Eu pequei contra você?

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Certa vez fui inesperadamente confrontado por outro cristão. Eu era palestrante em uma conferência e enquanto me preparava para ir à outro evento, um indivíduo veio correndo até mim. Ele ficou bem na minha frente, como um jogador discutindo sobre uma falta com o árbitro, e começou a falar sobre como eu tinha ofendido ele. Rapidamente entendi que eu tinha feito algo que ele achou irritante e ele queria que eu soubesse disso.

Ouvi ele por um tempo e pedi permissão para lhe fazer uma pergunta. Foi um simples: “Eu pequei contra você?” E expliquei a minha lógica.“Se eu pequei contra você, por favor me diga como, porque eu quero me desculpar por isso e buscar o seu perdão.” Sua resposta foi: “Não, você não pecou contra mim.” Em seguida, ele continuou com o seu discurso até o momento que um amigo se colocou entre nós, explicando que eu tinha um outro evento para ir.

Por um lado, achei isso surpreendente. As pessoas não me confrontam frequentemente dessa maneira e com esse tipo de agressividade. Por outro lado, não me surpreendeu que ele estivesse me confrontando sem ter identificado um motivo claro que pudesse justificar que eu realmente tenha pecado contra ele. Logo vi que ele não estava praticando a resolução bíblica de conflitos, mas sim desabafando raivosamente. 

(Se você está se perguntando sobre o que eu fiz para ele, lá vai: minutos antes, eu tinha feito uma apresentação e li algumas passagens da Bíblia a partir das minhas anotações em vez de lê-las diretamente da Bíblia. Foi isso que o ofendeu.)

Como líder dentro de uma igreja local, tive muitas oportunidades de orientar as pessoas enquanto lidavam com confrontos e tenho observado que muito do que queremos enfrentar nas outras pessoas não é pecado, mas sim aborrecimento e contrariedade. Muitas vezes, o nosso propósito em confrontar as pessoas não é lidar com as conseqüências do pecado, mas sim com as queixas e ofensas. Queremos dar vazão aos nossos aborrecimentos e seguir o nosso caminho.

No entanto, a Bíblia não nos dá permissão para confrontar as pessoas, a menos que possamos identificar as maneiras pelas quais eles realmente tenham pecado contra nós.

A confrontação é boa e necessária onde houver ofensa pecaminosa. Deus nos diz para confrontar o pecado porque a ofensa causa alienação, fazendo com que as relações cresçam distantes ou até mesmo sejam cortadas. Satanás adora usar esta falta de unidade para minar a obra de Deus. A desunião é perigosa. A finalidade da confrontação bíblica é trazer a reconciliação e trazer paz entre as duas partes.

A razão pela qual perguntei a aquele homem se eu tinha pecado ou não contra ele foi para identificar se esse ônus estava sobre mim para buscar a reconciliação. Romanos 12:18 diz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos” e quero obedecer esse mandato. Foi esclarecedor ouvi-lo dizer que eu não tinha pecado contra ele. Aquilo provou que ele não estava enfrentando o pecado de uma maneira bíblica e buscando a reconciliação. Ele estava apenas explodindo de raiva.

Quando as pessoas em minha igreja perguntam se ou como elas devem confrontar o pecado, a primeira pergunta que eu sempre faço é esta:

“Que linguagem bíblica você pode usar para descrever esse pecado?”

Quero que eles tenham garantia do que realmente aconteceu e que a situação não tenha apenas se agravado por conta do comportamento de outra pessoa. Surpreendentemente e rapidamente nós aprendemos que muitas pessoas não estão interessadas em confrontar biblicamente o pecado, mas sim em espalhar aborrecimento. Nós somos um grupo de mal humorados! Quando eles conseguem descrever a ofensa na linguagem bíblica, a segunda pergunta é:

“Você pode ignorar isso em amor?”

A menos que esse pecado venha causar uma rachadura permanente em um relacionamento ou que seja provável que ele se repita e prejudique outras pessoas, esse pode ser um pecado que não precisa de atenção. Então, e somente então, começamos a falar sobre confrontar a pessoa na maneira como Jesus estabelece em Mateus 18.

E para aqueles que foram confrontados, eu ofereço esse conselho:

“Esteja sempre disposto e ansioso para oferecer um pedido de desculpas, para se arrepender do comportamento ofensivo. Mas, na medida do possível, saiba pelo o que você está se desculpando.”

Uma vaga desculpa por uma ofensa vaga não é um pedido de desculpa. Ela tem poucas chances de trazer reconciliação. Contudo, dito isso, às vezes um pedido de desculpas, mesmo em circunstâncias vagas, é uma maneira de amar os outros, de modelar a humildade e preservar a paz. A humildade sempre governa.

Deus é bom para nos instruir na resolução de conflitos. Precisamos de Sua instrução e a igreja precisa da paz que ela traz. Mas a menos que uma ofensa possa ser descrita na terminologia bíblica, provavelmente ela não é um pecado. Conheça a sua Bíblia para que com o tempo você comece a falar na linguagem da Bíblia e com a voz do Deus da Bíblia. Isso preservará seus relacionamentos, isso protegerá a igreja de Deus.

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Link original aqui.

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