Com a Palavra // Violonista

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Sabemos muito bem que nem todas as igrejas são “abençoadas” com músicos profissionais ou que no mínimo se dedicam semanalmente em aprimorar o conhecimento acerca do seu instrumento. O mais natural é pastores e líderes contarem com voluntários que, dentro dos seus limites, procuram ajudar no ministério de música. A igreja deve proporcionar e dar oportunidades para seus membros, assim como deve fornecer cursos e incentivá-los a fazerem tudo com excelência.

Existe um exigência muito grande para que o louvor seja bom e agradável, mas nem sempre todos estão dispostos a “pagar o preço” para que isso se torne uma realidade. Foi com base nisso que criamos essa série. Queremos proporcionar e desenvolver o conhecimento sobre os instrumentos mais utilizados nas igrejas, compartilhando dicas, visando o enriquecimento e a melhoria de cada músico. Obviamente que não conseguiremos ser amplos e tão profundos no assunto, mas acreditamos que tudo o que for dito será de grande proveito para você.

Para cada instrumento convidamos um músico que estudou/está estudando com plena capacidade e propriedade para falar sobre o assunto.

Quem escreve hoje…sou eu mesmo hehehe

Paulo Neitzke

pauloFormado no Curso Técnico de Música do Instituto Canzion em SP, estuda violão desde os 13 anos, estudou um ano de canto na EM&T, está no último ano do curso Master Of Divinity em Estudo Bíblicos e Pastorais no Seminário Teológico Servo de Cristo-SP. É líder de música na Igreja Batista do Itaim e professor de violão e bateria.

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Violão

O violão faz parte da categoria instrumentos de “cordas”. O violão originou um ramo da música clássica ou erudita, composta por obras escritas especialmente para tirar partido das suas possibilidades expressivas, geralmente prelúdios e concertos, embora qualquer forma de composição musical possa ser utilizada por ele.

Na execução do estilo clássico o uso mais frequente é uma linha melódica tocada nas cordas agudas e a base no baixo, escalas e arpejos são tocados simultaneamente à melodia principal.

Na música popular são utilizados para acompanhamento do canto e a execução frequentemente é harmônica. O que predomina nesse estilo são os acordes, com variações de linhas melódicas, o violão funciona como base, conduzindo o ritmo e as vezes complementando com escalas.

Acredite já foram feitos violões de 5 cordas (nos primórdios), hoje em dia o mais comum é o violão de 6 cordas, além dos de 12 cordas e alguns músicos clássicos usam violões de 7 cordas, mantendo a afinação básica e adicionando a nota B na sétima corda. Além da diferença no número de cordas, o violão é um instrumento que recebe outras características, por exemplo: no violão clássico é feito o uso de cordas de nylon, já o popular as cordas são de aço. A diferença se dá na sonoridade e no estilo musical desejado.

Violão na igreja

Se existe um instrumento que nunca falta na igreja é o violão. Sempre tem um irmão que toca ou que pelo menos dá aquela força durante o louvor. É muito bom poder contar com um número grande de pessoas que saibam tocar, mas existe uma diferença entre tocar e tocar com habilidade.

Muitos pensam que o violão é simples e o seu papel é apenas acompanhar a voz e fazer a base para a banda. Em partes isso faz sentido, mas você pode fazer tudo isso de forma errada. Um violão mal tocado prejudica o vocal, prejudica o restante da banda e pode tornar o louvor um desastre.

Comecei a tocar na igreja muito cedo, e não comecei com um bom violão e muito menos um violão elétrico. Lembro que a primeira vez que toquei foi em um culto de adolescentes, fiquei bem escondido tocando um violão acústico, sem microfone nem amplificação (nem eu conseguia me ouvir tocando hehehe). Não tocava pela banda, tocava por mim mesmo e só. Graças a Deus fui liberto disso. Mas demorou um tempo. Estudar muito, a prática em banda e as dicas de amigos me fizeram crescer ao longo do tempo e ainda fazem.

Existem alguns perigos quando você começa a tocar, mas também existem perigos quando você já toca há muito tempo.

Quando você começa, geralmente é da mesma maneira como eu citei acima, você toca demais, toda hora tá batendo no violão, enchendo de acordes e notas (nem sempre as certas) e acha que está abalando, fora que você não está preocupado com o resto; porém quando você toca há muito tempo você corre o risco de se achar demais! Antes eram muitas notas, mas agora você tende a destacá-las demais. Cada nova escala ou arpejo o momento de testar é no louvor, mas nem sempre é para glorificar a Deus e sim para quem está assistindo olhar para você. Sempre que nós músicos chamamos muito a atenção da igreja isso não é um bom sinal. Nunca permita que seu ego domine você. Aplausos virão pelo seu esforço e trabalho, mas lembre-se de quem é a glória. Mais vale um músico humilde do que um que se acha demais. Você já deve saber: louvor não é palco para show.

Dicas

Quero dar algumas dicas para você que toca, sobretudo em banda:

  • Nunca pense só em você, um dos sinais que você pensa demais em si mesmo é o quanto de volume você dá em relação aos demais instrumentos;
  • “O mais é menos” – Não há necessidade de tocar toda hora, sinta a música e nas partes que você pode preencher mais faça uso do dedilhado;
  • Se existe mais de um violão ou guitarra na banda, nunca toque na mesma região. Faça uso do CAGED ou do CAPOTRASTE (quando muitos instrumentos tocam na mesma região a tendência é que o som fique embolado)
  • Mantenha sempre uma fina sintonia com a banda, principalmente com o guitarrista e tecladista;
  • Estude com metrônomo;
  • Respeite a cifra – é comum encontrarmos acordes que não são tão utilizados em músicas nos cultos, estou falando de acordes mais complexos, não dê um ‘migué’ pra fazer o simples e fingir que ninguém está vendo. Se a música está pedindo, por exemplo um DÓ SUSTENIDO MENOR COM A NONA E DÉCIMA PRIMEIRA não é pra você fazer DÓ SUSTENIDO MENOR. Tá faltando nota aí, meu filho. Adicione teoria musical na sua vida e aprenda a fazer todos os acordes; inversões de acordes também precisam ser respeitadas;
  • Se aproprie da melodia da música para em certos momentos acompanhar a voz principal;
  • Respeite o estilo musical – tem gente que faz o mesmo estilo em todas as músicas. Toca JAZZ como se estivesse tocando sertanejo. NÃOOOO! Procure ser eclético e saiba o máximo das característica dos estilos;
  • Faça o uso de efeitos – Não é só o guitarrista que precisa investir em pedais de efeito. Adicione um REVERB, DELAY ou até mesmo um COMPRESSOR, você, sua equipe de louvor e a música podem ganhar muito com isso. Existem algumas pedaleiras exclusivas para violão, separe um dia e vá até uma boa loja de instrumentos e faça alguns testes.
  • Fundo musical – geralmente em algumas igrejas, alguém faz um fundo musical enquanto a oração está acontecendo ou alguém está ministrando, essa não é a hora para você usar novos acordes muito menos fazer testes. Seja simples e toque somente quando for necessário. Porque tocar por tocar não é um bom motivo.

 

Minha última dica é mais voltada para o instrumento em si, tenha um bom violão, o investimento é alto mas a compensação de som e qualidade são indiscutíveis. Não basta ter um bom violão, precisamos cuidar e mantê-lo em excelentes condições. A cada semestre leve seu instrumento para um luthier e faça os ajustes necessários, seja na escala ou na manutenção da madeira e demais peças. Hoje em dia tudo está caro, inclusive as cordas. Existem cordas com um revestimento especial, no meu caso, preciso muito delas, por suar muito nas mãos as cordas enferrujam rapidamente, talvez seja também o seu caso e vale o investimento. Além de cordas revestidas, existem alguns produtos para limpeza e manutenção das cordas. Cuide do seu instrumento!

Com certeza existem outras dicas e ferramentas das quais nós podemos encontrar, mas acredito que essas são as mais relevantes tanto para quem está começando quanto para quem já toca. Busquei mencionar as coisas que tenho aprendido até aqui.

 

Referências

São inúmeras as referências, mas aqui vão algumas delas:

João Alexandre é um cara que admiro não apenas pelo seu riquíssimo talento, mas também pelo seu caráter e posicionamento como músico cristão.

 

Josh Wilson, conheci por meio desta interpretação solo usando looping e alguns efeitos.

 

Não pode faltar o incrível Jon Gomm. Percussão, harmonia e um só violão.

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