Com a Palavra // Baterista

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Sabemos muito bem que nem todas as igrejas são “abençoadas” com músicos profissionais ou que no mínimo se dedicam semanalmente em aprimorar o conhecimento acerca do seu instrumento. O mais natural é pastores e líderes contarem com voluntários que, dentro dos seus limites, procuram ajudar no ministério de música. A igreja deve proporcionar e dar oportunidades para seus membros, assim como deve fornecer cursos e incentivá-los a fazerem tudo com excelência.

Existe um exigência muito grande para que o louvor seja bom e agradável, mas nem sempre todos estão dispostos a “pagar o preço” para que isso se torne uma realidade. Foi com base nisso que criamos essa série. Queremos proporcionar e desenvolver o conhecimento sobre os instrumentos mais utilizados nas igrejas, compartilhando dicas, visando o enriquecimento e a melhoria de cada músico. Obviamente que não conseguiremos ser amplos e tão profundos no assunto, mas acreditamos que tudo o que for dito será de grande proveito para você.

Para cada instrumento convidamos um músico que estudou/está estudando com plena capacidade e propriedade para falar sobre o assunto.

Taveira Júnior

taveira

Ele é pastor de adolescentes na Igreja Batista de Barreiros em Floripa e é casado com Franciele Oliveira. Estudou música e bateria no Instituto Canzion e atualmente faz graduação em Música Pela UDESC.

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A bateria no contexto do culto e igrejas

Esse instrumento pelo qual sou fascinado é uma ferramenta que hoje é fundamental para um ministério de louvor. Pretendo, com esse texto, trazer algumas especificações técnicas e praticas sobre o instrumento, o uso e os exageros desnecessários. Compartilho o conhecimento e experiências que adquiri durante minhas andanças nesse mundo da musica cristã.

Bateria pra quê?

É preciso inicialmente entender as funções técnicas do instrumento. A música é dividida em principalmente três elementos: harmonia, melodia e ritmo. A grosso modo, eles se definiriam assim:

  1. Harmonia: seria todos os sons tocados juntos e que simultaneamente formam, mediante algumas regras, uma harmonia entre eles.
  2. Melodia: é o “oposto”. São sons tocados de forma sucessiva formando linhas melódicas, nota por nota.
  3. Ritmo: é o conceito de andamento e percussão. O ritmo dá a “cara” da música. Na batera, ele é o groove ou a pegada.

Óbvio que esses três se relacionam e caminham juntos. A bateria é um instrumento que se enquadra especificamente no quesito ritmo e isso nos permite tirar algumas conclusões sobre o nosso trabalho como bateras dentro da banda. Nós temos que “dar o ritmo”. Essa é uma função básica, específica e essencial. Por isso, entenda que quando você for o batera que tocará no culto ou reunião de sua comunidade, seu trabalho é não deixar a peteca cair.

“Desvire” as viradas…

Quando comecei a tocar em minha igreja na adolescência, eu era extremamente fissurado por tudo o que eu estava aprendendo e isso me fez sofrer muito. Era muita virada, muita nota, muito “talento”. Mas eu sempre “caia no tempo” e travava uma batalha gigantesca com a banda. Demorei para colocar em prática aquela regra “menos é mais”. Por isso, a primeira dica pra você cumprir sua função com excelência é: dê o tempo certo, mantenha o beat e faça as viradas sempre dentro da quadratura e nunca enquanto o cantor está no meio de sua frase.

TurnArounds…

A melhor forma de entender onde aplicar as viradas são nos trechos que chamamos de “turnarounds“. Elas são feitas relativamente no fim das partes de uma música. Ali é a hora, é um compasso, o suficiente para preparar o que está por vir.

Tive um professor que, uma vez enquanto me olhava tocar, me interrompeu no meio de um exercício ao vivo e me perguntou porque eu toquei o prato naquele exato momento. Eu fique tipo, “Como assim?! Eu toquei o prato porque eu toquei, não tem uma lei específica para tocar os pratos, nem um manual ou regras, tem?” Ele me disse: se você não sabe porque o prato está naquele momento da música, significa que ele não precisa estar lá. Surge ai um novo termo para viradas: preparações!

As viradas preparam um refrão, crescem, puxam a banda pra cima e finalizam os climas. Um bom baterista não é aquele que preenche todos os espaços, mas aquele que consegue levar a banda consigo e fazer todos entenderem pra onde ele está indo apenas com suas baquetas. Pense nisso, viradas pontuais e objetivas. Deixe toda sua habilidade para mostrar no Youtube ou em trabalhos solos. Mas como uma banda? Seja uma banda! Ainda mais se for para o louvor de domingo, que tem outro propósito.

O Set…

Sou o baterista de uma igreja tradicional, temos irmãos de várias idades e por isso o batera sofre um pouco a respeito do volume e do equipamento. Por isso o Set é um assunto importante e que deve ser levado em conta. Sou super a favor de você ter o melhor pra tocar e um bom equipamento definitivamente favorece o músico, mas não se engane. Estudo também é um bom caminho, sugiro!

Por ser tradicional, hoje a solução para a barulheira e outros fatores acústicos da nossa congregação foi (contra minha vontade) a aquisição de uma bateria eletrônica. Sim, essa solução para nós não é a melhor, mas funciona em minha igreja. Não deixei de tocar por causa disso, mas é claro que é diferente e requer um pouco de conhecimento também. Todavia os sets acústicos (baterias normais) são realidade na maioria das igrejas e isso faz com que percebamos uma coisa: algumas bateras são feias e mal cuidadas.

Isso pode ser ou não responsabilidade nossa, mas não custa investirmos em cuidar um pouco desse equipamento. Bateria não é igual a um violão que você coloca no case todo domingo após tocar e leva pra casa. Mas algumas peças sim. Por isso, indico para você, que toca na igreja e lá tem uma batera, que invista em pratos e uma caixa. Isso é fácil de montar e desmontar e vai ajudar você muito a produzir um som de bom gosto.

Os pratos principais são: par de chimbals (hit-hats 14’’), um condução (ride 20’’) e um ataque (crash 16’’). Se você não conseguir tocar só com isso, mude de ramo colega. Meu pastor, que não é músico, me ensinou muitos conceitos e o que mais me lembro é ele falando: “o volume tá na sua mão, controle sua mão”(Isso antes da eletrônica, claro). E eu digo a mesma coisa pra você batera: o seu volume tá na sua mão! Se a sua igreja não tem tratamento acústico, cuidado com a sua “pegada”, estude exercícios de dinâmica e controle de força. Isso tudo faz parte de um bom Set.

O que estudar…

Você deve estudar de tudo. Mas eu quero me ater aqui a dois elementos importantes para o que foi falado.

  • Tempo: Estude seu beat e aperfeiçoe ele. Baixe um dos 378 metrônomos onlines que existem e aplique ele no seu ouvido na hora de praticar, isso vai te dar regularidade e firmeza no groove.
  • Groove: Estude com linhas de contra-baixo ritmos variados, você e o baixista devem ser um só, vocês ditam o ritmo e o peso, respectivamente. Por isso, caminhem na mesma direção e falem a mesma língua. Ouça os espaços vazios das musicas e pense: é ali! Ali que faço as preparações.

Espero poder ter sido útil em sua leitura. Indico alguns links de bateras que tem um groove reto e bom, aplicando suas viradas como preparações na hora certa.

 

 

 

 

 

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