A pior atitude que podemos ter em nossas Igrejas

0

Foi uma atitude que eu aprendi na Igreja e costumava acreditar que era uma qualidade.

Eu acreditava ser um pensador crítico, cheio de ideias construtivas. Durante algumas conversas com certas pessoas, sempre fazíamos considerações sobre o que a Igreja e os outros estavam fazendo de errado e o que poderia ser feito para melhorar. Não importa se as nossas críticas não sejam feitas diretamente para aqueles que se beneficiariam delas. Pelo menos nós vimos os problemas, certo?

Mas com o tempo, a satisfação de ouvir esse tipo de conversa começou a desaparecer e um sentimento nauseante ficou em seu lugar. Não importa quão positivo tenha sido tentar lançar uma luz no problema: fui enchido de amargura quando provei do resultado.

Sutilmente, mesmo sem perceber, me tornei uma pessoa cínica. E esse efeito tóxico pôde ser sentido no meu casamento, em meus relacionamentos e na minha capacidade de comunicar o amor de Cristo para o mundo.

Temos a tendência de achar que o cinismo é algo engraçado. Adoramos ver pessoas cínicas nas séries, novelas e filmes. Nós rimos de seus discursos retóricos e citamos suas melhores falas. Talvez, a extrema negatividade dessas pessoas torna mais fácil justificar a tendência que nos leva ser excessivamente críticos, especialmente em nome de alguma coisa boa.

Mas nem sempre o cinismo se apresenta quando ligamos a TV. No dia a dia, ela surge de uma maneira mais rápida e injustificada: uma crítica “construtiva”. Não estou falando daquele pensamento crítico necessário para o sucesso de um adulto. Estou me referindo à forma como estamos constantemente avaliando e criticando as pessoas ao nosso redor e o que elas fazem:

“O louvor pela manhã foi ótimo. Eu não consigo acreditar que tanta gente ficou parada. E elas nem levantaram as mãos. Algumas pessoas simplesmente não levam a adoração tão a serio como eu.”

“O louvor pela manhã foi ótimo. Eu estava tentando ficar quieto e prestar a atenção na música, mas o cara perto de mim estava se movendo muito e não parava de se mexer. Algumas pessoas simplesmente não levam a adoração tão a serio como eu.”

“O sermão foi bom. Se tivesse dito apenas isso aqui, poderia ter sido melhor.”

“Eu estava tão irritado com esse cara no shopping. Ele não tinha noção alguma e foi muito rude. As pessoas não são ensinadas a serem educadas com outros.”

“O problema da Igreja é __________________.”

Isso soa familiar?

O cinismo sutil, ou a natureza crítica de nossa cultura, é uma toxina que Satanás usa contra a Igreja. Ela é prejudicial para a Igreja porque muitas vezes nem sequer percebemos que está acontecendo.

Chegou a hora de mudar a nossa postura. Não estou sugerindo uma alternativa extrema de falsa positividade, algo presente na cultura de muitas Igrejas, dizendo que não têm nada errado. Jesus, Paulo, Davi e cada autor das Escrituras mostram que isso não é bíblico.

Mas, quando reconhecemos os perigos do cinismo, somos capazes de nos envolver em conversas honestas que são produtivas, amorosas e cheias de graça.

Quando Paulo escreveu à Igreja de Filipos, ele se dirigia a um fluxo constante de negatividade. Ele se confessou com a Igreja, buscando reunir à todos em torno do amor compartilhado com Cristo, do sacrificar-se uns pelos outros e do “fazer tudo sem murmurações nem contendas.” Usando essas coisas como exemplo, devemos nos lembrar delas quando formos tentados a ser sarcásticos ou dar uma opinião quando não for solicitado.

A IGREJA É A NOIVA DE CRISTO E MERECE O NOSSO RESPEITO

A Igreja é composta de pessoas quebrantadas. Podemos não concordar em tudo, mas devemos falar a verdade com o amor e a humildade de Jesus. Ele morreu por essa Noiva que Ele adora, então pense como a maneira que falamos sobre ela é importante para Ele.

REJEITE QUALQUER COISA QUE SE ASSEMELHA A MENTALIDADE “NÓS X ELES”

Jesus foi honesto sobre a verdade e falou confiantemente para aqueles que o desafiou com hipocrisia e legalismo, sem precisar zombar ou menosprezar alguém. Ele não escreveu cartas nos portões da cidade e não ridicularizou publicamente aqueles que o interrogaram. Ele os encontrou com as Escrituras e autocontrole. Jesus não riu de qualquer vergonha que eles tenham sentido ao serem pegos com os seus pés em suas bocas.

CONCENTRE-SE NAQUILO QUE É BOM

No quarto capítulo de Filipenses, Paulo por 15 vezes instrui a Igreja a alegrar-se. É interessante notar que ele parecia estar menos preocupado com o porque deles serem negativos e mais preocupado com a escolha deles pela mudança.

Identificar problemas é fácil. Seguir o apelo de Paulo para se concentrar naquilo que é bom, agradável e admirável necessita um trabalho intencional e nos faz respirar nova vida em nossos relacionamentos. Se Deus escolheu não olhar os nossos pecados, podemos optar por parar de nos concentrar naquilo que mudaríamos nos outros e nos ocupar em amá-los.

QUANDO NOS TORNAMOS CÍNICOS, ATROFIAMOS A NOSSA CAPACIDADE DE CRESCER

Revelar as nossas falhas não requer muito sacrifício pessoal. Examinar as profundezas do nosso próprio quebrantamento exige vulnerabilidade e risco, sendo que ambas são essenciais para o crescimento.

A vida em Cristo envolve a nossa própria morte (Marcos 8.34-35). Isso é algo difícil de ser feito quando nos agarramos à crença de que sabemos mais do que as outras pessoas. Mas, à medida que avançamos em um espaço de graça, nossos olhos são abertos às lições que deixamos de aprender quando estávamos cegos e começamos a descobrir os lugares em nossos corações que Deus deseja tratar.

Se estivermos ocupados discutindo sobre aquilo que todo mundo precisa mudar, perderemos a capacidade de enxergar a nossa própria necessidade de restauração. Ficaremos presos, ao invés de crescer.

ORE PRIMEIRO E FALE DEPOIS

Paulo inicia sua carta aos Filipenses dizendo que agradeceu a Deus cada vez que pensava neles. Se moldarmos os nossos corações dessa maneira, nossos pensamentos e palavras refletirão Jesus.

Existem momentos que uma resposta amorosa, ponderada e crítica é a coisa mais adequada. Porém, antes que a gente comece a oferecer isso, devemos examinar os nossos corações e considerar aquilo que seja mais benéfico, estando dispostos a não dizer algo que coloque as pessoas para baixo e dificultar o agir do Evangelho de Cristo.

Tudo aquilo que dizemos é importante. Escolha com cuidado.

 

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Original aqui.

No more articles
Fé inteligente todo mês na sua caixa de entrada?