A verdade por trás da expressão “estar no mundo, sem ser do mundo”

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Se você cresceu em uma família cristã, você provavelmente ouvia que os cristãos devem “estar no mundo, sem ser do mundo.” Seu pastor ou seus pais, de forma bem intencionada, normalmente traziam essa frase para advertir certas coisas, como por exemplo ouvir músicas “seculares” ou ver filmes impróprios.

Essa ideia tem o intuito de te ensinar cuidadosamente a ser engajado com a cultura, sem se envolver demais a ela. Mas, onde é a linha entre “estar” no mundo sem “ser”do mundo? Nós podemos sair, frenquentar bares e festas? Nos envolver na política? O que essa frase realmente significa? Onde ela aparece na Bíblia? O que a Bíblia realmente diz?

Pensando que o conceito de “estar no mundo, sem ser do mundo” é referência ao longo dos evangelhos, a frase em si não faz parte de qualquer versículo da Bíblia.

Entre o período da crucificação e ressurreição, Jesus usa a ideia como uma maneira de explicação para os discípulos do que estava por vir e prepará-los para a Grande Comissão. Em João, Jesus diz à seus discípulos, “Porque não sois do mundo, mas minha escolha vos separou do mundo.” (João 15:19). Ele também diz, “Eles não são do mundo como eu não sou do mundo”( João 17:16).

Em Romanos 12, Paulo escreve para a igreja de Roma, “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando a vossa mente, a fim de poderdes discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, agradável e perfeito.”

Nenhum desses casos diz respeito a tomada de decisões sobre o seu envolvimento na cultura ou na decisão de que tipo de atividades devem ser consideradas moralmente aceitáveis. Na verdade, há muito mais em jogo quando se trata de relacionamento dos cristãos com as coisas “do mundo”.

O Novo caminho

A mensagem do evangelho atribui a ideia que o mundo é um lugar “quebrado, caído” e Jesus pode consertá-lo.
(Obviamente, essa é uma simplificação bem generalista, porém a ideia é basicamente isso.) Nós somos ensinados através da salvação e graça de Jesus, que por meio dele recebemos uma vida nova. Como Paulo nos explica, “Portanto, se alguém está em Cristo, a nova criação chegou: O velho já foi, o novo está aqui!”

Mas isso não para por aqui. Sim, o evangelho é sobre nós sermos a luz no mundo e também sobre como aprender com Jesus a transformar esse mundo. Jesus introduz a oração a seus discípulos, “Venha nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade, a sim na terra como no céu.” Ele nos escolheu (a Igreja) para sermos instrumentos de mudança, que pode realmente trazer alinhamento aos padrões do mundo com os Seus princípios.

E é por isso que é importante ter o conhecimento profundo de “estar no mundo, sem ser do mundo.”

Padrões desse mundo

Sim, nós somos chamados a buscar a retidão e a nos ocupar com tudo que é “verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, admirável, excelente e louvável.” (Filipenses 4:8), mas nosso relacionamento com o mundo não é simplesmente sobre tentar evitar certas coisas na cultura que são censuráveis.

Estar no mundo significa que nós supostamente reconhecemos as coisas que estão erradas. Mas não podemos simplesmente tentar ficar longe disso, mas sim ajudar a consertar. É o que se trata na oração: “assim na terra como no céu”.

Em Mateus, Jesus apresenta a parábola sobre o que o Reino que está por vir. Na parábola, muitos grupos de trabalhadores são contratados por um agricultor em diferentes horários para trabalhar em sua vinícola. No final do dia, ele paga todos igualmente, mesmo os que só trabalharam por uma hora.

Os trabalhadores que trabalharam pelo dia todo ficaram enfurecidos com aqueles que foram contratados depois e iriam receber o mesmo salário. O agricultor desafiou-os fazendo uma pergunta, “Vocês estão nervosos porque eu sou generoso?”

Jesus disse que era essa a mensagem de Sua parábola: “Então os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos.”

É uma mensagem subversiva. É um dos desafios da nossa ideia de como pensamos que o mundo deveria trabalhar. Isso pressupõe uma generosidade acima da “justiça”. Graça acima da “correção”. Isso mostra que Deus (na metáfora do agricultor) é aquele que cobra – e Seus caminhos não são os nossos caminhos. São muito melhores.

No Reino de Deus, a viúva que doou seus últimos dez centavos deu mais que um homem rico. Em Seu reino, os mansos herdarão a terra e não os ricos, famosos e poderosos.

Seu reino opera diferentemente do mundo. “Você já deve ter ouvido: ‘Olho por olho, dente por dente.’ Mas eu digo, não. Resista ao mal. A quem te ferir numa face, oferece também a outra, a quem te arrebatar o manto, não recuses a túnica. Dá a quem te pedir e não reclames de quem tomar o que é teu.”

Tiago diz que a verdadeira religião não é sobre quem parece mais santo – é sobre quem está colocando a mensagem de Cristo em ação: “a religião pura e imaculada diante de Deus, nosso Pai, consiste nisto: Visitar os órfãos e as viúvas em suas tribulações e guardar-se livre da corrupção do mundo.”

O “guardar-se livre da corrupção do mundo” é colocado junto a instruções de como devemos viver “no” mundo.

Estar no mundo e não ser do mundo, não é apenas evitar o pecado: é viver a mensagem que Cristo nos ensina e Sua verdade servindo os marginalizados, todos os que sofrem injustiça, os refugiados, pobres, doentes, presos, nossos inimigos e “o menor deles”.

O caminho do mundo está quebrado, mas Cristo tem nos mostrado as diretrizes de como nós podemos consertar isso: Todos temos que fazer a escolha de “estar” no mundo o suficiente para reconhecer a injustiça e escolher o caminho de viver a justiça, praticar boas obras e proclamarmos o verdadeiro Evangelho de Cristo.

 

Traduzido e adaptado por Marina Bevilacqua | Original aqui

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