A importância de sair para passear dentro da sua mente

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As vezes acordo e é como se minha mente fizesse um download de um checklist de tudo que preciso fazer naquele dia, eu simplesmente levanto e começo a executar.

Mas outras vezes acordo e simplesmente começo a ler, conversar, assistir e ouvir assuntos, mensagens, documentários e em seguida é como se eu me perdesse em meus próprios pensamentos.

Sinto que é um mistura de “tentar encontrar uma solução” com “onde isso vai dar?” Enfim, são tantas questões que influenciam esses pensamentos que não consigo estabelecer apenas dois pontos.

Vou dar um exemplo:

Hoje acordei, sei algumas tarefas que realmente preciso fazer, mas algo me levou a abrir o Netflix (provavelmente esse algo seja a preguiça de levantar). Não tinha nenhum filme que estava ansiosa para ver, apenas fui procurando e cheguei em Heroína(s).

É um documentário que retrata o trabalho de três mulheres: uma juíza, uma chefe de bombeiros e uma missionária, na luta contra o uso de heroína na cidade de Huntington, em West Virginia.

O documentário não tem uma fotografia excepcional ou histórias inacreditáveis. São casos que se repetem todos os dias e geram um quadro de 1 overdose a cada 10 horas naquele local, que atualmente é conhecido como a capital da overdose dos Estados Unidos.

O que mais me chamou a atenção foi a compaixão que elas tem com as pessoas nessa situação. Eu imaginei o quanto é difícil manter isso aceso quando esses casos se repetem a todo momento (são em média 7 chamados de overdose por dia).

Uma das pessoas em recuperação fez um comentário a respeito da chefe de bombeiros: “Ela é diferente, ela se importa”.

Isso me fez questionar com quem realmente me importo. Parei para avaliar as orações que tenho feito e confesso que são bem egoístas e momentâneas. A oração é um bom método de autoavaliação. Você já parou para prestar atenção no que tem dito a Deus?

Com certeza a maior parte do tempo passamos orando por nós, mesmo que seja para agradecer, e a outra parte por pessoas que nos cercam. É difícil se importar  com questões que não nos afetam diretamente.

Muitas vezes fazemos isso por negligenciar o poder da oração, porque queremos saber o resultado daquilo que falamos com Deus, queremos ver diante dos nossos olhos. Isso faz com que nossas súplicas sejam superficiais e imediatistas. Ao invés de saciar nossas ansiedades, como a Bíblia orienta, elas ganham força e uma nova cara: falamos que estamos na expectativa pelo que Deus vai fazer.

Acredito que precisamos praticar o desapego de averiguar se um pedido nosso realmente foi respondido por Deus, pois nesse check, temos a tendência de interferir no processo.

Orar verdadeiramente por algo que está distante de nós, é crer que Deus pode agir e que talvez não vá te usar nesse processo e nem te contar o que está acontecendo.

Ao assistir aquele documentário e ouvir frases tão angustiantes sobre pessoas perdendo a vida aos poucos, ou talvez que nunca tiveram a oportunidade de realmente experimentar o que é a vida, comecei a vagar nos pensamentos.

Isso mudou minha oração, apenas pedi para que Deus colocasse em mim uma real preocupação com pessoas e problemas que não me afetam, mas que existem em pessoas que foram criadas e são amadas por Ele.

Na nossa jornada com Deus é importante expandir a consciência, não apenas sobre quem Deus é ou quem somos Nele, mas com quem Ele também se importa além dos nossos olhos.

Se perder nunca é bom, por mais que abra a oportunidade para encontrarmos algo inesperado, a sensação de que não estamos no controle de onde estamos sendo levados é horrível. Se perder nos próprios pensamentos também não é nada confortável, mas talvez esse seja mais um dos infinitos métodos que Deus utiliza para nos encontrarmos com Ele. Você já experimentou isso?

 

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