O Cristo muito antes do Natal

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Um dos objetivos do TWHP é compartilhar conteúdo bíblico/cristão em diversos formatos. Não queremos que a linguagem seja uma barreira para a compreensão das nossas publicações. Se você tem nos acompanhado durante essa semana, especificamente, já deve ter percebido que estamos em um especial de Natal, o texto abaixo compõe essa coleção, mas com um enfoque mais teológico. Busquei adaptar ao máximo a linguagem e os termos, para que todos possam entender o porquê Cristo é muito antes do Natal. Se tiver alguma dúvida durante a leitura, pode enviar aqui, terei o maior prazer em explicar 🙂


 

A glória do Natal é que ele não é o começo de Cristo.

Muito antes que o primeiro Natal, sua história já tinha começado. O Natal pode ser a abertura de um capítulo, mas não é o início de Cristo.

O Natal realmente marca uma concepção, um nascimento. As músicas anunciam Maria, a visita dos pastores para prestar homenagem ao seu filho recém-nascido e todos os elementos de uma grande e humilde chegada. Para meros seres humanos, sem dúvida, antes do começo, nós simplesmente não existíamos.

Mas não é assim com o Filho de Deus. O seu “anuncio é desde os tempos antigos” (Miquéias 5.2) ao contrário de todos os outros nascimentos. O Natal não é um começo, mas uma continuação. Ele não foi criado; Ele veio a nós.

Nenhum outro ser humano na história possui essa glória. Tão notável quanto seu nascimento por meio da virgem é a sua preexistência, que o distingue ainda mais, sendo ele plenamente humano, mas também plenamente Deus.

1. Ele já existia antes de nascer

Jesus Cristo existiu antes que ele se fizesse homem. O próprio Jesus fez a impressionante afirmação – ofensiva aos sentimentos dos judeus do primeiro século, tão ofensivo que eles apanharam pedras para apedrejá-lo, mas Jesus disse – “Eu lhes afirmo que antes de Abraão nascer, Eu Sou! ” (João 8.58-59)

Esta realidade tão chocante também não passa despercebida em João 6: “Que acontecerá se vocês virem o Filho do homem subir para onde estava antes…- daquela hora em diante, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e deixaram de segui-lo”. (João 6.62,66). Mas aqueles que receberam os olhos para ver a glória não viram as costas. Por isso Paulo também afirma que: “a geração do deserto de Israel bebeu da rocha espiritual que os seguia, e a rocha era Cristo” (1 Coríntios 10.4). Assim como o autor de Hebreus diz: “Melquisedeque, que viveu mil anos antes de Jesus, assemelhava-se ao Filho de Deus por não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hebreus 7.3). Outros textos do Novo Testamento se juntam ao coro de que a pessoa de Cristo existia muito antes que o primeiro Natal.

Ele veio

Ele veio de fora do reino criado, em nosso mundo, para trazer resgate que há muito tempo fora prometido por Deus. Assim como está escrito nos Evangelhos: “O Filho do Homem veio. . . para dar a sua vida em resgate por muitos”. Meros seres humanos nascem, mas Cristo desceu, como está em João 3:13: “O Filho do Homem desceu do céu”.

O autor de Hebreus afirma que “Cristo veio ao mundo” (Hebreus 10:5), mas não apenas para conferir de perto a criação, ele veio com uma preciosa missão “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores” (1 Timóteo 1:15). Não por obrigação, mas por amor “Ele foi conhecido antes da fundação do mundo, mas se manifestou nos últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1:20).

Ele se tornou

Por si só, “tornar-se” não exige pré-existência. A chave da questão é: o que ele era antes de ele se tornar?  Ele foi divinamente rico, e tornou-se humanamente pobre (2 Coríntios 8:9). Ele estava em “forma de Deus”, em seguida, tomou “a forma de servo” (Filipenses 2:6-7). Aquele que era infinitamente “alto”, porque ele era Deus, tornou-se um pouco menor que os anjos, porque ele se tornou homem (Hebreus 2:9).

Seu “tornar-se” não cessou o que ele tinha sido anteriormente, mas ele se “assumiu” (Filipenses 2:7) de carne humana e sangue. O Filho é completamente divino, mas também pleno em sua humanidade.

Ele foi enviado

Profetas foram enviados sem pré-existência, mas não foi assim com o Filho de Deus. Ele foi enviado de fora do mundo, para redimir o seu povo. O contexto é fundamentalmente diferente quando estamos falando sobre o envio do Filho eterno.

Na parábola das vinhas, o proprietário, finalmente enviou o seu “filho amado” (Marcos 12:6), diferente dos outros “agentes” que ele havia enviado antes. Ao chegar a plenitude dos tempos, Paulo escreve em Gálatas 4:4: “Deus enviou seu Filho…nascido de mulher.” Um ser humano não é enviado por Deus, ele nasce. Mas Cristo foi enviado, divino e humano ao mesmo tempo.

Da mesma forma, no sacrifício do seu Filho, Deus fez o que nós, humanos, não poderíamos fazer por nós mesmos: “Deus, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne”. (Romanos 8.3)

Ele foi dado

Finalmente, e talvez o mais memorável, o Cristo pré-existente foi dado. “Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho único” (João 3:16). O sacrifício de Cristo perde toda a sua força como uma expressão do amor de Deus, se Jesus não preexistisse antes da sua encarnação.

2. Ele já existia antes da criação

Cristo não preexistiu no primeiro Natal; mas antes de toda a criação. É difícil imaginar o Novo Testamento ser mais claro neste sentido. Quando o Credo de Nicéia (325 dC) confessou que Cristo foi “gerado pelo Pai antes de todos os mundos”, foi com o firme fundamento das Escrituras.

O Evangelho de João começa com a declaração,

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito. (João 1:1-3)

Carne humana não pode ser tonar a Palavra. A Palavra eterna que se fez carne. Colossenses 1.16-17:

Por nele todas as coisas foram criadas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou domínios ou governantes ou autoridades – todas as coisas foram criadas, por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste.

Cristo foi “conhecido” por Deus, não só antes de sua encarnação, mas “antes da fundação do mundo” (1 Pedro 1:20). E assim ele orou em João 17:5: “Agora, Pai, glorifica-me em sua própria presença com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”.

3. Ele é pré-existente, porque ele é Deus

Que Cristo existiu antes de sua encarnação, e mesmo antes da fundação do mundo, é, finalmente, uma função de sua divindade. Ele é o primeiro e o último, o Alfa e o Ômega (Apocalipse 1:8), porque ele é Deus.

Natal é muito mais do que a celebração do nascimento de um grande homem. O próprio Deus, na segunda pessoa da Trindade, entrou em nosso espaço, e em nossa humanidade frágil, cercado por nossos pecados, para nos resgatar. Ele veio. Ele se tornou um de nós. Deus enviou Deus. O Pai deu o seu Filho por nós e para a nossa salvação.

Jesus é melhor

Como uma sociedade materialista marca seu momento mais importante do ano no Natal, a preexistência de Cristo antes de todas as coisas criadas nos lembra de sua prioridade e preciosidade acima de qualquer tecnologia e inovação, qualquer presente, árvores e enfeites, luzes e risos , velas e cookies. Certamente isso é o que significa sua preexistência para nós – prioridade e preciosidade acima e além de qualquer outra coisa que não é preexistente.

Jesus é antes, e ele é melhor do que qualquer coisa criada no mundo. E sua preexistência nos lembra que ele é, ou deveria ser, o maior tesouro em nossos corações.

 

 

 

Traduzido e adaptado por Paulo Neitzke. Original aqui.

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