Equívocos sobre Evangelismo

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Precisamos reconsiderar a maneira como compartilhamos as boas novas. Por que isso?

Quando eu era adolescente, ficava apavorado com a ideia de evangelizar. Mesmo enquanto eu estava no seminário, as aulas de evangelismo não me ajudavam a mudar esse sentimento por completo. As aulas se tornavam “tentativas fracassadas” de me animar, pois muitas vezes me desencorajavam a desejar saber mais sobre o tema. Essa situação me deixava entristecido.

Em sua essência, a palavra “evangelista” significa um mensageiro de boas notícias. Imediatamente, podemos nos livrar daquelas ideias ou técnicas de como falar às pessoas sobre o evangelho e os passos que precisam ser dados. O evangelismo é o ato de espalhar boas notícias. Isso devia nos animar.

Com o tempo e com a ajuda de algumas pessoas sábias, transmitir as boas novas deixou de ser uma atividade apavorante. Pesquisando e discutindo com algumas pessoas a respeito dessas questões, percebi alguns equívocos sobre evangelismo que devemos repensar:

EQUÍVOCO 1 – O ÚNICO OBJETIVO É LEVAR A SALVAÇÃO ÀS PESSOAS

Muitos acreditam que, quando evangelizamos, nossa única tarefa é “salvar” a pessoa. Não salvamos ninguém, só Deus pode. Precisamos ter uma visão a longo prazo do que acontece depois que alguém aceita a Cristo. Enquanto apresentamos a questão “pra onde você iria se morresse hoje?”, devíamos perguntar “o que vai acontecer se você acordar amanhã?”.

Não me entenda errado, a salvação é extremamente importante. Mas o processo de evangelismo não para quando as pessoas aceitam a Cristo. Nosso objetivo deve ser uma proclamação das boas novas que nos permitirão caminhar com as pessoas em uma viagem, não apenas em uma etapa do processo na qual deixaremos elas sozinhas quando atingirmos o nosso objetivo de “salvá-los”.

EQUÍVOCO 2 – DEVEMOS “DEFENDER JESUS”

Durante muito tempo, acreditava que o cristianismo me obrigava a saber de todas as respostas. Posso contar inúmeras horas de discussão com alguns amigos sobre diversas questões. Já passei dias “estocando munição”, pesquisando e memorizando respostas sobre perguntas que me ajudariam a ser capaz de revidar e “defender” Jesus.

Enquanto a apologética e a definição do porque da sua fé são uteis, não é disso que o evangelismo é feito. A “defesa da fé” se transformará em um argumento, porque estaremos discutindo crenças e opiniões ao invés de experiências. Jesus é muito maior do que qualquer resposta que podemos formular e Ele trabalhará, não apenas sobre aquilo que conhecemos Dele, mas principalmente nas experiências que temos com Ele.

EQUÍVOCO 3 – NOSSAS CONVICÇÕES SÃO MAIS IMPORTANTES QUE AS EXPERIÊNCIAS

Já passei um tempo focado em discutir sobre Jesus com as pessoas. Na boa? Não funciona. Criamos um argumento ao invés de ter uma conversa aberta. Isso faz com que ambas as partes fiquem menos dispostas a ouvir.

Enquanto as nossas convicções certamente são importantes, muitas vezes a melhor maneira de compreender aquilo que alguém acredita é perguntando sobre suas experiências. Dessa forma, a conversa se desenvolve de uma maneira diferente, pois permite que o outro entenda sua história pessoal, proporcionando uma sensação mais genuína do que apenas um discussão de pontos teológicos.

Faça a pergunta “Você já teve experiências espirituais em sua vida?” ao invés de “O que você acredita sobre Deus e por quê?”. Nossas convicções nos dirigem ao conhecimento e podem iniciar as discussões. Não devemos discutir sobre Jesus. Devemos mostrar o amor e a esperança que encontramos em Jesus. Para isso, as experiências são fundamentais pois tratam de emoções e coração. Elas não se referem a argumentos, mas sim de íntimos sentimentos.

EQUÍVOCO 4 – AS PESSOAS DEVEM CRER PARA QUE SEJAM CONVIDADAS À FREQUENTAR A IGREJA

Já ouvi em algumas pregações que devemos esperar que as pessoas aceitem a Cristo para que elas sejam realmente aceitas em nossos círculos cristãos. Devemos convidar as pessoas para que façam parte de nossa comunidade antes mesmo de tornarem-se seguidoras de Cristo.

Precisamos valorizar a ideia de amar e encorajar essas pessoas, independente do que aconteça. Dessa forma, temos uma melhor ideia sobre o que é uma comunidade sem distinção de tarefas ou lados (“os crentes da igreja” e “os não crentes que frequentam a igreja”).

As vezes, pertencer vem primeiro. Quando as pessoas se sentem pertencentes a uma comunidade, tornam-se muito mais receptíveis para o que acreditamos. Essa é uma bela ótica sobre evangelismo pois não enxergamos os indivíduos como “projetos de evangelismo” mas sim como verdadeiros amigos, pessoas falhas com as quais podemos dividir as nossas lutas e conquistas.

Viver em comunidade, com crentes e não crentes, nos encoraja a compartilhar nossos problemas e fragilidades, não apenas o sorriso de “fachada” que muitas vezes apresentamos ao mundo. Isso derruba muitas muralhas, nos permitindo amar as pessoas pelo o que elas são e acreditar naquilo que pode acontecer futuramente.

EQUÍVOCO 5 – PRECISAMOS SIMPLIFICAR O EVANGELHO

Não devemos ser capazes em dizer: “Hey, aqui está o Evangelho em quatro pontos”. O Evangelho é muito extenso pra isso. Ele engloba a história de Jesus. Não podemos assumir que os “quatro pontos para salvação” são tudo o que a pessoa precisa ouvir.

Não existem limites para o que pode ser dito sobre o Evangelho. E tem mais! A forma como você fala sobre isso com alguém podem alterar a lente por meio da qual verão a Deus. O tema central deve ser Jesus, mas devemos limitar ou simplificar o Evangelho.

Aproxime-se do evangelho com uma atitude de curiosidade, onde você nunca saberá tudo. É uma enorme sensação de alívio quando você consegue dizer que não sabe todas as coisas e, mesmo assim, está tudo bem. Ela permite dar espaço para que o Espírito Santo trabalhe em seus pensamentos.

Nunca fixe-se à uma formula de como apresentar a mensagem do evangelho porque dependendo da situação, fará com que ela pareça ser diferente do que ela realmente é. Permita que o Espírito Santo trabalhe em sua vida através das situações que possam surgir.

Precisamos evangelizar a nossa sociedade atual. Ficaremos surpresos e maravilhados com a habilidade de Deus para trabalhar por meio de nós e das outras pessoas.

 

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