O outro lado da (cultura) selfie

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Por ser alguém que passou pelo Facebook, Google +, Twitter, Skype, Messenger e Orkut, posso dizer que não sou um estranho no mundo das redes sociais.

Com certeza, em algum momento nos últimos meses, você deve ter escutado que tirar”selfies” é uma coisa egoísta e que as mídias sociais são anti-sociais. Muitos defendem as novas formas de mídia, focando na maneira como elas permitem que as pessoas interajam umas com as outras em todo o mundo.

Porém, como todas as tecnologias, as mídias sociais são uma ferramenta e para descobrir os aspectos proveitosos e morais de qualquer ferramenta, temos de olhar para as mãos que as seguram (ou os dedos que postam mensagens). Precisamos parar de culpar a tecnologia e começar a olhar para o nosso próprio comportamento.

Analisando todos os prós e contras, pude encontrar uma pergunta muito útil que pode nos ajudar na avaliação quanto as mídias sociais: estamos construindo uma comunidade verdadeira?

O LADO NEGATIVO

O uso excessivo das redes sociais leva à comparação, inveja e egoísmo. Ele se preocupa com a maneira como os outros enxergam a pessoa. Ao invés de construir um grupo, as horas gastas percorrendo feeds de noticias pode nos levar ao isolamento e solidão.

A mídia social pode ser um lugar que você exerce o controle sobre sua própria vida e na maneira como olham para você. Essa é a causa real para a obsessão de muitos com as redes sociais. Em qualquer rede social, a construção de um perfil cuidadosamente controlado se inicia mostrando apenas os nossos melhores momentos: no Facebook, preciso me sentir realizado; no Twitter, preciso ser hilário. Assim, ficamos cada vez mais focados em nossa busca por afirmação, atualizando a página do nosso navegador para ver quantos curtiram os nossos comentários ou fotos.

Quando o Facebook se transforma em uma vitrine de realizações e de novas oportunidades de emprego, é fácil fazer comparações e nos sentirmos inferiores. Porém, apesar das conquistas do meu próximo, esse tipo de comparação é falsa, uma vez que estamos olhando para as melhores partes da vida de alguém e não para a vida dela como um todo.

Quando você visualiza o perfil de alguém, você não esta vendo uma pessoa em suas lutas, falhas e confusões. Você não enxerga os momentos que o fizeram se sentir desanimado, mal sucedido ou mal amado. Uma verdadeira comunidade olha para além do véu das mídias sociais e se esforça para conhecer todo mundo.

O LADO POSITIVO

As redes sociais possuem suas vantagens. Com o Facebook, posso me manter atualizado sobre a vida dos meus amigos que vivem centenas ou milhares de quilômetros de distância. O Skype é quase milagroso. Posso falar com meus amigos que vivem em fusos horários diferentes, ver seus rostos e escutar suas vozes. Lógico, não é o mesmo que estar sentado ao lado deles mas é o mais próximo que conseguimos chegar.

As pessoas criticam a nossa geração pelo uso e compartilhamento excessivo das mídias sociais, mas algumas das pessoas que as usam, em sua maioria, são as mais empenhadas e carinhosas. Claro, às vezes os feeds mostram mensagens irreais, porém o Twitter, por exemplo, nos permite ficar a par dos acontecimentos antes de surgirem nas mídias tradicionais, sendo usado mundialmente na organização de movimentos sociais e eventos importantes, como o levante egípcio para deposição do presidente Mohamed Morsi em 2013 ou o Ocupe Wall Street.

O DESAFIO

Estar envolvido com tudo o que acontece no mundo não é bom se você também não estiver concentrado. É fácil pensar que somos habilidosos em realizar várias tarefas. Infelizmente, ser alguém “multitarefa” é um mito e fragmentar a nossa atenção apenas mostra que realizamos as nossas atividades de maneira distraída. Pior que eu me pego fazendo isso direto: olho o Facebook no telefone durante o jantar, vejo o Instagram durante uma conversa ou interrompo meu tempo de oração para ver uma mensagem.

Nesses casos, ficar conectado o tempo todo com os meus amigos distantes é indelicado quando estou com as minhas companhias e essa coisa de “multitarefa” não garante que elas recebam toda a atenção que merecem. Nossos relacionamentos físicos precisam ser priorizados. Tenho notado que durante as refeições, manter o meu telefone próximo de mim faz com que eu me distraia mais facilmente e isso não é justo com as pessoas ao meu redor.

Paulo nos diz, “Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens”. Isso se aplica em nossos relacionamentos e interações (inclusive com Deus).

Existe uma última coisa que precisamos lembrar sobre a construção de uma comunidade. É nova essa ideia de que precisamos nos manter constantemente conectados com nossos amigos ou pessoas significativas. Muitos esperam que a gente esteja com o telefone o tempo inteiro para que possamos responder as mensagens rapidamente. É importante que separemos um tempo de silêncio para que intencionalmente nos desliguemos, sendo recomendável e saudável ter um tempo para ler um livro, dar um passeio ou passar um tempo de qualidade com o nosso Criador.

Vivemos ocupados, mas Deus nos fala de momentos de tranquilidade e nos exorta, varias vezes, a esperar nEle. Elias testemunhou muitos elementos contundentes: um forte vento, um terremoto e um fogo. Mas Deus se apresentou em um sussurro suave, na calmaria após os desastres.

Estar conectado com as pessoas é algo precioso e fomos projetados para isso, porém a conexão mais valiosa que temos é com o próprio Deus.

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