Com a Palavra // Baixista

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Sabemos muito bem que nem todas as igrejas são “abençoadas” com músicos profissionais ou que no mínimo se dedicam semanalmente em aprimorar o conhecimento acerca do seu instrumento. O mais natural é pastores e líderes contarem com voluntários que, dentro dos seus limites, procuram ajudar no ministério de música. A igreja deve proporcionar e dar oportunidades para seus membros, assim como deve fornecer cursos e incentivá-los a fazerem tudo com excelência.

Existe um exigência muito grande para que o louvor seja bom e agradável, mas nem sempre todos estão dispostos a “pagar o preço” para que isso se torne uma realidade. Foi com base nisso que criamos essa série. Queremos proporcionar e desenvolver o conhecimento sobre os instrumentos mais utilizados nas igrejas, compartilhando dicas, visando o enriquecimento e a melhoria de cada músico. Obviamente que não conseguiremos ser amplos e tão profundos no assunto, mas acreditamos que tudo o que for dito será de grande proveito para você.

Para cada instrumento convidamos um músico que estudou/está estudando com plena capacidade e propriedade para falar sobre o assunto.

A palavra de hoje é com o Baixista. O dono do groove! Nosso convidado é

Eduardo Carvalho

eduardo

Começou a estudar contra-baixo aos 12 anos, fez aulas com o contrabaxista de jazz Jamil Lima curso de Músico Educadores – Espaço Musical. Atualmente trabalha como Músico e Produtor no Allon Estudio. Faz parte da Equipe de coordenação do Coletivo Música de Bairro – Projeto social de música para a periferia. Participa na Comunidade Presbiteriana Villa Lobos.

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Um pouco de História 

Grande parte da historia da musica que temos acesso e conhecemos hoje, tem sua origem na musica clássica, logo, o baixo também tem sua origem erudita, sendo derivado do violino, que gerou o violoncelo e o Contra baixo acústico. O contra baixo acústico trouxe a possibilidade de ser executado fora da musica clássica, tornando-se essencial para o blues e o jazz clássico, sendo um dos principais fundamentos desses estilos. Depois, surge o que conhecemos hoje: O contra baixo elétrico, sendo tradicionalmente um modelo ‘’JazzBass’’ de 4 cordas, porem nos dias de hoje é muito comum encontrarmos baixos de 5, 6 e até 7 cordas, obtendo variações entre baixos passivos e ativos.

Passivos: baixos que reproduzem seu som em função da madeira e dos seus captadores, extraindo um som mais “puro” e “original” se tratando de timbre e frequências.

Ativos: baixos que passam por um circuito que é pre-amplificado internamente, alterando as frequência e trazendo possibilidades na equalização. Necessitam de bateria de 9v ou 18v para seu funcionamento.

Existem também os baixos ‘’fretless ’’ que seria um baixo elétrico sem trastes, com cordas mais lisas, extraindo um som que transita entre o baixo acústico e o baixo elétrico.

Quebrando o tabu

O baixo (e junto com ele os baixistas), ao longo do tempo vem sofrendo certo preconceito, ganhando um estereótipo de um instrumento chato, de fácil manuseio e de pouca relevância; Levando-nos a ouvir frequentemente frases como: “porque sua guitarra tem 4 cordas?”, ou “sou guitarrista, mas vim pro baixo porque na banda já tem um guita melhor do que eu”, enfim coisas que banalizam o instrumento. No entanto, vejo que os baixistas vêm reconquistando seus espaços, além do surgimento de grandes baixistas, tenho visto constantemente aparecer grandes produtores, diretores musicais, que possuem como primeiro instrumento o contra baixo. E da mesma forma a aparição de instrumentistas muito virtuosos em técnicas e habilidades, tem gerado espaços para trabalhos do tipo “solo”, “Duo de baixos’’, “baixo e voz’’ e etc.”“. Sendo estes trabalhos que agregam valores ao baixo por não serem usuais ao instrumento e suas principais características/funções.

Cenário “Gospel”

Neste tópico pretendo ser breve, e talvez seja redigido até em forma de desabafo. A música Cristã, as igrejas, possuem uma influência enorme na música, pois ela é responsável pela formação de grandes músicos e isso em qualquer instrumento e estilo, e sempre fico surpreso com as novidades que vivem surgindo. No entanto o que me preocupa não condiz nada com a pratica do evangelho, é esse sistema de competição que existe entre os músicos, incansáveis foram as vezes em que em algum evento com varias bandas/grupos em que vi ( e vejo ) essa competição de quem toca mais, quem vai fazer as melhores viradas ou frases. Isso não agrega valor nenhum na nossa fé e no que confessamos, e isso também gera um risco em potencial pra música, ou a própria musica ( senso coletivo) acaba se perdendo para que um ou outro apareça “fritando” tudo (senso individual). Enfim, o quanto isso nos prejudica não da nem pra medir, voltemos para boa música, voltemos para o evangelho! Se você é músico na sua igreja, de sempre valor para o conjunto e nunca para si mesmo.

O contra-baixo na Música

Uma das coisas mais fascinantes  desse instrumento, é o  quanto sua função é completa dentro da música, pois o baixo está diretamente ligado as funções rítmicas e funções harmônicas.

O baixo é extremamente rítmico, está sempre gerando pulsos e cadenciando a música, exercendo o groove e o balanço juntamente com a bateria, por isso é essencial o batera e o baixistas estarem funcionando muito bem juntos, pois a bateria que por sua vez é totalmente rítmica, o baixo que também tem essa características, consegue dar mais “cor” para o ritmo da musica quando bem executado com a bateria. 

O baixo é extremamente harmônico, pois deve e tem a capacidade de tocar e acompanhar a harmonia das músicas tocando os acordes delas. Mas essa parte da função do baixo, nem sempre é executada de forma completa, veja vem acima eu disse que o baixo deve tocar os acordes e não as notas, certo? Acontece que grande parte dos baixistas possui um “ouvido tonal”, ou seja, somente escuta e executa as tônicas de cada acorde, gerando uma falta de comprometimento com a Harmonia e empobrecendo a musica, pois mesmo que muitas vezes devamos mesmo apenas “tocar somente as tônicas”, nosso ouvido precisa estar ligado no acorde e nas sus tensões, pois é a partir das demais notas que compõem o acorde, que construímos nossos grooves, frases e até inversões.

Dessa forma concluímos que o baixo por exercer funções rítmicas e harmônicas, ele serve de ponte, ligando tais características da música, servindo de conexão da bateria (rítmico) com o teclado (harmônico ) ou percussão ( rítmico) com violão/guitarra (harmônico) e assim por diante.

O que e como estudar?

Como relatei em cima, os baixistas precisam se desvencilhar do “ouvido tonal”, sugiro começar a estudar as estruturas dos acordes, de forma bem básica começando pelas tríades( tônica, terça, e quinta ). Elas serão a base de todo e qualquer acorde, você passará a diferenciar acordes menores de acordes maiores, por isso estude todos os desenhos de tríades, reconhecendo-os em todo o braço do instrumento;  a partir daí estude as tétrades , que acrescentara as sétimas no desenho, gerando nossas estruturas de acordes, claro que todos querem aprender as escalas, os modos gregos etc, mas entendo as estruturas dos acordes, também facilitará a entender os acordes dentro de cada escala etc. Uma observação que sempre faço é que se estude os intervalos (alturas entre as notas)  com estudos de percepção e não só pratica no instrumento, que ajudará a desvencilhar do “ouvido tonal”.

O baixo por ser rítmico também, deve ser estudado com metrônomo ( alias todos os instrumentos devem! ) entendendo o funcionamento dos grooves junto com a bateria (sempre de olho no bumbo, buscando um padrão juntos), e esse lado rítmico também nos da margem pra explorar sons e técnicas, como o slap, uma técnica excepcional e muito utilizada.

Referências

Antes das minhas referências, compartilho também um vídeo do qual interpreto a música “The Chicken”

Eduardo Carvalho – The Chicken

 

Abraham Laboriel, um ícone dentro e fora da música Gospel, o motivo pelo qual me interessei pelo instrumento!

https://www.youtube.com/watch?v=I_zsZk6BBdE

 

Robinho Tavares, uma grande influência nacional minha, alguém que definitivamente incorporou as funções e os fundamentos do baixo em seus grooves.

 

Melvin Lee Davis, nessa música ele compõe a banda do guitarrista “Lee Ritenour”, utilizando o Slap para condução da musica de forma incrível (com direito a solo no meio da música)

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