Como a nossa geração está mudando o ambiente de trabalho

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Uma nova era de responsabilidade corporativa

Por muitas gerações, os jovens vêm sendo agentes de mudança na sociedade, dando início a revoluções culturais e políticas que mudaram a paisagem para todos. Muitos tem se perguntado se a “geração millenium” teria coragem para inaugurar uma mudança semelhante.

Nos últimos três anos, a geração millenium tem atendido ao chamado de levar mudanças nas principais áreas da sociedade. Em todo o mundo, os “vinte e poucos anos” de hoje trouxeram criatividade na resolução de problemas, conhecimento de tecnologia e mídias sociais e como usar de forma eficaz, a paixão e a iniciativa para questionar a maneira como as coisas são ou, até mesmo, protestar. Eles conhecem as questões atuais que precisam ser abordadas e não têm medo de se levantar e exigir mudanças, embora trabalhem para cria-las, ao mesmo tempo.

O mundo precisa de uma revolução no ambiente de trabalho e esta geração (millenium) está pronta para assumir a liderança. Essa geração tem voz importante na definição do futuro do trabalho para as próximas gerações, e é hora desta geração começar a mudar o sistema.

O Sistema do passado

O capitalismo pode ser uma coisa ótima. Análises de todos os sistemas econômicos testados ao redor do mundo nos últimos 200 anos mostram que o livre mercado se destaca como o sistema que provou que pode elevar da pobreza nações inteiras, inspirar o desenvolvimento e o progresso, e trazer qualidade de vida sustentável para a maior parte da população.

Empresas precisam discutir qual é a sua responsabilidade social, não só para o meio ambiente, mas para seus empregados e comunidades. No entanto, um vírus não identificado e não regulado pode estar inserido no capitalismo, conforme as pessoas se tornam mesquinhas e gananciosas. Essa doença tem a capacidade de fazer com que o sistema tombe, impedindo o avanço de muitas pessoas na sociedade.

A pergunta que devemos fazer é: “nós aumentamos os lucros a qualquer preço? Há um limite? Como isso afeta não só nossos acionistas, mas a sociedade como um todo?”. Temos exemplos de companhias como a Enron, que fez um ótimo trabalho aumentando o valor das ações para seus investidores às expensas do público. Quando a companhia faliu em 2001, empregados perderam seus trabalhos, investidores perderam seus investimentos e o público percebeu que a empresa havia lucrado às suas custas durante a posse de executivos que se tornaram doentes da ganância.

Nossos pais e avós tinham uma espécie de contrato social com seus empregados, que seriam leais e bateriam o relógio de ponto das nove da manhã às cinco da tarde todo dia útil. Em troca, a empresa pagaria um salário estável, seguro saúde e aposentadoria.

Ao longo do tempo e em busca de lucro, empregos foram despachados para o exterior, empresas diminuíram seu tamanho e a aposentadoria foi retirada dos funcionários, além do seguro saúde, que gradativamente foi reduzido e, em muitos casos, não é disponibilizado de forma alguma.

A responsabilidade de servir

Precisamos de uma nova era com responsabilidade social, onde as empresas entendam que seu papel envolve mais do que aumentar o valor de ações. Queremos que as empresas sejam bem sucedidas, mas não à custa dos trabalhadores, da sociedade ou do meio ambiente.

Ter responsabilidade para com todos os cidadãos não é apenas uma boa questão para os negócios, mas também uma questão bíblica. Em Levíticos 23:22, ordenou o Senhor: Quando fizerem a colheita da sua terra, não colham até às extremidades da sua lavoura, nem ajuntem as espigas caídas da sua colheita. Deixem-nas para o necessitado e para o estrangeiro. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês.”

Se Deus quisesse nos fazer maximizar os lucros, Ele nos diria para recolher as “beiradas” e até o último grão. No entanto, Ele tem um plano diferente. O proprietário de terras, a pessoa de negócios, deve ter a capacidade de prover para aqueles em seu meio, criando um sistema onde alguns seriam deixados para trás e outros poderiam ser mantidos. Devemos pensar em como isso se aplicaria na sociedade moderna.

Maximizar os lucros e, em seguida, simplesmente doar em caridade, beneficia sim os mais pobres, mas não realiza de fato o que a passagem de Levíticos trata. As pessoas ganham valor e auto-estima a partir da habilidade de trabalhar e servir em algo para a sociedade. Um dos melhores presentes que os empresários podem prover é o emprego.

Deve haver um equilíbrio entre os lucros, certificando-se de que aqueles em nosso meio são capazes de prover para si e para suas famílias. As empresas precisam discutir a responsabilidade social, não só em relação ao meio-ambiente, mas também quanto aos seus empregados e comunidades. A geração millenium precisa fazer essa conversa acontecer e guiar os que estão por vir.

A força do trabalho “millenium”

A geração millenium está em uma posição única para ingressar no mercado de trabalho e ter postos de influência, enquanto o mundo está passando por uma massiva mudança estrutural. Fornecer oportunidades para aqueles em nossa sociedade e cuidar dos funcionários requer que mudemos antigos paradigmas em nossos departamentos de RH. A antiga economia valorizava e recompensava a lealdade e longevidade no trabalho e não via com bons olhos aqueles com muitos empregos ao longo da carreira, mas na economia de hoje em dia, as empresas estão contratando pessoas para curtos períodos.

Em média, se prevê que a geração millenium venha a ter pelo menos de 8 a 14 carreiras diferentes ao longo da vida. Nosso novo sistema deveria valorizar aspectos como a qualidade de trabalho, excelência demonstrada, capacidade de pensamento crítico, flexibilidade, trabalho em equipe, resolução de problemas e criatividade à longevidade no trabalho.

A geração millenium também precisa ajudar a reestruturar o balance da vida corporativa. Com a proliferação da tecnologia que nos conecta a nossos trabalhos 24/7 de onde quer que estejamos, a jornada de trabalho de 40 horas por semana está se tornando uma relíquia do passado. O trabalho pode facilmente escoar para todas as áreas de nossa vida.

No entanto, a maré está mudando e as pessoas estão requerendo mudanças. Desconectar-se depois de horas é fundamental. As empresas que lideram essas mudanças estão incentivando o melhoramento pessoal e advogando em favor de um estilo de vida mais saudável. Esse estilo de vida não só beneficia os funcionários, mas também reduz os custos com cuidados com a saúde e dias de trabalho perdidos.

À medida em que a economia freelancer cresce (estima-se que 35% da força de trabalho nos Estados Unidos é de freelancers), as horas de trabalho estão se tornando mais flexíveis. Algumas pessoas estão pedindo para trabalhar por 10 horas por dia, para ter um fim de semana de 3 dias. Algumas pessoas estão mudando seus horários para que possam deixar e buscar seus filhos na escola. Mais funcionários trabalham de casa.

A revolução freelancer deve inspirar pessoas na faixa de seus vinte e poucos a fazer duas coisas: primeiro, buscar meios de gerar uma segunda fonte de renda fazendo o que se ama para outra empresa. Em segundo lugar, buscar formas de ter um horário flexível que melhore sua qualidade de vida.

Como essa nova economia é construída ao nosso redor, é importante assegurar que as mudanças sejam boas tanto para o funcionário quanto para a empresa. A geração millenium está em uma posição única para ingressar no mercado de trabalho e ter postos de influência, enquanto o mundo está passando por uma massiva mudança estrutural. Não desperdice esse momento histórico de fazer mudanças que beneficiarão gerações futuras.

Uma revolução no ambiente de trabalho é necessária a fim de assegurar que as empresas sejam boas administradoras do ambiente em que seus funcionários e comunidades servem. Precisamos fazer das empresas com a mentalidade de “lucro a todo custo”, uma relíquia do passado. Com o uso sábio da tecnologia, transparência e ativismo, essa geração será capaz de reformar o ambiente de trabalho como nenhuma geração anterior teve a capacidade de fazer.

 

Traduzido e Adaptado por Laura Burity. Original aqui.

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