[Entrevista – Ton Molinari] Compor, seguir e ensinar

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Nós do TWHP temos o grande privilégio de compartilhar uma entrevista com Ton Molinari, falando um pouco sobre o seu novo disco lançado este ano: “Arco e Flecha” e também suas perspectivas sobre o ministério e música em meio ao que Deus tem falado ao seu coração.

Ton é filho de missionários, começou seu ministério cedo, acompanhando os pais em missões transculturais e no plantio de igrejas no Brasil e exterior. Bacharel em teologia com ênfase em música pelo Instituto Canzion Brasil, lidera adoração há mais de 10 anos. Sempre carregou em si, as paixões pela Palavra e pela Presença, tais paixões refletidas em suas composições, que sempre apontam pra Bíblia e a pessoa de Jesus. Serviu em São Paulo, ao Ministério Adorar e ao Movimento Dunamis como ministro de louvor e a Escola Adorar como professor de adoração. Hoje vive com sua esposa Nathalia no Rio de Janeiro, tem viajado o Brasil, dedicando tempo ao ministério itinerante e ensino.

Como foi o processo de construção do álbum “Arco e Fecha”? E qual o propósito do álbum?

TON: Arco e Flecha é um presente de Deus pra mim. Ele expressa exatamente o que eu quero dizer pra este tempo. Algumas canções eu já havia composto e cantava em público, como “Senhor, Te amo”, “Até Que Tu sejas o Primeiro” e “Meu Coração é Teu”. Outras canções nasceram para este projeto, pra este tempo e outras estavam guardadas há um tempo, só esperando a hora certa de sair. E particularmente, foi lindo construir e produzir esse disco, experimentando a criatividade vinda de Deus de maneira tão forte. Sou suspeito pra dizer, mas quando ouço novamente o “Arco e Flecha”, sinto como se Deus estivesse liberando uma graça criativa como eu nunca antes vi. O maior desafio foi tentar manter o disco o mais verdadeiro comigo mesmo, porque quando leio cada letra, de cada canção, eu penso: uau! Isso é muito forte! Não posso alterar no estúdio, o que foi construído no secreto. Isso requer uma responsabilidade grande, porque apesar de todo esforço técnico, o que vai frutificar é a essência.

Quando você entendeu que seu chamado ia além das ministrações nos cultos regulares da igreja local? Como foi o processo de transição pra um vida integralmente dedicada ao ministério?

TON: Eu comecei a vida musical dentro da igreja muito cedo, com 8 anos eu já tocava bateria na minha igreja. Mas eu cresci com uma fome de abençoar pessoas de outras culturas e línguas, isso era o que queimava dentro de mim. Eu tive uma experiência transcultural muito cedo também. Com 2 anos de idade apenas fui junto com minha família para a Colômbia, afim de implantar igrejas nas cidades de Bogotá e Medellin, e nos inserimos muito profundamente na cultura daquele país e nos apaixonamos muito pela língua espana e pelo latino. Penso que isso fez com que meu coração ardesse por missões e por ver as nações rendidas a Jesus. Daí pra frente minha vida foi direcionada para a integralidade no Reino. Me dediquei somente a isso e era também muito incentivado pelos meus pais a viver totalmente pro meu chamado através dos meus dons e talentos.

Qual a importância teológica/bíblica nas suas composições?

TON: Eu costumo dizer: “Quem canta a palavra não erra”. Isso tem baseado as minhas composições até hoje. Sinceramente, acho que estamos, como Igreja nos afastando demais da Bíblia, no que diz respeito a composição, e isso é extremamente perigoso. Junto com o disco, eu escrevi um livro chamado “Arco e Flecha – Por trás das canções”, justamente com o objetivo de basear biblicamente o que eu componho, porque penso que o primeiro passo de alguém que perdeu a essência no seu respectivo chamado, foi esquecer dos dois maiores “oxigênios espirituais”: vida de oração e leitura da palavra. Infelizmente hoje é muito fácil achar erros graves em composições de homens e mulheres famosos e influentes, e isso é um câncer que pouco a pouco vai destruindo as bases sólidas da Igreja de Jesus, que cuidadosamente foi alicerçada nesses dois fundamentos essenciais para a caminhada cristã.

Na sua opinião, como a música pode influenciar a nossa missão dentro e fora da igreja?

TON: A música é um veículo extremamente importante para o estabelecimento do Reino de Deus aqui na Terra, em todos os âmbitos. Precisamos usá-la com sabedoria e temor. A música não pode ter nenhum elemento atraente aos olhos da humanidade senão Cristo.

A Bíblia diz que Jesus é o desejado das nações, ou seja, todos o almejam, então se eu compor acerca Dele, as pessoas vão encontrar o que sempre ansiaram.

Quais são as dificuldades de ser um músico cristão no Brasil hoje?

TON: Ser um músico no Brasil é difícil, porém quando falamos de ser músico cristão no Brasil, o quadro se agrava mais ainda. Acredito que já avançamos muito, mas estamos muito atrás da maioria dos países do mundo. Algumas pensamentos (mentiras) devem ser combatidos, antes de sermos valorizados como músicos:

1 – A música não é só um momento do culto que prepara para a parte mais importante que é a Pregação. Ela é tão importante quanto o Sermão.

2 – A Música é um curso como qualquer outro que estudamos na faculdade. Então se a liderança sente a necessidade de investir no crescimento da sua igreja, que o estudo musical esteja antes, por prioridade, que uma bela construção. Já que a profissionalização dessa área vai fazer com que o padrão de excelência aumente e o crescimento será apenas a consequência do investimento.

3 – A maneira como a igreja vê as ofertas destinadas a alguém que vive integralmente do ministério (de adoração, no nosso caso) deve urgentemente mudar. Tanto pra altos valores quanto para valores baixos, ou seja, não devemos achar normal alguém que paga absurdos milhares de reais para um popstar gospel assim como não devemos achar normal “ofertar” 100,00 para um ministro que não cobrou nada para fazer seu exercício eclesiástico.

Em se tratando de música na igreja, alguns músicos não dão tanta importância no quesito talento e aperfeiçoamento musical e focam demasiadamente no coração/espiritual e vice-versa como você equilibra as duas coisas?

TON: Esse é um ponto de extrema importância. Eu aprendi que quanto mais eu estudo a Bíblia, mais eu tenho autoridade usando-a, do mesmo modo, quanto mais eu estudo meu instrumento, mais eu adquiro autoridade quando toco. Muitos líderes de adoração tem unção suficiente para fazer somente o que fazem hoje, mas tenho certeza que se eles entrarem numa jornada de conhecer seu instrumento mais profundamente, a atenção enquanto toca e/ou canta, será só para a presença de Deus e não para o medo de errar alguma nota ou desafinar num determinado agudo.

Há muito tempo nossas igrejas têm feito versões de músicas internacionais, é claro que isso não é ruim, mas quais dicas você daria para que igrejas escrevam mais canções autorais?

TON: Exatamente, não vejo nada de errado em fazer versão. O objetivo da versão é cantar o que o mundo todo está cantando, e isso é lindo. Mas acredito que o brasileiro exagerou. Fomos para um extremo perigoso. Há alguns dias atrás eu estava procurando canções autorais de artistas brasileiros cristãos no youtube e foi muito difícil encontrar. Repito: o erro não está em traduzir, mas o erro está em não compor! Onde nós temos ido buscar as canções do nosso próximo disco: Nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália ou no lugar secreto? Salmos 87.7 diz: “Assim os cantores como os tocadores de instrumentos estarão lá; todas as minhas fontes estão em ti.”

 

Onde nós temos ido buscar as canções do nosso próximo disco: Nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália ou no lugar secreto?

 

Contato:

Via E-mail: contato@tonmolinari.com ou por telefone: (11) 9 4850 5210

Links para o Álbum: Arco e Flecha

iTunes: https://goo.gl/yD1G0K
Google Play: https://goo.gl/nrkObF
Spotify: https://goo.gl/dT1GmC
Deezer: http://goo.gl/lU6G0W

Vídeos

Participação da Laura Souguellis

Senhor, Te amo

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