Com a Palavra // Guitarrista

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Sabemos muito bem que nem todas as igrejas são “abençoadas” com músicos profissionais ou que no mínimo se dedicam semanalmente em aprimorar o conhecimento acerca do seu instrumento. O mais natural é pastores e líderes contarem com voluntários que, dentro dos seus limites, procuram ajudar no ministério de música. A igreja deve proporcionar e dar oportunidades para seus membros, assim como deve fornecer cursos e incentivá-los a fazerem tudo com excelência.

Existe um exigência muito grande para que o louvor seja bom e agradável, mas nem sempre todos estão dispostos a “pagar o preço” para que isso se torne uma realidade. Foi com base nisso que criamos essa série. Queremos proporcionar e desenvolver o conhecimento sobre os instrumentos mais utilizados nas igrejas, compartilhando dicas, visando o enriquecimento e a melhoria de cada músico. Obviamente que não conseguiremos ser amplos e tão profundos no assunto, mas acreditamos que tudo o que for dito será de grande proveito para você.

Para cada instrumento convidamos um músico que estudou/está estudando com plena capacidade e propriedade para falar sobre o assunto.

Valdy Britto

valdy

Formado pelo conservatório Casa da Música e pela escola IG&T, Valdy Britto é um musico profissional. Ele é professor de Guitarra e Violão, leciona nas escolas Instituto Canzion, Academia de música e Casinha da musica. Ele dá aulas particulares e aulas por Skype. Faz gravações de disco e side man. Um dos seus últimos discos gravados foi ”Meu Acordar “ do cantor Paulinho Cabreira. Participa na Igreja Metodista Wesleyana desde o final de 2015.

 

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Uma Base

A guitarra, no contexto de algumas igrejas tradicionais, sempre foi e é um tabu ainda hoje, bem menos claro que nos anos passados. Mas a guitarra passou a ser reconhecida como um papel importante dentro da música cristã, em alguns casos com um papel de destaque.

O instrumento do qual sou apaixonado, a guitarra, me despertou pelos múltiplos sons que poderiam proporcionar. Para muitos, a guitarra só era usada e conhecida dentro do rock, principalmente por conta da distorção. Mas ela nunca perdeu o seu espaço e referência no samba, jazz, fusion, pop, blues e dentre outros.

Dicas

Costumo dizer que um bom guitarrista é o cara que não toca para seu benefício próprio, mas toca em forma coletiva. Sendo assim, o cara que escutou os grandes guitarristas solo ao longo de seus estudos, por muitas vezes tem que se contentar em guardar toda sua técnica, porque talvez todas aquelas informações não são necessárias para musica ou não se aplicam a prática em banda. Por isso, além de dominar o seu instrumento é sempre importante ter uma noção do que os outros estão fazendo.

Os estudos de guitarra devem ser constantes, DIÁRIOS, e uma das coisas mais difíceis de nos habituarmos talvez seja isso: saber que, para vencer os nossos desafios na música, devemos ter disciplina. Me deixe dar um exemplo bem básico: a mesma disciplina que você separa diariamente para o “BANHO” por exemplo… rsrs. Indiferente de como foi seu dia e indiferente das dificuldades, você sempre “TOMA BANHO” (ou deveria rsrs). Mesmo que o dia tenha sido ruim ou não, você deve tocar guitarra!

A forma como você estuda é muito importante, respeitando seus limites físicos e psicológicos. Você deve procurar entender a música e a guitarra. Exercícios de escala, harmonia, ritmo e repertório devem ser divididos no seu tempo de estudo. Por exemplo:

  1. Os músicos que tem um repertório muito grande, mas que por muitas vezes não sabem o que estão fazendo.
  2. Os músicos tecnicamente absurdos, mas que não conseguem tocar uma música do começo ao fim.

Evite esses extremos, busque ser um músico completo.

Outra questão muito importante: você é o que você escuta! Se você escuta pouca música, pouca musicalidade e informação você terá. Se você escuta muita música, muita informação e musicalidade você terá. Escute música em diversos estilos e possibilidades . Separe o “joio do trigo”, isso é necessário, mas sem pré-conceitos!

Estudos de guitarra não são resolvidos do dia pra noite. Não é como um fast-food, algo rápido e totalmente fácil. Estudos de guitarra requerem tempo e muuuuuuuuita paciência. Não deixe as coisas para a última hora ou na hora do ensaio. Busque fazer sempre a “lição de casa”.

SETUP

A maioria dos guitarristas pensam que, para um bom timbre, é preciso uma baita pedaleira, seguido de um ótimo amplificador e uma lendária guitarra!! Eu já acredito que o primeiro timbre dentre todos é a sua MÃO. Isso é o que faz a grande diferença na hora de tocar.

Eu acompanho cantores, gravações, aulas e workshops. Não uso o setup mais valioso do mundo e mesmo assim sou lembrado pelos timbres dos instrumentos que toco. Claro que tenho as minhas preferências. Sugiro sempre pedais analógicos, não necessariamente sendo qualquer um. Eu particularmente não gosto dos sons mais digitalizados de pedaleiras, apesar de terem melhorado muito ao longo do tempo, eles estão quase me convencendo, mas isso ainda deve demorar (rsrs). 

Pedais analógicos, vem com o som real da sua guitarra facilitando a sua timbragem, com timbres específicos, não como algumas pedaleiras que seguem fazendo 700 efeitos e mesmo assim nenhum deles convence ou atinge o som desejado.

Minha dica para um set de pedais é: comece com um bom delay, um overdrive, um compressor, um boster (se for muito exigente) uma boa “mão”, ou seja, uma boa técnica e mãos à obra (me desculpe a redundância). 

A guitarra no louvor

Outro fator extremamente importante é a colocação das guitarras em ministérios de louvor. Hoje, a grande maioria o faz de uma forma desordenada, fazendo coisas que a guitarra jamais deveria fazer. Sempre é muito importante a orientação de um professor em relação a isso. Lembro quando estudava em um conservatório, era extremamente cobrado pelos meus professores a deixar que todos os instrumentos tenham a sua participação, algo como “não improvisar o tempo todo, não tocar com a sonoridade excessiva, não usar distorção em certas ocasiões e sempre procurar tirar os louvores da maneira que ele é.” O ideal é um líder da banda escrever os arranjos e todos terem às instruções necessárias para a leitura, para assim realizar a sua tarefa com excelência e zelo pelo ministério 

É comum uma equipe de louvor fazer uma nova versão de alguma música. Neste caso, é importante manter as influencias do estilo que foi proposto para o arranjo. Os motivos rítmicos e melódicos fazem toda a diferença, sempre com propósito de fazer a música crescer em conjunto e não um instrumento de forma individual apenas. 

Referência

É primordial você ter boas referências, afinal de contas todo músico já disse que quer chegar a um nível baseado em outro artista. Não há nada de errado nisso e é importante ter alguém que você admire, se inspire e que sobretudo leve você a quebrar barreiras, possibilitando novos desafios. Para mim, um desses é Ritchie Kotzen. Pouco setup e um timbre bem peculiar. Vale a pena conferir.

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