Conhecidos por aquilo que somos e não por aquilo que dizemos ser contra

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Ser conhecido por aquilo que Ele era e não por aquilo que dizia ser contrario: foi isso que Jesus fez.

Se você fosse pra Avenida Paulista em horário de pico e jogasse uma pedra em alguém, aposto que acertaria uma pessoa que poderia responder detalhadamente a seguinte pergunta: “Sobre o que Jesus é contra?”

Primeiramente, Ele não concorda com o ato de jogar uma pedra, então não faça isso. Porém, a questão é que a maioria dos brasileiros (religiosos ou não), provavelmente poderiam apontar para uma ou mais coisas que o Todo-Poderoso abomina.

O que mais me assusta é que, sem precisar usar a Bíblia, eu poderia fazer uma média de quantas pessoas listariam atitudes e assuntos que Jesus se opõe. A partir dos noticiários e das conversas diárias, podemos adivinhar o que os não-cristãos pensam a respeito dos pontos de vista que os cristãos possuem sobre assuntos políticos, usando como base uma “porçãozinha” de reações do evangelicalismo nas mídias.

Por exemplo, dias atrás me deparei com uma série de artigos jornalísticos informando que o Pastor Silas Malafaia faz extrema oposição à uma questão polêmica. Porém, nenhuma noticia que encontrei chegou a mencionar os projetos socioeducativos, a assistência social aos presidiários, as doações e a gestão de casas de recuperação administradas pela Associação Vitória em Cristo em diversas regiões do país.

Veja bem, não quero fazer qualquer tipo de julgamento contra ou a favor desses assuntos. Honestamente falando, acredito que os cristãos tem a responsabilidade de ler, analisar e orar pelo discernimento sobre a vontade de Deus (com base nas Escrituras) em relação as suas vidas. No entanto, uma questão ainda precisa ser feita: nós, evangélicos, estamos conquistando almas para Cristo utilizando a mensagem “Deus é anti-______________” (preencha o restante da frase) nos meios de comunicação?

Sinceramente, não acredito. Depois de algumas pesquisas, pude encontrar um estudo realizado por professores da Baylor University da cidade de Waco (Texas, EUA), Paul Froese e Christopher Bader, que reforçam a minha suposição. Em um dos mais completos estudos relacionado a percepção das pessoas sobre Deus, eles puderam concluir que Deus é visto de, pelo menos, 4 formas diferentes:

  1. Autoritário (31%);
  2. Benevolente (25%);
  3. Distante (23%);
  4. Crítico (16%).

Se olharmos isoladamente pra cada um dos números, estas estatísticas não são chocantes. No entanto, quando consideramos o fato de que a maioria das pessoas (um total de 70%) associam traços de caráter indiscutivelmente negativos com Deus, significa que chegou hora de começarmos a nos perguntar que tipo de embaixadores temos sido.

Baseado nessas percepções, quem gostaria de ter um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, a incarnação de um Deus “autoritário”, “distante” e “crítico”? Eu não.

Quando eu era criança, costumava ter calafrios quando aprendia sobre o sacrifício de Jesus pois pensava que aquilo tinha sido um ato estranho e desnecessário de um Deus assustador e irado. Cheguei a imaginar que os evangélicos eram rabugentos, pessoas que só queriam saber de boicotar eventos culturais e que se recusavam a comemorar o Halloween.

Infelizmente, essa é a única coisa que eu tenho visto sobre os cristãos na mídia. Mas também não creio que devamos ser rápidos em colocar a culpa nos meios de comunicação. De certa forma, eles apenas estão transmitindo o que os cristãos dizem quando as câmeras estão apontadas para eles, isto é, quando não estamos trabalhando ativamente na adoção da mensagem de Cristo em nossas vidas.

O que podemos fazer em relação a essa situação que está “pintando” o nosso Senhor Jesus como um “Deus do contra”?

E se aposentarmos o refrão “Deus é anti-______________” que está sendo derramado nos púlpitos da intimidação e, ao invés disso, nos posicionarmos fortemente naquilo que o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo veio fazer?

Talvez você, que está lendo essa artigo, esteja ficando nervoso. Não quero sugerir que sejamos proprietários de uma graça descuidada ou que ignoremos o pecado, permitindo que este mundo ande de skate ladeira abaixo para o inferno.

Estou dizendo que talvez possamos aprender uma lição com pessoas como o pastor da Hillsong NYC, Carl Lentz.

Em uma entrevista durante o aumento inicial de sua popularidade, a jornalista fez uma série de perguntas relacionadas a algumas das questões mais complicadas e divisíveis da nossa cultura. Dependendo das respostas, elas poderiam desencadear uma reação negativa que inevitavelmente ofuscaria o brilho da mensagem do Evangelho que é pregada na Hillsong.

Lentz foi direto ao cerne da questão. Quando questionado se ele usaria o púlpito para pregar contra questões sociais, ele simplesmente disse: “Não, porque nós tentamos ser como Jesus.”

“Raramente”, ele continuou, “Jesus falava sobre questões sociais ou morais… Frequentemente, as pessoas querem falar sobre a mudança de comportamento mas a nossa igreja não trata sobre isso… Estamos falando sobre transformação da alma.”

E ele insistiu, “Nós temos um posicionamento sobre o amor e temos uma conversa sobre todo o resto.”

O que foi dito faz sentido. Isso não significa que precisamos nos esconder das partes mais controversas da fé, mas sim que podemos nos engajar em uma discussão sobre as mesmas ao invés de fazer declarações que as condenaria. Marcos 16.15 diz “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas.”

Não sei você, mas ver uma pessoa do outro da telinha, berrando e dizendo que tudo o que eu estou fazendo está errado não é uma boa noticia. No entanto, saber que eu posso ter um relacionamento com um Salvador, que por tanto me amar, levaria uma “bala” por mim, é uma boa notícia. A ideia de que eu não preciso viver minha vida atolado em culpa ou vergonha é uma boa notícia. A mensagem de amor, de esperança, de paz e de graça é a melhor notícia que eu já ouvi.

Paremos de falar sobre aquilo que Jesus se opõe e vamos anunciar sobre o que Ele veio fazer: ter um relacionamento íntimo e pessoal com cada um de nós.

 

Traduzido e adaptado por Gustavo Neves. Link original aqui.

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