A diferença entre “colocar nas mãos de Deus” e “apertar o dane-se”

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Quem nunca ouviu: “Ah, coloca nas mãos de Deus” ou “Ah, aperta o dane-se e seja feliz”? A frequência com que você ouve cada uma dessas expressões varia de acordo com seu circulo social, mas ambas fazem parte do vocabulário popular brasileiro e da caixinha de conselhos que recebemos ao longo da vida. É triste, mas infelizmente colocar nas mãos de Deus é uma alternativa que aparece no fim da linha, ao invés do início, por isso ambas expressões disputam o mesmo momento: o de desespero.

O que elas tem em comum

Ambas expressões são ditas em momentos onde uma pessoa expõe uma situação da qual ela está esgotada, não enxerga uma solução, desespero total. Depois de tentar diversas alternativas, desabafa com alguém e está propensa a ouvir: “coloca nas mãos de Deus” ou “aperta o dane-se”.

Porém, essas duas expressões também podem ser ditas por pessoas que não se importam muito com o desabafo, elas apenas respondem algo que não as comprometam em dar um conselho mais extenso. Precisam responder e recorrem a expressões prontas para encerrar a conversa.

As duas também apontam que o próximo passo é tirar a situação do seu controle, de formas bem diferentes, mas se chegou nesse nível…é hora de mudar a estratégia.

E o que muda?

Não quero me apegar ao tom ou ao pudor das expressões, mas os sentimentos e atitudes envolvidas em cada uma.

Primeiro é o interlocutor, ou seja, a pessoa que te aconselha. Uma pessoa que ao ouvir o seu desabafo sugere que você aperte o “dane-se” comprou a sua briga. Enquanto você contava o problema, suas palavras entraram nela e agora ela está fervendo assim como você. Provavelmente são pessoas que também enfrentam dificuldades relacionadas ao domínio próprio e paciência e te sugerem uma saída para alívio imediato, pensando no seu bem estar e no dela.

Já a pessoa que sugere, intencionalmente, que você coloque tal situação nas “mãos de Deus”, sente a sua dor, mas não compra a sua briga. Ela consegue analisar a situação considerando seu sofrimento, mas sem ignorar o contexto. Ela quer que suas forças sejam restauradas, e mais do que propor uma solução para o problema, ela quer você se recupere a um estado emocional sadio.

As atitudes seguintes que cada uma provoca são completamente diferentes, embora ambas apontem que o problema saíra do seu controle.

Apertar o dane-se é um impulso, é uma atitude explosiva, é jogar tudo para o alto e nem olhar onde cada coisa vai cair.

Colocar nas mãos de Deus é um processo de entrega, é necessário saber onde e com quem você está deixando tal situação. Exige confiança. Não é possível colocar uma situação para Deus sem estar diante Dele. Nesse processo, você reavalia a sua postura e faz uma entrega consciente, alinhando as suas emoções com a razão. Crendo que tomou a melhor decisão.

O resultado que cada uma aponta

Apertar o dane-se trás um alívio imediato por envolver questões fisiológicas, mas depois que a adrenalina baixa o problema continua lá, e pior, o estardalhaço que você faz ao ligá-lo agora é um adicional ao problema original. Ai vem o arrependimento, a culpa, a vergonha alheia e a sensação de “por que eu fiz isso?”

Colocar nas mãos de Deus não trás alivio imediato, trás uma paz que excede a todo entendimento. Trás segurança, porque confiar em quem pode todas as coisas aumenta expressivamente nosso campo de possibilidades e então, seu problema se transforma em um convite para descobrir novas formas de encará-lo, enquanto você também é restaurado.

E no final..

No final ninguém tem cases de sucesso a longo prazo por uma sequência de “dane-se”, mas “colocar nas mãos de Deus”, te permite testemunhar e incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

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