A realidade da ideologia de gênero

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Quero tratar de um assunto que tem gerado muita polêmica por aí: a ideologia de gênero e a sexualidade. Para discutir sobre assunto, precisamos ter duas coisas em nossa mente:

  1. Queremos entender qual a orientação da Bíblia sobre o assunto;
  2. Queremos amar as pessoas e odiar o pecado e nunca o contrário.

Seguindo estas diretrizes, mesmo aqueles que não acreditam na Bíblia, poderão ler esse texto e debater  educadamente sobre suas ideias, mesmo que sejam contrárias. Então, vamos ao assunto!

A questão da ideologia de gênero

Quero tentar exemplificar a questão.

Quando eu nasci o médico saiu da sala de parto e disse ao meu pai: “É um menino!”.

Meus pais me registraram como Roberto, colocaram um macacãozinho azul em mim, deram-me carrinhos e começaram a me tratar como menino. Quando dei por mim, ser homem era o normal. E não era?

É aqui que entra o debate. Para os defensores da ideologia de gênero este processo é encarado como uma opressão, uma padronização. Ninguém perguntou para mim se eu queria ser homem ou se eu gostava de ser homem, apenas me trataram como tal e me ensinaram como eu deveria me portar. Além do mais, segundo eles, quem disse que existe apenas homem e mulher? Por que não podemos ter ‘outros gêneros’? E se eu não quiser ser nenhum deles? E se eu quiser me transvestir, viver como uma mulher mas também quiser gostar de mulher?

Consigo perceber duas motivações por trás desse debate. A primeira está ligada aos movimentos feministas do século passado, os quais tinham dificuldade em lidar com a diferença entre homens e mulheres. Pareceu mais fácil eliminar as diferenças do que ensinar que nosso valor, sendo homens ou mulheres, é o mesmo, mas que nossas funções são diferentes.

Uma segunda motivação, bem menos filosófica, está ligada não à identidade de gênero, mas às práticas sexuais. Ser homossexual, dentro de uma sociedade que tem bem clara a distinção entre homem e mulher, é mais difícil do que em uma sociedade sem estas fronteiras.

Quem decide?

A primeira coisa que precisamos lembrar é que os gêneros existem e foram criados por Deus. Não são meramente uma invenção da sociedade e da cultura e nem uma imposição dos pais. A Bíblia diz que Deus nos fez homem e mulher.

“Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27)

Ele não somente criou os gêneros como também está intimamente ligado à minha criação, ou seja, quem me fez como sou foi Deus, e se nasci com um pênis ao invés de uma vagina, não foi por acaso, Deus me fez assim e eu devo agir com base nisso.

“Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe” (Sl 139.13)

É muito comum querermos distorcer o que Deus fez e seguirmos nossos próprios desejos. Vemos que os planos de Deus são melhores que os nossos (Is. 55.8) e o nosso próprio coração nos engana (Jr. 17.9).

Observe que em Efésios (texto abaixo) é descrito como seguimos influências que são contrárias a Deus, seguimos o príncipe deste mundo que é Satanás mas, principalmente, seguimos nossos próprios desejos.

“Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira” (Ef 2.1-3)

Deus é o criador do universo, ninguém tem maior sabedoria que ele e nós, simples criaturas com síndrome de grandeza, imaginamos que o mundo gira ao nosso redor e que sabemos o que é melhor para nós mesmos.

Síndrome de “deus”

Não é a primeira vez que pessoas fazem isso, imaginam-se mais sábias do que Deus. Em Romanos capítulo 1 vemos o exemplo disto, homens se acharam mais inteligentes do que Deus. O texto diz que deixaram de adorar a Deus, ele deixou de ser o centro de suas vidas, e em lugar dele, a criação foi adorada.

“...porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram” (Rm 1.21)

Defender a ideologia de gênero é o cúmulo da idolatria. É dizer que Deus não tem o direito de me fazer como ele quer, homem ou mulher, e que eu decido o que sou.

Continuando o texto em Romanos, vemos que os homens que seguiram por este caminho entraram em pecados de imoralidade (Rm 1.26-31). E, se é Deus quem cria, ele tem o direito de decidir, durante a formação no útero da mãe, quem é homem e quem é mulher. Quando ajudamos crianças a serem o que Deus quer que elas sejam, não estamos oprimindo ou limitando mas sim, permitindo que elas sejam quem Deus determinou que elas fossem.

A questão envolvida nisso é tão séria que neste texto a Palavra fala que a ira de Deus recaía sobre quem pensava e vivia assim.

“Portanto, a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça” (Rm 1.18)

Meu desejo é que você reflita sobre como Deus o criou, que você desenvolva uma vida voltada para a glória dele e que esteja disposto a levantar a bandeira em relação a alguns assuntos que, por mais que sejam interessantes e atuais, na verdade refletem um anseio enorme de grupos que querem moldar a sociedade baseado em seus próprios desejos e não nos desejos de Deus.

Escrito por Roberto A. Rodrigues, Pastor e Coordenador do Curso de Liderança e Discipulado do Seminário Bíblico Palavra da Vida.

Publicação autorizada. Link para o artigo no Blog Jovem Crente.

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