Isso não é pra mim

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Era um belo domingo, André não queria ficar em casa enrolado nas cobertas, comendo pipoca, tomando Coca-Cola e assistindo um programa tosco na TV.  Mesmo achando chato, considerou que ir a Igreja era a melhor opção para aquele dia. Ouvir uma boa mensagem, cantar algumas músicas e rever alguns amigos (esse é o que mais o motiva).

André chega na igreja e a primeira parte do culto é pura empolgação. Parecia que algo diferente havia acontecido com a equipe de louvor naquele dia, estava demais (tipo aquele louvor dos DVD’s da Hillsong que muitos desejam ter em suas igrejas). Mas André só curte, só avalia e pouco participa. Passada toda a euforia do louvor, chegou a hora de ouvir o “sermão”. Aquele pastor que você até gosta ouvir, que sabe usar a Palavra e manter você atento ao que diz. Ele começa a pregar uma daquelas pregações exortativas e chocantes (estilo Paul Washer, sabe?).

André então começa a pensar: “Nossa! Que sensacional isso que ele disse, meu amigo precisava ouvir isso! Será que ele veio hoje?” Minutos depois ele começa a olhar para as pessoas ao redor em busca de uma amiga que também precisa ouvir aquela outra frase impactante dita pelo pastor. Infelizmente André não a vê nos bancos velhos da igreja e mais uma vez pensa: “ela deveria estar aqui pra ouvir isso”. Tais pensamentos recorrem em sua mente até o final do culto. No caminho de volta para casa o assunto é claro que não era outro, a não ser que a pregação foi para alguém, menos para ele.

Sabe aquela expressão: “QUEM NUNCA?!” Pois é, essa história criada não é tão fictícia assim.

É claro, não há nada de errado em você assistir uma mensagem no culto ou na internet e pensar que era exatamente aquilo que outra pessoa precisava ouvir. De fato, o Espírito de Deus pode nos conduzir a lembrar de alguém que precise ouvir alguma palavra específica enquanto assistimos um culto. No entanto, é preciso discernir muito bem o que vem do Espírito e o que vem da nossa imaginação. Isso faz toda a diferença para não sermos hipócritas.

Quantas vezes durante um culto ou até mesmo na leitura de um livro, repleto de frases de efeitos puras e verdadeiras, não nos vemos pensando que aquilo é pra qualquer um, menos pra nós? Talvez nos cabe fazer uma pergunta: Será que nesse movimento não estamos nos auto afirmando “bons o suficientes” como o fariseu que ora agradecendo por não ser igual ao publicano? Onde há muitos fariseus, também há publicanos, mesmo que sejam a minoria é neles que a graça de Deus se manifesta. Deus rejeita os soberbos, mas dá graça aos humildes (Tiago 4.6).

As vezes somos tendenciosos a sempre termos um sentimento mais elevado de nós mesmos, a Palavra no entanto diz para não pensarmos assim (Romanos 12.3), pelo contrário, se existe algo pelo qual podemos nos gloriar, esse algo é a cruz de Cristo (Gálatas 6.14) e não na nossa religiosidade ou santidade.

No Reino de Deus não há lugar para gente perfeita, mas para aqueles que reconhecem sua imperfeição e desejam ser transformados por Aquele que morreu por elas.

Mas e quando sabemos que aquela palavra foi para nós?! Quando ela toca na nossa ferida, na nossa falha rotineira, naquele ponto que ninguém sabe a não ser você mesmo e Deus. Ficamos tensos, suamos frio, ficamos inquietos na cadeira, porque sabemos muito bem que precisávamos ouvir aquilo. No entanto, existe uma outra tendência, ao invés de entendermos que essa é uma oportunidade de mudança e crescimento onde o Espírito Santo está trabalhando, “tiramos o nosso da reta”. Fingimos que não é com a gente, e cada vez mais nos aproximamos do perigo maior: um coração duro, indisposto a ser transformado. Um coração assim não consegue provar alguns aspectos do amor de Deus.

“A vida sem o amor de Deus nada é senão a morte. O homem que não participa do amor de Deus está morto, mesmo quando está vivo.” John Gill.

Uma das coisas mais belas que Deus nos proporciona é vermos a ação dele em nós. Mesmo que sejamos duramente confrontados, a graça dele é melhor do que qualquer outra coisa, melhor até do que a vida (Salmos 63.3). Então, por que não provar dessa graça a cada pregação ouvida ou a cada livro lido? 

Toda pregação é para nós, porque é a Palavra sendo exposta e toda Palavra é útil para aqueles que amam a Deus, para mostrar a verdade, denunciar a nossa rebelião, corrigir os nosso erros, ensinar como o viver o caminho de Deus e nos tornar aptos para realizar a sua vontade (2 Timóteo 3.16-17).

Lembra da história lá no começo?! Quando você está inclinado a lembrar de outros durante a leitura de um livro ou ouvindo uma pregação sugiro que faça algumas perguntas:

Estou pensando no outro por que me sinto superior a ele?

Se sim, lembre de Romanos 12.3: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” e Tiago 4.6: Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes”

Estou pensando em outros por que quero fingir que não é comigo e que não existe alguma área na minha vida que precisa ser tratada?

Se sim, lembre-se de Romanos 8.28-29: Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.  E Salmos 51.10: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.”
Deus está nos moldando para sermos mais parecidos com o Seu Filho e isso passa diretamente pelo nosso coração. Além disso, Deus usa seus servos (pastores) nesse processo.

Estou pensando no outro por que estou machucado por algo que ele fez?

Sempre que alguém nos machuca ficamos tendenciosos a usar qualquer brecha para dar aquela cutucada gospel, mesmo que isso lá no fundo possa partir de uma boa intenção esse pode não ser um bom momento para agir assim e podemos estar alimentando um desejo errado em nosso coração. Se você tem algo contra o seu irmão vá e fale a sós com ele para resolver logo algum problema e não use as frases fortes do seu pastor para apontar o pecado dos outros para machucá-los.

Que as nossas palavras revelem mais a graça do que a condenação.

Deixe o Espírito Santo te ajudar a responder essas perguntas com humildade e sinceridade. Que ele nos ajude a lidar com esses tipos de pensamentos e tendências do nosso coração e também sejamos gratos por ver o Espírito Santo agindo em nós.

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