Com a Palavra // Tecladista

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Sabemos muito bem que nem todas as igrejas são “abençoadas” com músicos profissionais ou que no mínimo se dedicam semanalmente em aprimorar o conhecimento acerca do seu instrumento. O mais natural é pastores e líderes contarem com voluntários que, dentro dos seus limites, procuram ajudar no ministério de música. A igreja deve proporcionar e dar oportunidades para seus membros, assim como deve fornecer cursos e incentivá-los a fazerem tudo com excelência.

Existe um exigência muito grande para que o louvor seja bom e agradável, mas nem sempre todos estão dispostos a “pagar o preço” para que isso se torne uma realidade. Foi com base nisso que criamos essa série. Queremos proporcionar e desenvolver o conhecimento sobre os instrumentos mais utilizados nas igrejas, compartilhando dicas, visando o enriquecimento e a melhoria de cada músico. Obviamente que não conseguiremos ser amplos e tão profundos no assunto, mas acreditamos que tudo o que for dito será de grande proveito para você.

Para cada instrumento convidamos um músico que estudou/está estudando com plena capacidade e propriedade para falar sobre o assunto.

Diego Ribeiro

 

diegoDiego Cavalcante Ribeiro tem 33 anos, casado com Luciana Milani Ribeiro, é formado em piano popular pela Fundação das Artes em São Caetano do Sul e Bacharel em Regência pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Iniciou seus estudos musicais desde pequeno, aos 8 ano de idade e nunca mais parou. Natural de São Caetano do Sul, é membro da Igreja Batista em Vila Gerte, exercendo uma boa parte do seu ministério como músico. Trabalha atualmente com o Coro da Igreja Presbiteriana de Alphaville e faz parte do quadro docente do Instituto Canzion Brasil. Esta se preparando para continuar os estudos seguindo para um mestrado na área musical.

 

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Piano e Teclado

A primeira pergunta que a maioria dos alunos fazem aos seus professores quando iniciam uma aula de piano é: “Qual a diferença entre o piano e o teclado?”. A resposta é simples, o piano é um instrumento acústico que não necessita de energia elétrica para o seu funcionamento e sua sonoridade é mais pura. É formado por martelos que são ativados pelas teclas e batem nas cordas esticadas que estão presas numa estrutura de metal ou madeira. Criado pelo italiano  Bartolomeo Cristofori em 1711, o piano contém 88 teclas pesadas e com uma ampla extensão sonora entre graves e agudos. O piano pode ser vertical, ou também conhecido como “baú”, e o famoso piano de cauda podendo medir de 1,80 a 3 metros.

O teclado, por sua vez, é um instrumento de tamanho e funções variadas, ampliando um pouco mais o seu uso em alguns estilos musicais. É um equipamento eletrônico com timbres e recursos variados e, como a grande maioria, é mais fácil de serem transportados do que o piano. Os tamanhos mais comuns são os de 61 teclas, 76 e os pianos digitais de 88. Os teclados podem ser divididos em três categorias:

  1. Arranjadores, que são aqueles que contêm acompanhamentos musicais e uma grande variedade de timbres e normalmente são usados por iniciantes. O modelo mais comum utilizado e indicado para iniciantes é o PSR da Yamaha.
  2. Sintetizadores são equipamentos que possuem o recurso para a alteração de frequências, modulação, efeitos e edição de timbres. Muito comum nos anos 70. Uma das marcas mais conhecidas para este equipamento é o famoso Moog, mas outros sintetizadores também se tornaram famosos e apesar de antigos, são utilizados por muitos até hoje como: Roland JD-800, Roland D-50, Roland Xp 10, Roland Xp 30, Roland Xp 80, Korg M1, Yamaha DX7, Yamaha CS-80, dentre outros.
  3. Workstation são instrumentos que possuem grande variedade de timbres e samplers e são sequenciadores para composição. São muito utilizados em estúdios.Alguns modelos prevalecem um pouco mais para essa categoria como: Yamaha Motif, Korg Kronos e Roland Fantom.

Existem também os controladores que são teclados sem nenhum timbre e que dependem de algum equipamento, normalmente notebooks ou módulos, com plugins para gerar os sons desejados, além de poderem controlar outros teclados com conexão via MIDI. Os controladores também podem variar seus tamanhos tendo de 25 teclas, 37, 49, 61, 76 e 88. A marca que prevalece com este equipamento é a famosa e confiável M-Audio, que produz os modelos Axiom, Code , Keystation e Oxygen

Qual a diferença?

O piano permite o estudo de dois estilos, o erudito e o popular, enquanto o teclado apenas do popular. O estilo erudito é aquele em que o aluno vai desenvolver a capacidade e a técnica de executar músicas de compositores como: J.S. Bach, Mozart, Beethoven, Chopin, Shumann dentre outros. É um estilo que exige muito estudo e muita técnica para ter uma boa interpretação e perfomance. Já no popular, o aluno desenvolve a capacidade de executar estilos como: jazz, blues, bossa nova, pop, latin dentre outros. Mas são estilos que também vão exigir muito estudo e técnica do aluno para uma boa execução e perfomance.

Tocando em banda

Cada estilo musical exige uma “pegada” diferente, ritmo e harmonia. Para isso, você precisa conhecer um pouco sobre os ritmos musicais e escutá-los para saber fazer uma boa interpretação. É claro que cada um desenvolve um estilo próprio baseado naquilo que esta acostumado a escutar e a tocar. Se você não toca e nem escuta jazz, por exemplo, vai ter dificuldades quando precisar interpretar este estilo musical.

É preciso entender como funciona para entender a função do seu instrumento dentro daquele estilo musical. Vamos trabalhar com alguns exemplos. Nos estilos Pop, Pop Rock, Balada, são mais utilizados teclados com variações de timbres como: Piano acústico, Ep Piano, Rhodes, Strings. Os pianos com efeitos de chorus, reverb, são muito usados nesses estilos musicais.

O tecladista, nesses estilos citados acima por exemplo, tem diversas funções harmônicas, rítmicas, melódicas com introduções, interlúdios, frases de efeito e assim por diante. Um jazz, por exemplo, apesar das variações do estilo como Smooth Jazz, Mellow Jazz, Classic Jazz, Jazz Balad, Cool Jazz, dentre outros, o timbre predominante é o piano acústico.

O pianista trabalha a riqueza harmônica com acordes dissonantes. Aberturas tradicionais do estilo ,como as aberturas em quartas em segundas, clusters, 4way, e outras, trabalham muito a improvisação e partes rítmicas também, mas rítmicas predominantes no estilo musical. Uma bossa nova, por exemplo, considerado como o Jazz brasileiro, o pianista utiliza os mesmos padrões de um Jazz, a mesma riqueza harmônica, mas o diferencial esta na estrutura rítmica brasileira.

Nestes estilos podem também ser usados timbres de Rhodes, EP Piano ou também conhecido como piano elétrico, timbres de vibrafone para improvisação.  O blues é um estilo musical que já permite, além do piano, usar timbres de órgão, hammond, principalmente em improvisações. Uma boa dica para saber como usar bem o seu instrumento em determinados estilos musicais e como selecionar os timbres necessários é a audição dos estilos que você irá executar. Escute, procure e se informe e você saberá administrar bem o seu instrumento e sua função dentro daquele estilo necessário.

Técnica e Estudo

Muitos instrumentistas se preocupam em estudar uma coisa ou outra, técnica ou teoria, mas as duas devem ser estudadas juntas e de forma intensa. A técnica é a capacidade de adquirir o domínio na digitação das notas musicais, gerando em muitos o virtuosismo. São pessoas que executam frases, escalas de forma rápida e com grande precisão. Trabalham a capacidade de executar grandes saltos melódicos com facilidade e executar melodias mais complexas.

Mas muitos abandonam um pouco o estudo teórico, que nada mais é do que o conhecimento daquilo que se esta fazendo. Muitos optam por “tocar de ouvido”. Executam lindos acordes, belas melodias, mas são analfabetos musicais. Não sabem explicar o que estão fazendo e muito menos escrever. É como uma criança que fala as palavras, mas não as escreve e nem as lê. É necessário que o músico instrumentista trabalhe os dois lados, o prático e o teórico, assim ele poderá desenvolver seu talento muito melhor e se tornar um grande músico.

As técnicas podem ser estudadas junto com a parte teórica e não apenas no estilo “erudito”. O pianista, compositor e arranjador Turi Collura, adaptou exercícios do famoso “Hanon”, usado por pianistas eruditos, para estudos populares.

http://www.turicollura.com/turiadmin/_temp/O-Hanon-na-Musica-Popular-237.pdf

São excelentes exercícios que vão desenvolver sua técnica e virtuosismo e, ao mesmo tempo, trabalhar o estilo popular. O mesmo pode ser feito com outros livros de técnica, como o famoso Czerny, usado por grandes mestres do piano. Basta usar sua criatividade ou pedir auxilio para um professor. Mas não abandone o estudo tradicional desses exercícios. Não adapte tudo para a música popular, mesmo que sua formação não seja erudita. Pratique-os da forma original para desenvolver excelentes técnicas e virtuosismo que vão ajudar no desenvolvimento popular. Grandes pianistas populares estudaram as técnicas eruditas, não fique de fora. 

Referências:

Existem muitos pianistas dos quais poderia listar aqui, mas segue pelo menos dois dos quais tenho como referência.

 

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