[Entrevista – Clauber Ramos] O que os cristãos fizeram na parada gay

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No último sábado, em São Paulo, milhares de pessoas se reuniram na Av. Paulista para a 20ª edição da Parada do Orgulho LGBT, vulgo Parada Gay.  O grupo luta por diversas causas sociais e tem como um dos principais vilões do movimento a bancada evangélica, caricaturada por políticos como: Feliciano, Cunha, Malafaia e sua turma.

Entre as diversas atrações do evento, havia uma pequeno grupo segurando cartazes:

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O grupo formado por cristãos de diversas denominações, saíram as ruas para dizer que a opinião da bancada não representa a opinião de todos os cristãos e principalmente, que o amor de Cristo alcança a todos. Essa foi a segunda edição que o grupo participou.

O tema é polêmico, mas é necessário discuti-lo, não dá para falar só entre os bancos da igreja ou postar no Facebook, a forma como tratamos as pessoas está diretamente ligada a missão do evangelho e da Igreja. Por acreditar que a parte contrária já é bem exposta, resolvemos apresentar o lado do  cristianismo que não é tão divulgado, por isso entrevistamos um dos lideres do grupo, Clauber Ramos. Abaixo ele descreve mais detalhes de como a ação funcionou e as reações que vivenciaram.  Boa leitura 🙂


TWHP: Como surgiu e o que motivou a criação dessa ação na Parada Gay?

CR: A ideia inicial foi do amigo e pastor José Barbosa Junior, que convidou alguns amigos com o objetivo de irmos na Parada Gay de 2015. Nosso objetivo era muito simples: iríamos em um pequeno grupo, de várias igrejas evangélicas (Batista, Assembléia de Deus, Luterana, e outras). Apenas empunharíamos cartazes que mostrassem às pessoas que independentemente do que falavam os pastores midiáticos haviam sim cristãos que os acolhiam e não faziam julgamento moral e assim aplicar o princípio fundamental do evangelho de Jesus que é o amor.
 

TWHP: Poderia nos contar algumas das experiências mais impactantes vivenciadas durante a ação na Parada?

CR: Foram várias, mas uma realmente foi emocionante para mim. Quase no final da parada vi de longe uma drag queem que parou e ficou nos olhando bastante emocionada, fiz um gesto para que ela se aproximasse e ela veio chorando em nossa direção, abraçou primeiro minha esposa que estava ao meu lado e depois me abraçou fortemente. Não falamos quase nada, mas ali pude transmitir e receber amos entre dois seres humanos de uma forma muito intensa. Foi um abraço que me curou de alguns preconceitos que eu ainda tinha.
 

TWHP: Vocês tiveram alguma reação negativa por parte de cristãos em outras igrejas?

CR: Tivemos sim muita reação negativa por parte de cristãos, sendo sincero, até hoje colho algumas reações por conta disto. Algumas oportunidades perdi por conta de minhas posições. Indelicadezas no face do tipo: “Clauber, eu sei que você é casado, pai de duas filhas, mas você não é gay mesmo?” , “O que você não faz para vender CD!” foram algumas das pérolas que tive que ouvir. Mas teve também muitos cristãos que apoiaram e apoiam nossa atitude. Existe ainda um grupo pequeno que pensa como a gente, mas que aos poucos está aumentando.
 

TWHP: O que você acha sobre os projetos governamentais envolvendo a tão falada “cura gay”? 

CR: Discordo totalmente, não existe “cura gay” até por que a homossexualidade não é doença. A ação dos políticos evangélicos e da famigerada Bancada evangélica é totalmente equivocada e se utilizam dos ataques aos direitos civis LGBT para manterem na mídia e ter seus currais mantidos, criando assim um inimigo de mentira que deve ser atacado a qualquer custo.
 

TWHP: Em sua opinião, o que você acha que Igreja poderia melhorar quanto a maneira como ela trata sobre o homossexualismo e a homossexualidade?

CR: Entendo que para a igreja negar dogmas tão antigos seja difícil, mas não é impossível. Já existem diversas linhas teológicas que não veem a homossexualidade como pecado. Todos os textos da Bíblia que tratam do tema são passiveis de uma interpretação diferenciada e contextualização como a própria igreja já faz com diversos outros temas da Bíblia. O assunto é bem longo para entrarmos em detalhes aqui, mas independentemente de qualquer dogma o que se espera da Igreja é que se cumpra o mandamento maior que é o amor.
 
Finalizando, quero dizer que existe um  grupo razoável de cristãos que são contrários a todo fundamentalismo, a pastores midiáticos que exploram economicamente e psicologicamente seus rebanhos com uma interpretação distorcida do evangelho de Jesus. Um grupo que não está fechado em uma denominação específica, mas espalhado no meio de várias delas. Nossa esperança é apenas que a mensagem de Jesus: O Amor! Se espalhe por todo canto, não através de pregações e canções vazias, mas com prática e atitude de fato.

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