Como uma única igreja está alcançando a sociedade mais “secular” da Terra

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Para os olhos americanos, a igreja no coração de Londres Holy Trinity Brompton está cada vez mais impressionante e poderosa. Afastada da movimentada avenida Brompton da cidade, o seu centro e a arquitetura histórica da catedral – influencia os arredores do distrito de Knightsbridge e proporciona um sentimento distintamente britânico.

Entretanto, atrás de suas paredes, algo verdadeiramente notável está acontecendo: No lugar onde o coração da cidade enxerga o cristianismo cada vez menos influente; nasce o ressurgimento.

Ano passado, o ex-arcebispo de Canterbury, Lord George Carey, contou ao The Daily Mail, o jornal local, que as igrejas eram “uma geração longe da extinção”. – E ele parece estar certo! – A igreja HTB (Holy Trinity Brompton), está liderando uma revolução: eles estão trazendo o cristianismo de volta a cultura Inglesa, e invertendo uma tendência negativa.

Quer entender melhor?! Vamos analisar algumas coisas diferentes por aqui:

Quando você entrar em uma reunião da HTB, você será perdoado se por acaso esquecer que está em uma igreja anglicana; não dá para não reparar a falta de formalidade em suas reuniões.

Ao invés da maneira formal de apresentação, nota-se características de uma igreja contemporânea a partir de grandes telões, e a opção de não ter um púlpito.  Além disso, a congregação é bem diversificada em idade, etnias e classes sociais, embora todos interajam entre si muito bem, no senso de comunidade.

Claro que você não sai de lá sem ser atingido pelo carismático pastor Nicky Gumbel, o qual assumiu a liderança da HTB em 2005.

Com seus 61 anos ele é humilde e acessível; sua própria sinceridade e paixão pelo que faz é vista na igreja que lidera: desde 2005, a igreja explodiu no número de frequentadores, e foi necessário a criação de quatro novos campus, chamados de “centros”, os quais estão espalhados ao redor de Londres; e com um verdadeiro alcance global: Só este ano, existem planos para plantar mais quatro igrejas HTB fora de Londres.

E para a geração de cristãos que cresceram nas características das igrejas tradicionais, Gumbel está fazendo algo diferente. Ele não está só tentando trazer pessoas para a igreja, ele está levando a igreja para as pessoas.

“Eu escutei em algum lugar que 2% da população gosta de música clássica, e 98% gostam de música moderna”, Gumbel disse, enquanto explicava a metáfora, para entendermos como ele e a HTB estão alcançando uma nova cultura.

A igreja da Inglaterra, aos olhos de Gumbel, tem feito as coisas da maneira errada; a ênfase precisa deixar de ser fora de sincronia, dando a entender algo inteiramente estranho à cultura. Embora ele explique que não há nada de errado com o modelo da música clássica “da igreja tradicional”, os líderes precisam estar dispostos a adaptar-se, para alcançar esta nova geração, e realmente se envolver à cultura em torno deles.

“Se você está querendo alcançar a maioria das pessoas, você tem que ter música moderna”, diz ele.

Esse é o tipo de música que a cultura está desesperada para ouvir.

A Igreja na Crise

A comunidade cristã na Inglaterra historicamente vem sendo a maior influenciadora das igrejas globais. Durante mais de 1.400 anos, o cristianismo foi formado em quase todos os aspectos espelhado na vida e na cultura inglesa; mas recentemente uma crise foi tomando forma.

A igreja Inglesa está em declínio em velocidades de queda livre.

De acordo com pesquisas desenvolvidas na primavera deste ano, a igreja anglicana perde 12 seguidores para cada 1 conversão. E essa mesma tendência ocorre na igreja católica romana: a cada 1 conversão, perde-se cerca de 10 membros.

Esses números ilustram o desafio da igreja, a qual tem as congregações envelhecendo e uma geração Millenium que rejeita cada vez mais a religião.

Qualquer um que segue o cristianismo está ciente de que os chamados “sem religião”, (os que não se identificam) estão em ascensão. O estudo mais recente da Inglaterra e do País de Gales (produzido em 2014) relatou que os “sem religião” são 48,5%, comparado aos 43,8% da população que relatou identificação com os anglicanos, católicos e outras denominações.

A Pew Research encontrou a mesma realidade nos Estados Unidos.

Em maio, o diretor de finanças da Church of England’s, John Spence, disse que o declínio da igreja deve continuar por décadas. Ele diz que um senhor com seus 81 anos tem uma probabilidade maior de frequentar a igreja do que um jovem de 21.

Se o cristianismo quiser sobreviver a uma nova geração no Reino Unido, os Milleniuns vão ter que re-abraçar a fé, mesmo que ela pareça diferente das experiências dos seus pais.

Talvez uma nova versão de igreja?

Gumbel levou HTB a pensar muito sobre como podemos chegar a uma geração onde muitas igrejas ao redor dela estão simplesmente ausentes.

Mas o que diferencia a HTB, não é a forma como eles são, isso continua familiar. Para o pastor, não é sobre inovação ou apresentar uma certa imagem às pessoas – é sobre encontrar a “maneira certa de apresentar a mensagem que não muda”, ele diz.

Gumbel foi pioneiro no curso Alpha, um conjunto de recursos e programas que exploram a fé cristã (normalmente são encontros, em torno de 11 semanas). Hoje é possível encontrar as reuniões do Alpha em cafés, igrejas, universidades e casas ao redor do Reino Unido.

O Alpha não é algo associado aos currículos das igrejas.  Sendo esse o motivo pelo qual ele explodiu para mais de 29 milhões de pessoas, que estão participando dos encontros ao redor do mundo.

O curso é baseado em conversas sobre Jesus e Fé, e não apenas aulas de teologia. Como muitas coisas que a HTB faz, o Alpha é sobre falar a língua da cultura, ao invés de forçar a cultura em conformidade com as velhas tradições.

A igreja HTB abraçou o ativismo social e campanhas para ajudar quem precisa nas comunidades. A ênfase deles é o evangelismo. E ao invés dos encontros para as orações e cultos tradicionais, as reuniões se tornaram momentos de adoração e música.

Mas como toda mudança, sempre há seus críticos.

Uma das coisas que você vai ouvir muitas vezes sobre a HTB, é que o desejo de se relacionar mais com a cultura jovem, acaba tornando as reuniões em shows.

Para muitos, a preocupação é a igreja estar perdendo algumas tradições, e as suas raízes desenvolvidas há séculos, e a mensagem do Evangelho estar se diluindo – sendo substituídas por luzes.

Mas Gumbel está convencido de que tudo que a HTB se dispõe a fazer está fundamentado nas escrituras e também no correto entendimento sobre Deus. Isso porque apesar de seu cargo de líder e pastor global, ele se vê primeiramente como nada mais que um pastor da igreja local.

“A parte que eu mais gosto é.. fazer parte de uma equipe local, na igreja local,” ele diz. “HTB é como um vulcão – todos esses ministérios vão para fora, mas precisamos manter o calor e atmosfera aqui dentro. A igreja local é a chave.

Unindo o Dividido

O compromisso de Gumbel para entregar a mensagem imutável do evangelho significa que ele e a HTB, chegaram a conclusão de que, afim de alcançar pessoas, a igreja historicamente fraturada na Europa Ocidental, precisa se unificar.

“Qual a barreira para re-evangelização da nação? “ Ele questiona; “Todo mundo lutando entre si. Se vamos fazer isso, temos que trabalhar juntos, e e isso não será possível com as igrejas em conflito. “

É por isso que o discurso dele na maior parte dos últimos anos, foi pedir uma “trégua” entre as diversas denominações da igreja.

Em nenhum outro lugar isso ficou em tamanha exposição, mais do que na Conferência HTB de Liderança do ano passado. Lá, Gumbel compartilhou o palco com Raniero Cantalamessa, um padre católico, e Joyce Meyer, uma oradora e autora cristã, os quais tem laços com o movimento carismático americano. Em um movimento sem precedentes, eles, juntamente com os outros, pediram a união entre as diferentes correntes do cristianismo.

Gumbel em nenhum momento nega que a teologia e a distinções tradicionais são importantes, mas acredita urgentemente que “aquilo que nos une é muito mais forte do que aquilo que nos divide. “

A revolução Londrina

HTB não é a única com esforços para trazer o cristianismo de volta a Londres.

Hillsong London e Jesus House, são duas grandes igrejas atuando também dentro da capital. Mas ao redor do país, igrejas como Audacious Church Manchester, Life Church Bradford e Trent Vineyard, estão vendo cada vez mais pessoas atravessando suas portas.

O aumento de grandes igrejas ao longo das cidades reforça o princípio que Gumbel conduziu através da HTB: A igreja precisa falar a língua que a cultura local vai ouvir.

E isso parece estar acontecendo. Uma pesquisa feita em Londres pela Brierley consultoria, publicado em 2013, constatou que desde 2005, o mesmo ano que Gumbel assumiu a liderança da HTB, a média dos participantes da igreja subiu de 620.000 para 720.000, e o número de lugares com reuniões cristãs, aumentou 17%, também.

O cristianismo no Reino Unido ainda necessita de revitalização, mas os números estão confirmando o que Gumbel acredita ser uma revolução espiritual ocorrendo em Londres: “Estamos no início de algo incrível. “

Eu não sei vocês, mas eu não tenho dúvidas de que essa corrente está cada vez mais perto da nossa nação brasileira, e compartilho da mesma visão de Gumbel: Estamos no início de algo realmente extraordinário.

Vamos começar a trabalhar nisso, juntos?

 

Traduzido por Raquel Lebrão. Original aqui.

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