Ashley Madison e a vergonha alheia

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Recentemente, uma grande quantidade de noticias deixaram o Corpo de Cristo com um olho roxo.

Vimos muitos nomes de pastores surgindo durante a invasão hacker do Ashley Madison e John Oliver colocou os holofotes (vídeo em inglês) sobre aqueles que tratam o Reino de Deus como um esquema de pirâmide.

Não sei você, mas quando essas histórias surgem nos noticiários, chego ao ponto de suspirar e balançar a cabeça.

Como eu deveria responder a (mais uma) falha por parte dos crentes?

Devo ir no Facebook e me juntar aos que estão detonando esses adúlteros? Devo ignorar e esperar que as noticias desapareçam? Devo sair e defender as pessoas que fizeram essas coisas?

Sabemos que todos são imperfeitos e que somos chamados para demonstrar misericórdia e amor para aqueles que definitivamente estragaram tudo, pois é exatamente isso que Deus fez por nós.

Mais isso ainda é frustrante.

É frustrante porque eu não posso corrigir ou desfazer aquilo que aconteceu. É frustrante porque, como seguidor de Jesus, me faz mal – como se todos nós fossemos uma farsa. É frustrante porque, como Corpo de Cristo, trouxemos esses escândalos para nós mesmos.

Embora não possamos consertar o que aconteceu, vamos pensar. Digamos que, uma vez que essas falhas estão em uma determinada parte do Corpo, temos a responsabilidade de trabalhar para trazer restauração e redenção onde existe quebrantamento e fracasso. Por isso, vamos falar sobre coisas que contribuam para evitar um novo escândalo.

Vamos falar sobre acompanhamento.

“Prestar conta” de algo pode nos fazer ficar nervosos. A ideia de escolher alguém e contar-lhe os mais profundos e sombrios segredos da minha alma, pedindo para que ele me policie com o intuito de me fazer alguém melhor – uma versão humana do antivírus – não é algo agradável.

E, se a prestação de contas não for um policiamento em sua vida? Na verdade, é como um treinador que ajudando-o a se tornar uma versão melhor de você mesmo.

Paulo escreve que devemos “encorajar e edificar uns aos outros” (1 Tessalonicenses 5.11).

Como seguidores de Cristo, somos chamados a ter padrões de vida mais saudáveis do que normalmente escolheríamos por nós mesmos. O trabalho daquele que está mantendo sua responsabilidade deve fornecer à você uma perspectiva adicional, não fazendo-o sentir pior sobre as coisas que você precisa desenvolver.

O trabalho dele não envolve torná-lo alguém melhor. Você é responsável por quem é. Eles são um recurso para ajudá-lo.

Aqui estão algumas medidas práticas que auxiliarão um acompanhamento mais positivo e útil à sua vida, proporcionando o mesmo à vida daquele que acompanha você:

NÃO ESCOLHA UM ESTRANHO OU UM MELHOR AMIGO

Antes de sentar com alguém (ou talvez, com um grupo de pessoas) e explicar o que você precisa, é necessário saber com quem você deseja ter esse acompanhamento.

É necessário encontrar alguém que você respeite, confie e que acredite ter uma fé genuína.

Escolher alguém que você acabou de conhecer no final de semana não é uma boa ideia. Olhe ao seu redor e pergunte à você mesmo quem são as pessoas que você confiaria a sua vida se fosse necessário.

Enquanto essa pessoa não deve ser um estranho, também sugiro que não escolha alguém você tenha grande amizade. Esta relação precisará dos dois estarem dispostos a falar honestamente; o medo de prejudicar uma amizade poderia dificultar esse objetivo.

Encontre alguém que você acredite ter a possibilidade de desenvolver esta relação e passe algum tempo investindo nela. Faça o seu melhor pra avaliar sua compatibilidade em um nível básico.

Aliás, você pode ter notado que não estou chamando essa pessoa de “parceiro (de policiamento)”. Há algumas razões para isso: em primeiro lugar, esse termo (pelo menos, pra mim) aponta para uma direção de acompanhamento que estamos querendo evitar. Em segundo lugar, é estranho. E definitivamente, não precisamos de mais termos e frases estranhas em nossas igrejas.

DEFININDO A AFINIDADE

Quando você inicia esse acompanhamento, a menos que você esteja pagando a outra pessoa (um conselheiro, um treinador e etc), isso precisa ser uma via de mão dupla.

Se apenas um compartilha tudo, um desequilíbrio será criado no acompanhamento. A confiança será mais fácil quando ambos enxergam um lado da outra pessoa que normalmente não é visto.

É quase como uma troca de casas ou das chaves dos apartamentos: estou dando o direito para que veja as minhas coisas, mas em troca, quero ser capaz de ver as suas. A vulnerabilidade, nos dois sentidos, é necessária para formar esse acompanhamento de verdadeira confiança.

FAÇA DISSO UMA PRIORIDADE

Coloque uma programação recorrente em seu calendário e priorize-a.

Vocês não podem se reunir apenas quando um desastre acontece. Você precisa dar um acesso regular a sua vida para essa pessoa. Reunir-se com essa pessoa, tanto em bons e maus momentos, é um ponto importante que permitirá que ambos forneçam um “feedback” útil.

Mais uma vez, esta pessoa não é um oficial da condicional espiritual. Ela será seu guia. Portanto, não basta estar presente apenas quando você comete uma asneira e precisa de alguém para colocá-lo nos eixos. Esteja presente quando estiver tentando descobrir para quais coisas Deus está chamando você, reconhecendo que precisa de alguém para ajudá-lo a alcançar isso.

Shane Claiborne diz que “as pessoas não esperam que os cristão sejam perfeitos, mas eles esperam que sejamos honestos.”

Ser honesto com alguém nos ajuda a sermos honestos com nós mesmos e com Deus (assim espero).

A melhor maneira de fazer com que essas questões parem de ser expostas ao mundo é não permitindo que elas cresçam nas sombras. Quanto mais nos expomos à luz da verdade, menor serão as possibilidades de novas situações vergonhosas para a Igreja.

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