No começo é bom, mas depois…

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Dia 6 de setembro de 2016, no alto da estreita Torre dos Clérigos, em Portugal, eu fui pedida em casamento. Não, eu não estava esperando. Não, eu não estava ansiosa por esse momento.

Minutos antes da pergunta fatal, eu estava fazendo um “Insta snap”, mostrando a cidade do Porto, contente por ter conseguido chegar até o topo depois de subir dezenas de escadas em corredores estreitos.  Além da adrenalina da altura e da incrível paisagem, haviam japoneses, chineses, alemães, espanhóis, que não necessariamente foram para ver o pedido, mas acabaram ganhando esse brinde.

O pedido foi rápido, ele perguntou se eu o amava e pediu um beijo, eu respondi que sim e dei um beijo rápido pois queria terminar o video, depois ele perguntou novamente e pediu outro beijo, logo desconfiei que ele queria pedir alguma coisa (sabe quando a pessoa tá muito fofa, muito boazinha? Então, eu desconfio) e pra minha surpresa ele pediu pra casar comigo. Em poucos minutos já havia uma aliança de ouro (eu dei aquela mordidinha marota pra conferir se era de ouro mesmo)  na minha mão direita.

Minha vontade era descer correndo e contar tudo para a minha amiga (cúmplice, no caso) o que tinha acontecido. Ela esperava pacientemente comendo um bolinho de bacalhau. Na sequência fomos ao McDonalds mais bonito do mundo (é sério, o Mc do Porto foi eleito um dos mais bonitos do mundo) e celebramos o almoço de noivado. Despretensioso e nada convencional, como pode se ver na imagem:

almoço de noivado

Horas depois minha cabeça começou a entender o que eu tinha feito. Desculpa, mas não consegui ser racional no momento do pedido.  Não veio o arrependimento, insegurança nem nada do tipo. Apenas a preocupação de ter que organizar um evento seguido de vários eventos. Eu já havia percebido nesses 24 anos que minha cabeça opera por demandas, mas achei que existia um romantismo em algum lugar dentro de mim que apareceria nessas horas, poxa.

É, não apareceu. E comecei a esquematizar como seria o evento mentalmente.

Enquanto isso, do lado de fora do meu cérebro, amigas me ligando absurdamente felizes, grupo de whats app fervendo, foto no Facebook batendo record de likes, parecia que a festa já tinha começado e todos tinham algo a contribuir. Algumas começaram a se autointitular madrinhas, outros dizendo os presentes que dariam e questionando quando seria a data do casamento para se programarem, até que surge a frase:

Pensa bem, porque casamento no começo é bom, mas depois…

Minha mente parou a simulação da festa e trouxe as memórias dos casamentos que vivencie de perto, que talvez sejam ótimas referências de “o que não seguir em um casamento”, que sempre fizeram com que eu não almejasse casar e  trocasse as princesas da Disney pela Barbie executiva.  Foi aquela sensação de “meu, como eu posso fazer isso, eu já vi tanta merda na vida das pessoas que casaram,  e agora eu entrei nessa fila, não acredito..”

Foi quando, brilhantemente, surge (tã tã tã): The Holy Spirit! Com sua voz mansa e sua sabedoria inconfundível me diz: você pode escolher como deseja completar a frase. No começo é bom, mas depois… pode continuar sendo bom, ou pode ser melhor, ou pode cair na rotina, pode ser só briga, pode ser uma aventura incrível, pode vir filhos. Além do mais você nem sabe quanto tempo dura o começo e é possível começar diversas vezes.

Naquele instante, foi como se as piores cenas que já vi dentro e próximo de casa congelassem e eu conseguisse perceber que embora eu tivesse participado direta ou indiretamente daqueles momentos eles não podiam ditar o meu futuro. Não podia mais ser guiada pelo medo de viver um reprise de uma história que nunca tinha vivido.

Não me tornei romântica depois disso. Continuo olhando para a cerimônia com um olhar de demanda e organizando como se fosse um projeto do meu trabalho, afinal eu trabalho com eventos. Mas algo muito mais importante aconteceu, voltei a crer (nem sei quando fiz a burrada de parar de crer) que Cristo não é o gerente de uma área, ele o founder da minha vida.

Em outro momento eu conto como foi a história do meu namoro, mas ao olhar pra ela é impossível dar mérito ao acaso e desconsiderar o agir de Deus. Até nos momentos em que fui mais cética eu me lembrava do meu namoro e via como Deus tinha agido. Ou seja, Deus não te leva até um lugar e diz agora é com você, já te trouxe até aqui. Até quando Cristo sobe aos céus e deixa fisicamente seus discípulos, Ele nos deixa sua paz e seu Espírito, para que mesmo nos momentos que estamos socialmente sozinhos, dentro de nós ainda habite Deus.

Isso me da uma certeza que mesmo que o começo e o meio não sejam Hollywoodianamente bons, não haverá fim, porque em Cristo não existe mais morte que separe.

 

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