Não é como você começa

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Quando estava começando no ministério, estava repleto de uma angústia de um jovem que espera por mais oportunidades de crescer e servir. Um pastor de uma igreja local se aproximou de mim e me convidou para liderar o louvor de sua igreja aos domingos. Ele não possuía dinheiro e/ou músicos, mas era minha chance de aprender a planejar, recrutar músicos e liderar a igreja semanalmente.

Mas, eu queria mais. Eu queria trabalhar em tempo integral. Eu queria autoridade e reconhecimento. E comecei a acreditar que merecia a posição, o pagamento e o púlpito.

“Ainda não”, disse um pastor veterano. “Você ainda precisa crescer muito mais”.

Aquilo doeu. Bastante.

Olhando para trás, ele estava completamente certo, mas eu não estava disposto a ouvir. Pelo contrário, eu entrei em uma longa jornada tentando provar que era bom o suficiente. Eu corri atrás de aplausos e reconhecimento, e aprendi muitas lições difíceis. Eu ignorei a sabedoria de outros e perdi a visão da beleza da corrida.

Pelo caminho, aprendi cinco lições que me ensinaram que ministério é uma maratona, não uma largada.

1. Abrace a obscuridade

Vivemos em um época onde qualquer um pode ser empurrado para os holofotes sem ser testado ou aprovado. As fumaças tóxicas do “ter direito a algo” frequentemente desqualificam líderes após partirem para a caminhada ministerial. Ninguém gosta de pagar por seus direitos. Mas, esse processo de crescimento e desenvolvimento de caráter é vital. E devemos abraçá-lo.

Porque não vemos muito da vida de Jesus antes dos seus 30 anos? Me pergunto se, em parte, não é para nos ensinar que a obscuridade é aceitável. Jesus frequentemente mantinha seus milagres em secreto. Quando pessoas se acumulavam, ele retirava-se para ficar sozinho com o Pai. Ele alertou sobre a necessidade de praticar a justiça diante dos outros ao invés de sermos vistos por outros.

Jovem líder, você cometerá erros e dirá tolices. Talvez a obscuridade seja um presente de Deus numa era onde vitórias são escritas na areia e falhas são cravadas nas pedras. Nunca é bom mirar em subir no palco ou assumir o microfone. É melhor clamar a Deus para que você seja feito, por Ele, um ministro digno de confiança com influência. O Senhor exalta os humildes, e o faz segundo seu perfeito tempo. Não corra neste processo.

2. Abrace a correção

Ninguém gosta de ouvir que errou. Queremos acertar a todo tempo, por isso quando erramos nos sentimos desencorajados. Mas estas falhas são oportunidades. O crescimento não acontece facilmente. Requer ouvir os mais experientes, mentores capacitados que possam lhe mostrar suas áreas que carecem de mudança.

No ministério, sempre haverá autoridades com as quais você discordará. Elas ordenarão que você realize o que não quer e dirão quando você errou. Você pode se sentir ofendido e ficar na “defensiva” – o que apenas atrapalhará seu crescimento – ou você pode abraçar a correção como um dom de Deus. “Todo o que ama a disciplina ama o conhecimento, mas aquele que odeia a repreensão é tolo.” (Provérbios 12.1)

3. Abrace a normalidade

Eu recentemente encontrei um jovem líder de louvor antes de servir no louvor. Ao conversar comigo, demonstrou um sotaque americano indescritível. Quando começou a ministrar o louvor, sua voz mudou para um sotaque irlandês provindo da África do Sul. Aqueles com quem conversou anteriormente ficaram confusos. Parece que cantar e falar naturalmente não é legal ou não comove suficientemente hoje.

Mas Jesus não precisa ser “cool”. Ele usava pessoas comuns para mudar o mundo – ele fazia coisas sobrenaturais com seus atributos naturais dados a homens normais. Abraçar a pessoa que Deus te fez é melhor do que tentar se encaixar em um molde ou em expectativas culturais. Este é o caminho mais rápido para perder sua alegria e, talvez, a clareza do seu chamado.

4. Abrace a comunidade

Eu sou constantemente abordado por pastores em busca de líderes de louvor que querem servir em uma igreja local e ajudar a pastorear ovelhas. A fascinação de um ministério que inclui uma “base de fãs” que pensam que você é especial conclamam sua natureza pecaminosa. Uma vez que você prova de aplausos, isto pode viciar.

Contraste isto com o serviço à uma comunidade na igreja na qual as pessoas não se sentem impressionadas com você. Te veem todo domingo, quando você não está nos melhores dias, quando esquece as letras, quando falha ao mudar o “capo-traste” ou erra algum acorde. Não são seus fãs, mas são sua família. Provavelmente não se importam se você divulgar um álbum ou ganhar um Grammy, mas se importam com você, com sua vida, seus filhos. Te ajudam a carregar sofás pesados quando muda de casa. Trazem comida quando está doente. Conhecem você de verdade e, por causa disso, podem celebrar verdadeiramente suas vitórias e lamentar suas derrotas.

Não torne a beleza da vida em comunidade com uma família por todos os fãs do mundo.

5. Abrace a identidade

Ultimamente, lidar bem com nossas lutas provém de encontrarmos nossa identidade em Cristo. Somos criados à imagem de Deus, comprados por seu sangue, preenchidos com seu Espirito, adotados em sua família, chamados para sua missão e temos Seu retorno garantido. É impossível criar uma identidade melhor para nós mesmos. Tudo se torna pálido em comparação.

Podemos abraçar a obscuridade porque sabemos que somos totalmente conhecidos e amados pelo único que realmente importa. Ele nos fez maravilhosamente e tementes. Ele observa nossos passos e sabe todos nossos pensamentos.

Podemos abraçar a correção porque Deus já conhece nossos erros e falhas e, mesmo assim, “enquanto éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5.8). Ele observa as piores partes de nós mesmos e ainda diz “vocês são meus”, porque Jesus pagou o preço.

Podemos abraçar a normalidade porque sabemos que Deus não olha para nossa aparência, mas para o coração (1 Samuel 16.7). Ele ouve cada palavra tola. Ele vê nossa luta interna de querer sermos mais do que somos. Ainda assim, é um Deus gracioso e compassivo que sabe quem somos e nos lembra que somos pó. (Salmo 103). Nosso valor não se baseia em sotaques interessantes ou senso de moda, mas em sermos escondidos em Cristo.

Podemos abraçar a comunidade porque sabemos que fomos adotados para a família de Deus para nosso bem e Sua glória. Estávamos mortos em nossos pecados, mas Ele nos ressuscitou para a vida e nos chama de filhos e filhas. Ele nos deu irmãos e irmãs espirituais. Podemos ser fieis para pastorear o rebanho local desde que toda a aprovação que carecemos esteja no Pai que conhece nossas necessidades.

Nada para provar

Jovem líder, você é amado. Você não tem nada a provar. Jesus é seu mestre. Você tem valor. Se duvidar alguma vez disso, apenas olhe para a cruz.

Continue fiel e permaneça na corrida para terminar bem, mas lembre-se: esta é uma maratona, não uma corrida rápida. Deus fará seu trabalho de santificação em você a longo prazo. Ele terminará o que começou.

 

Traduzido e adaptado por Paulo Cardim. Original aqui.

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