O ego por trás do púlpito

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O texto abaixo é uma auto reflexão de J.D Greear que originou o livro  Gaining By Losing: Why the Future Belongs to Churches that Send (em tradução livre seria “Perdendo para ganhar: por que o futuro das igrejas está no enviar”). Ele descreve um comportamento comum (e triste) na maioria das igrejas: o engrandecimento do próprio reino. 

 

Terminei o seminário com um objetivo: desenvolver uma igreja com muitas conversões e um grande orçamento, e – para ser honesto – esperar por maior atenção para o cara por trás de tudo.

Como a maioria dos jovens pastores, pensei que estava fazendo a obra de Deus. Ué, não são “grandes” coisas que Ele quer?

Levei um tempo pra entender que a minha ambição egocêntrica estava me cegando para o verdadeiro propósito de Deus. Eu estava perdendo alguma coisa, minha igreja estava perdendo alguma coisa, mas nós nem sequer percebíamos isso. O ministério é um ótimo lugar para que líderes com a idolatria pelo sucesso se escondam, porque podem encobrir sua ambição naquele discurso de que “eu estou fazendo isso pra Jesus”.

Certo dia, Deus abriu os meus olhos enquanto eu orava pela nossa cidade. Enquanto orava por um enorme despertar espiritual, no meio da oração, senti o Espírito de Deus me questionar: e se Eu responder essa oração… mas não usar sua igreja pra fazer isso? E se outra igreja liderar o caminho? Será que você ainda vai querer?

Sabia a resposta correta pra essa pergunta. Deveria dizer: “Lógico Senhor, com certeza! Que você cresça e eu diminua.” Poderia responder isso, mas não foi essa minha resposta. Eu queria ver a minha igreja ter sucesso, o meu reino crescer, meu nome ser engrandecido. Percebi, naquele momento, que em algum ponto ao longo do caminho, o “venha o vosso reino” se misturou com o “meu reino”.

Me dirigi à igreja e confessei que estive liderando de forma errada. “Nosso objetivo”, eu disse, “não deve ser a construção de uma grande igreja. Deve ser alcançar a nossa cidade com o Evangelho e levar a Palavra à lugares onde Jesus não é conhecido. Se Deus usar a nossa igreja, que assim seja. Mas, se Ele tirar alguns dos nossos melhores recursos e enviá-los para iniciarem novas obras, tudo bem também”.

Nessa época fomos impactados por um poder espiritual diferente, algo que sempre esteve disponível.

As promessas de Jesus sobre a grandeza da Igreja estão vinculadas ao envio, não na reunião. Certa vez, Jesus prometeu aos seus discípulos que eles fariam obras maiores que Ele (João 14.12). É uma promessa surpreendente. Quantos pastores buscam fazer obras maiores que Jesus? Porém, Cristo não quis dizer que as nossas obras seriam maiores em qualidade. O alcance e a extensão de Suas obras serão maiores quando Seu Espírito repousar naqueles que creem.

As igrejas que compreendem essa questão não se dedicam na colheita e na contagem, mas sim na capacitação e no envio. Enviar capacidade, sem concentrar capacitados, deve ser a medida de sucesso para qualquer igreja do Novo Testamento.

Essa atitude é algo que está faltando em muitas igrejas. É fácil ser pego atraindo pessoas para as nossas igrejas ao invés de enviá-las para o mundo, construindo público em vez de multiplicar discípulos.

Atualmente, o ato de enviar está se tornado mais importante do que nunca. Mesmo aqueles que estão próximos de nós provavelmente serão alcançados fora da igreja. Na sociedade ocidental, o número dos “sem religião” (aqueles que assinalam como “não” para a pergunta “possui afiliação religiosa?”) cresce a cada ano em uma velocidade espantosa. Essas pessoas não vão para a igreja porque o pastor é envolvente, a música é legal ou a recepção é maravilhosa. Eles precisam ser alcançados fora da igreja.

Para alcançar a nossa nação, está na hora de voltarmos pra estratégia de Jesus. Pra isso, aqueles que fazem parte da liderança cristã devem morrer para si mesmos – por suas ambições, para os seus sonhos, para suas esperanças de uma vida confortável. Devemos lembrar que somos chamados por alguém que não veio para ser servido mas para servir. Sendo rico, por amor de nós se fez pobre, para que pela Sua pobreza nos tornássemos ricos, nos chamando à segui-Lo. Ele disse, “se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12.24).

Viver procede da morte; ganhar procede do perder. Seu chamado não foi para “vir e crescer”, mas para “vir e morrer”. Ele não nos chama para o palco, mas para o altar.

Isso não será fácil. Morrer nunca é fácil. Recentemente, eu estive conversando com os nossos líderes de pequeno grupo. Nove meses atrás, trouxemos essas pessoas para a nossa equipe com apenas uma tarefa: planejar o lançamento dos PGs na igreja e fazer a maioria dos nossos membros participarem.

Essas pessoas fizeram aquilo que pedimos: os PGs reuniram 200 de nossos membros ativos. Eu sabia que era para estar animado, mas algo aconteceu. Senti um nó na garganta, uma mistura de tristeza, medo e, pra ser sincero, pânico. As listas incluíam amigos, músicos, voluntários e líderes. Pessoas que eu não queria perder. Líderes cuja ausência poderiam deixar lacunas significativas. Isso seria muito mais difícil do que eu imaginava.

Naquele dia, após ouvir os nossos líderes de pequeno grupo, me ajoelhei e me abri com Deus. Um sinal de rendição. Um sinal do dever de afastar minhas mãos de uma das coisas terrenas mais preciosas para mim: minha igreja. Me abri em oferta de louvor à dignidade de Jesus e na fé em Sua promessa. Me abri crendo que Deus constrói o seu reino conforme deixamos ele vir, sem conter a sua vinda.

Na vida cristã, nós ganhamos quando perdemos.

 

Original aqui.

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