O desafio de crer em um Deus de paz num mundo em guerra

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“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”

Meses atrás, nós celebramos o nascimento de Cristo, aquele a quem chamamos de Príncipe da Paz. Em 2015, para muitos de nós, a paz pareceu estar mais longe do que jamais esteve. No início do ano passado, o Boko Haram dizimou uma aldeia com mais de 2 mil homens, mulheres e crianças na Nigéria.

Naquele mesmo dia, fomos confrontados com o ataque terrorista à publicação francesa Charlie Hebdo. Em Junho, um jovem estimulado pelo ódio racial assassinou nove cristãos negros dentro de uma igreja. Em Novembro, um novo ataque em Paris. Em Dezembro, mais tiroteios em massa, enquanto uma guerra implacável se alastrava na Síria, no sul do Sudão e em dezenas de lugares com nomes estranhos e pessoas pobres demais para atrair nossa atenção.

O que significa para Jesus ser um Príncipe da Paz e o que significa para mim ser um agente dessa paz?

Diariamente vemos igrejas queimarem, mesquitas sendo destruídas, pessoas retribuindo a violência com mais violência e o sofrimento com mais sofrimento. Essas agressões me fizeram questionar algumas coisas: O que significa para Jesus ser um Príncipe da Paz e o que significa para mim ser um agente dessa paz? O que significa ser parte desse grande tribunal de cristãos que aguardam ansiosamente o Príncipe da Paz assumir o seu trono? O que devemos fazer enquanto esperamos ser administrada a Sua paz definitiva e absoluta?

Creio que a primeira coisa que temos a fazer é sujeitar a nossa atual definição de paz a um exame minucioso.

Nós desenvolvemos definições que são diferentes das definições de Deus. Os usos mais comuns da palavra paz no português podem se referir a qualquer coisa, desde a ausência de guerra até a liberdade de perturbar o silêncio das pessoas.

Porém, como cristãos sabemos que a paz de Deus é diferente. Paulo diz que estamos em guerra, não contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades.

Somos constantemente perturbados, ofendidos e incomodados, enquanto Ele nos molda à Sua imagem. E como profetas anunciando a verdade, Deus nos diz para ouvir o Espírito Santo e proclamar Sua Palavra com poder. Isso tudo é parte do Reino. Esse é o trabalho envolvido na vida sob a paz e reino de Cristo.

Quando Jesus diz em Lucas, “vocês pensam que vim trazer paz à terra?”, creio que Ele se referia a definição de paz do mundo, a falsa paz que permite que pessoas corretas fiquem caladas enquanto outras pessoas tiram proveito dos pobres, famílias são destruídas e a violência reina. Pra essa paz, Jesus é uma espada.

Durante esse tempo de adventos, precisamos apenas ficar com pena dos refugiados sírios e ficar aquém da verdadeira tristeza e preocupação necessária? Precisamos apenas esperar que as coisas se acalmem na Republica Central Africana e deixar por isso mesmo? Não. Devemos chorar com os que choram e lamentar com os que lamentam.

Como crentes, pedimos fervorosamente ao Senhor para intervir. Fazemos orações especificas para pessoas especificas. Dizemos seus nomes. Falamos de suas situações. Mas, o que quer que essa paz pareça, ela não se parece com a passividade.

A paz de Deus é dinâmica e relacional. Ela é orientada pela ação e desafia o status quo.

Quando oramos pela paz neste mundo, estamos pedindo para que Deus faça o trabalho sujo de colocar carne sobre ossos secos. Parte desse trabalho deve nos despertar do sono agradável e complacente para que possamos ajudar e testemunhar a restauração da vida aos mortos.

Que nós, como cristãos, possamos adorar a Cristo nos juntando em oração e em atitude. Isso não exige apenas corações e mentes, mas mãos e pés também. Ore pelo mundo. Faça a diferença neste mundo. Seja sal e luz neste mundo.

 

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

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