Como manter por perto seus melhores amigos

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Há alguns meses em meu primeiro ano de faculdade, encontrei o Intervarsity Christian Fellowship e pela primeira vez em muito tempo me senti em casa num grupo de pessoas. Fazer amigos era fácil. Vulnerabilidade? Sem problemas! Café da manhã as 11hs? Perfeito!

Se isto era uma introdução aos relacionamentos adultos, então eu estava dentro. O colegial estava realmente me prendendo e a vida adulta seria incrível.

Como muitos, eu encontrei relacionamentos mais desafiadores na faculdade. Extrovertida por natureza, conhecer pessoas nunca foi um problema, mas construir algo além do superficial foi muito difícil, na melhor das hipóteses. Às vezes, evitar parecia ser a melhor estratégia disponível. Não seria mais fácil se não tivéssemos que lidar com as pessoas?

Em Chasing Francis por Ian Morgan Cron, o narrador da história tem uma conversa com um frade Franciscano, que lhe conta que era um professor e depois tornou-se um eremita. No inicio dos seus dias de isolamento, no entanto, ele disse, “o Senhor Jesus me disse que ser um eremita era muito fácil.”

Ele estava certo. Evitar –  ou talvez, apenas a distância que criamos estando sempre tela a tela ao invés de cara a cara – é muito fácil. Porém, não fomos chamados para uma vida fácil e confortável.

Os últimos anos de ser estranha, sentir-se deixada de fora, lamentando o que disse e desejando que eu pudesse começar de novo, me ensinou que os meus ideais não iriam mudar o difícil dia-a-dia dos relacionamentos.

Fiz 30 anos este mês – e ainda sou uma criança de várias formas – mas estou entrando nesta nova fase compreendendo mais as pessoas e como todos podemos nos relacionar bem.

Você é o fio condutor de cada um de seus relacionamentos

Em uma palavra, a lição que levo desses últimos 10 anos é: auto-conhecimento. Eu não sabia e não tinha isso quando tinha 20 anos, as pessoas podiam me decepcionar tantas vezes antes mesmo que eu enfrentasse minhas expectativas, predisposições e comportamentos nocivos.

“Não sou eu, são eles. ” É esta mentira que nos mantem distante dos grupos que desejamos. Se você quer que as pessoas saibam o que você precisa, você tem que dizer a elas. Se ninguém consegue alcançar o que você define como ser um bom amigo, talvez o problema tenha menos a ver com eles e mais a ver com as suas expectativas. Se cada chefe ou supervisor são “irracionais” da mesma forma, o que mais podem fazer para se comunicar?

Apresente-se. Inicie um grupo. Siga em frente com novas pessoas. Tome a iniciativa. Seja agradável. Seja generoso.

Se você é o fio condutor comum dos seus relacionamentos, como você pode promover um grupo mais saudável em 2016?

Relacionamentos ficam mais fortes nos momentos difíceis do que nos bons

Em algum lugar entre os 20 e 30 anos de idade, eu parei de definir meus relacionamentos exclusivamente pelos seus pontos altos –  conversas profundas e as ótimas noitadas –  e comecei a defini-los mais pelas cicatrizes e marcas obtidas através das lutas.

As pessoas nunca irão satisfazer as nossas expectativas, especialmente se estamos comparando-os com alguém que nós conhecemos em uma cápsula isolada no tempo –  como a faculdade. A história tem mostrado que as minhas expectativas têm uma tendência a me cegar. Elas me impedem de ver as expressões práticas do amor ao meu redor, como os amigos ajudando meu marido e me mover quando eu estava doente demais para fazer isso sozinha, trazendo alimentos no dia que perdemos um bebê em um aborto espontâneo ou cuidando dos nossos filhos para que eu pudesse estar com o meu avô antes dele morrer.

Em curtos 10 anos, eu tenho visto amigos casando, divorciando e lutando para não se afastarem. A maioria de nós já disse adeus a pelo menos um bebê, enquanto outros têm sofrido com a dor da infertilidade. Casas destruídas pela separação, o luto pela morte de um dos pais ou uma doença mental que ameaçou tirar a própria vida, cada marca dolorida age como uma chama que refina e fortalece. As peças triviais queimam e o que resta tem um pouco menos de brilho, mas muito mais poder.

Isso leva tempo

Shauna Niequest escreveu, “Vulnerabilidade acontece quando você é corajoso e dá o primeiro passo, quando você tem um lugar seguro e espera, quando você gasta horas suficientes para criar algo realmente durável para que a verdade apareça em uma grande, adorável e rica bagunça. “

Nós não somos uma geração que ama um longo investimento. Nós gostamos da ideia de amizades que duram por décadas, mas nem sempre gostamos de nos expor uma vez que estamos entediados, aborrecidos ou desiludidos.

Bons relacionamentos levam anos. Anos para mostrar-se, ser desajeitado, indo e voltando. Nada grande é construído durante a noite. Esses anos são de trabalho conjunto para construir a estabilidade, criando espaço para o real crescimento, como raízes entrando profundamente no solo.

Eu pensava que meus amigos simplesmente se “sentiriam” meus amigos, como uma espécie de tribo que eu sabia que era parte. Agora eu acho que os meus amigos são as pessoas que eu mantive por meio de uma decisão consciente. Nem sempre entendemos um ao outro e nós nem sempre sabemos como nos relacionar ou apoiar o outro, mas estamos de braços dados de qualquer forma, porque sabemos que não fomos feitos para viver por conta própria.

Me questiono por quantas manhãs Jesus quis se esconder e quantos dias Ele resistiu à tentação de se isolar, porque Ele sabia o quanto precisávamos da Sua vida. Nós não precisamos apenas ouvir sobre isso. Precisamos experimentar.

Se queremos imitar a Cristo, temos de viver no meio de pessoas e tudo o que vem com elas.

É verdade que nos menores grupos e com menos envolvimento cara a cara é mais fácil, mas nós não fomos chamados para uma vida fácil. Fomos chamados para algo mais amplo, para cruzar fronteiras que só podemos passar quando estamos ligados e comprometidos com os outros, aqueles que amamos sem esforço e aqueles que precisamos de esforço para amar.

Então está aqui uma chamada para todos deixarem a zona de conforto em 2016, deixando de lado o que é fácil de tomar posse para algo mais valioso.

Traduzido e Adaptado por Lilian Moscardini. Original aqui.

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