Donald Trump, o “salvador” dos evangélicos?

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Um dos eventos políticos mais aguardados no mundo irá ocorrer nesse ano: as eleições presidências dos Estados Unidos. E a disputa pelas indicações nos dois principais partidos americanos, os Democratas (esquerda) e os Republicanos (direita), está em alta temperatura desde o ano passado. Porém, na corrida pelo lado dos Republicanos se destaca um personagem peculiar e polêmico.

Donald Trump, empresário conhecido por apresentar o reality show americano “The Aprenttice”, vem liderando as pesquisas republicanas de intenção de voto e sua batalha pelo favoritismo contra o senador do Estado do Texas, Ted Cruz, parece estar se intensificando.

Mas sabe quem está no centro dessa guerra e pode ser o fiel da balança na indicação do partido republicano? Os eleitores evangélicos. Trump e Cruz estão dominando entre eles, com Trump contando com o apoio de 42% dos evangélicos e Cruz com 25%, segundo uma pesquisa recente.

Por isso, os jornais The Post e New York Times fizeram um estudo em cima de um dos subtramas mais interessantes da corrida presidencial de 2016: Porque os eleitores evangélicos aparentemente estão sendo atraídos por alguém que foi casado três vezes, quer deportar milhares de pessoas, favorece um teste religioso para entrada nos EUA e que regularmente se vangloria de sua riqueza espetacular (e praticamente tudo mais sobre si mesmo)?

O jornal The Times falou com dezenas de evangélicos e respondeu a questão da seguinte forma:

Em várias entrevistas com eleitores evangélicos que apoiam Donald Trump, uma coisa soou familiar: que seu coração estava no lugar certo, que suas intenções para o país eram puras e que só ele era capaz de trazer a salvação ao país. Para muitos outros, Trump fala a verdade e reflete o que eles estão sentindo: raiva do presidente Barack Obama, angustia sobre a economia e o temor de que os terroristas poderiam se passar por refugiados sírios para se infiltrar em solo americano.

Ao invés de recuarem por conta de seus insultos e de sua linguagem dura contra os imigrantes, esses eleitores acreditam que Trump está apenas sendo honesto.

Tudo isso tem intrigado profundamente alguns líderes evangélicos. O The Post cita um líder evangélico descrevendo Trump como um “dono de cassinos com clubes de strip, três vezes casado”, dizendo que o mesmo é “o homem mais imoral e ímpio que nunca funcionaria para ser presidente dos Estados Unidos”.

Mas, mesmo ele não sendo um bom cristão aos olhos dos líderes cristãos, os eleitores evangélicos entrevistados sugerem que a moralidade pessoal dele não importa muito para eles. Em vez disso, o sucesso de Trump entre os eleitores evangélicos pode estar enraizado no fato de que, mais do que qualquer outro candidato republicano, Trump é capaz de falar ao sentimento de estarem sitiados. Ele transmite a compreensão que, de alguma forma e em um nível visceral, tanto o cristianismo quanto o país em geral estão sob cerco. E além do mais, ele não é limitado pelas sutilezas politicamente corretas ao dizer isso e propõe medidas drásticas para reverter esse cenário de caos e impiedade.

Robert Jones, o CEO do Public Religion Research Institute, vem estudando a opinião evangélica à muitos anos. Sua pesquisa o levou a crer que Trump é muito bom ao falar com os evangélicos e seu senso de perda da idade de ouro nos Estados Unidos que antecedeu à turbulência política e cultural da década de 1960.

As recentes pesquisas do Public Religion Research Institute têm mostrado que a grande maioria dos evangélicos acham que a cultura e o modo de vida norte-americano “mudou pra pior” desde a década de 1950, acreditando que o crescente número de imigrantes de outros países é uma ameaça à cultura e os valores americanos tradicionais e que os valores do Islã estão em desacordo com os valores e o modo de vida americano.

Donald Trump parece conscientemente estar tentando apelar para os sentimentos e amarra-los a uma sensação de que o próprio Cristianismo é assediado. Em seu discurso na Liberty University dias atrás, Trump disse, “O Cristianismo está sob cerco e vamos protegê-lo. Não preciso ser politicamente correto para isso.”

Em uma entrevista com David Brody, Trump mais uma vez disse que o Cristianismo está “sob cerco”, amarrando essa noção à perseguição dos cristãos na Síria (e é claro, aproveitou para falar sobre o seu argumento quanto aos refugiados sírios que vão para os EUA, a fim de argumentar sobre sua abordagem de “Fortaleza Americana”).

Pelo jeito, se Donald Trump não se comportar como um modelo de piedade e corromper os detalhes sobre o Cristianismo e a Bíblia, no fim das contas nada disso importará. Em vez disso, o que realmente importa, como um eleitor evangélico declarou, é isso: “Ele é o único que pode nos puxar de volta do abismo.”

Se descobrirmos que milhões de americanos realmente pensam o mesmo que essa pessoa, então… bom, que Deus os ajude.

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