Analfabetismo bíblico

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Enquanto muitos cristãos evangélicos estão preocupados em rejeitar a visão de mundo secular no cristianismo, temos que dar uma atenção para outro problema: o analfabetismo bíblico na Igreja. Esse problema, que pode parecer inofensivo, precisa de atenção e correção urgente.

Nos Estados Unidos, os pesquisadores George Gallup e Jim Castelli tratam do problema da seguinte maneira: “Muitos cristãos reverenciam a Bíblia, mas, em geral, eles não a leem. E justamente por não lerem, eles estão se tornando uma nação de analfabetos bíblicos.” Como isso é ruim? Eles dizem que isso é pior do que a maioria poderia imaginar.

Menos da metade dos norte-americanos adultos consegue nomear os quatro evangelhos. Muitos cristãos não identificam mais do que dois ou três discípulos. De acordo com dados do Barna Research Group, 60% dos norte-americanos não sabem mencionar até cinco dos Dez Mandamentos. “Não me admira que as pessoas não consigam praticar os Dez Mandamentos. Elas nem sabem o que eles são!”, disse George Barna, presidente da empresa. “Cada vez mais, os Estados Unidos se torna biblicamente analfabeto.”

Várias pesquisas apontam para o problema com termos austeros. De acordo com 82% dos norte-americanos entrevistados, a frase “Deus ajuda quem se ajuda” é um verso da Bíblia. A maioria dos adultos pensam que a Bíblia ensina que o propósito mais importante na vida é cuidar de sua família.

Algumas dessas estatísticas são suficientes para desorientar ainda mais aqueles que estão cientes do problema. Uma pesquisa indicou que pelo menos 12% dos adultos acreditam que Joana d’Arc era a esposa de Noé. Outra pesquisa feita com formandos do ensino médio revelou que mais de 50% pensavam que Sodoma e Gomorra eram marido e mulher. Um número considerável dos entrevistados em outra pesquisa indicou que o Sermão do Monte foi pregado por Billy Graham. Estamos em apuros!

Como a conversa cívica é despojada de todas as referências e conteúdo bíblico, os norte-americanos vivem cada vez mais em um espaço público livre da Escritura. Agora, compare isso com a situação evangélica que vivemos em nosso país. Você acha que isso é diferente aqui no Brasil? Creio que não. A ignorância do conteúdo bíblico é uma realidade triste que está tomando conta do nosso país também.

O escândalo maior é a ignorância bíblica entre os próprios cristãos. Escolha qualquer estatística ou pesquisa que você se interessa: o padrão será o mesmo. Os cristãos, tanto norte-americanos quanto brasileiros, conhecem cada vez menos sobre a Bíblia. E muitas vezes o que conhecem, acaba sendo interpretado de forma equivocada.

Muitos dos que se identificam como cristãos são igualmente confusos sobre o próprio Evangelho. Um indivíduo que acredita que “Deus ajuda quem se ajuda” terá imensa dificuldade de compreender que a salvação e a justificação são graça por meio da fé em Cristo.

Os cristãos que não têm conhecimento bíblico são produtos das igrejas que marginalizam o conhecimento bíblico. Muitas vezes, o ensino da Bíblia representa apenas uma pequena fração do tempo e da atenção da congregação local. O desenvolvimento dos ministérios de pequenos grupos tem gerado oportunidade nas comunidades e certamente colabora para a comunhão. Porém, muitos desses grupos nunca vão além do estudo bíblico superficial.

Ministérios de jovens são chamados para corrigir problemas, proporcionar entretenimento e manter as crianças ocupadas. Porém, quantas programações realmente produzem conhecimento substancial nos jovens?

Até mesmo o púlpito tem sido marginalizado em muitas congregações. Na adoração corporativa, a pregação ficou em segundo lugar. A centralidade da pregação bíblica, que busca a formação de discípulos, é perdida e a ignorância cristã leva à indolência.

Esse é realmente o nosso problema e cabe a esta geração de cristãos reverter esse curso. A recuperação começa em casa. Os pais devem ser os principais educadores de seus próprios filhos, ensinando-os diligentemente a Palavra de Deus (Deuteronômio 6: 4-9). Os pais não podem terceirizar a responsabilidade para a congregação, não importa quão fiel e bíblica ela seja. Deus deu aos pais essa responsabilidade e isso não é negociável. As crianças devem ver seus pais cristãos como professores ensinando a Palavra de Deus.

Igrejas devem recuperar a centralidade e a urgência do ensino bíblico e da pregação. Elas devem se recusar a pôr de lado o ministério de ensino. Pastores e igrejas que não se preocupam (ou vivem distraídos) e que não tornam o conhecimento bíblico um objetivo central de seu ministério produzirá crentes que simplesmente não sabem o suficiente para serem discípulos fiéis.

Não vamos acreditar mais do que sabemos e nós não viveremos mais alto do que as nossas crenças. As muitas frentes de compromisso cristão podem ser diretamente relacionadas com o analfabetismo bíblico e a ausência de pregação bíblica, seja nas igrejas ou nos lares.

Devemos pensar, com muita seriedade, sobre o problema do analfabetismo bíblico ou cada vez mais teremos pessoas pensando que Sodoma e Gomorra viveram felizes para sempre.

 

Traduzido e Adaptado por Paulo Neitzke. Original aqui.

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