunca perdoaria a proteção do abusador as custas do abusado.

Juntos, “eliminaremos as bestas selvagens da terra, faremos locais de benção para as ovelhas, livraremos elas de seus escravizadores e tornaremos seguros todos os lugares, fazendo com que elas não tenham medo” (Ezequiel 34.25-28).

Muitas vozes, em apoio as vítimas de abuso sexual, silenciam a vergonha que destrói as suas esperança. Juntos podemos fazer isso!

 

 

Original aqui.

 

 

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