11 características de pessoas emocionalmente maduras

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Pastores controladores e manipuladores. Anciãos que fofocam, discursam e perdem a calma. Cristãos mais materialistas do que seus vizinhos não-cristãos. Seguidores de Cristo que acham que devem consertar e mudar todos ao seu redor. Pais excessivamente focados em seus filhos, tirando o significado e a identidade deles.

Eu era esse cristão.

Meu jogo de disciplina espiritual foi complicado. Lia a Bíblia e orava todos os dias. Mas eu estava cheio de ansiedade e medo, meu humor muitas vezes era imprevisível. Alguns meses atrás, eu descobri algo que me fez iniciar uma jornada em direção à uma vida mais saudável e centrada em Cristo. Eu percebi que era emocionalmente imaturo. Embora eu conhecesse bem a Bíblia, orasse com freqüência e valorizasse a comunidade centrada em Cristo, eu era emocionalmente uma criança.

E, como escreve Peter Scazzero em seu livro Emotionally Healthy Spirituality, “É impossível ser espiritualmente maduro mantendo-se emocionalmente imaturo”.

Declaração ousada? Sim. Exagerada? Não, na minha opinião. Nos últimos anos, autores como Daniel Goleman e Travis Bradberry despertaram milhões para os benefícios da maturidade emocional, conectando-a a tudo, desde relacionamentos saudáveis até o sucesso no local de trabalho. De fato, Goleman diz que a parte emocional (ou QE – quociente emocional) é mais importante do que a inteligência dada por Deus (QI), representando 90% daquilo que move as pessoas.

Então, o que é a maturidade emocional?

Em resumo, a maturidade emocional é a capacidade de identificar e controlar suas emoções, bem como as emoções dos outros.

Isto, creio eu, é um componente ausente na formação espiritual da igreja. Felizmente, a maturidade emocional não é algo imutável. Podemos crescer de maneira dinâmica e nos tornar pais, líderes e pessoas mais compassivas/auto-controladas.

Mas até entendermos por que estamos ansiosos e temerosos, até que possamos prever situações em que nos sentimos ansiosos e temerosos, até que possamos separar as emoções da lógica, seremos escravizados por nossas emoções. Ainda estou muito longe de maturidade emocional. Mas, pela primeira vez na minha vida, tenho uma noção do que ela realmente parece.

Aqui estão 11 qualidades de pessoas emocionalmente maduras:

1. Elas aceitam as pessoas sem tentar corrigi-las ou mudá-las

Meses atrás, minha família e eu voltamos da Disney World escutando um barulho alto na lavanderia. Acontece que um cano estourou e o porão estava cheio de água.

Chamamos um encanador que disse que cobraria US$ 75 apenas para caminhar até a porta. Eu disse “não obrigado” em vez de ser idiota. E eu não me sinto mal. Então eu busquei corrigir o problema sozinho.

Dois dias mais tarde, depois de horas de escavação, alguns cortes e materiais de encanamento, consegui corrigir o problema. A urgência que eu senti durante esses dias foi semelhante ao tempo que eu comprei meu primeiro carro. Enviei fotos a todos, fazendo-os saber que eu consertara aquele problema.

Consertar coisas é intoxicante. Assim como consertar pessoas. Porém isso não é saudável.

Cristãos emocionalmente maduros não enxergam as pessoas como projetos. Eles não precisam que seu cônjuge seja um retrato idealizado de masculinidade ou feminilidade.

Eles entendem que Deus não precisa de encanadores divinos. Eles decidem deixar o conserto para Deus e passar mais tempo ouvindo do que falando.

2. Elas aceitam mudanças

Mudança é realmente a única constante. Os cristãos emocionalmente maduros não ficam ansiosos ou temerosos dessa realidade. Para eles, a mudança não é nem o inimigo nem a arma secreta para o sucesso. Ela simplesmente é.

As pessoas resistem à mudança por duas razões: medo e controle. Cristãos emocionalmente maduros vêem através das fachadas do medo e sabem que o controle de qualquer coisa é em grande parte uma ilusão.

Eles se preparam para a mudança. Eles se adaptam, dão um passo mesmo com medo e deixam o controle para Deus.

3. Elas se doam sem esperar nada em troca

Os cristãos emocionalmente maduros se elevam acima da cultura “é preciso dar para receber” onde tantos estão satisfeitos em viver.

Eles se doam sem pensar em uma futura retribuição. Eles tiram as obrigações domésticas de seu cônjuge sem esperar que ela aprove o fim de semana de futebol com os amigos.

Quando você se doa esperando algo em troca – declarando isso explicitamente ou registrando mentalmente até “um momento oportuno” – você está se subjugado ao receptor e à resposta dele. Os cristãos emocionalmente maduros não são emocionalmente escravizados por ninguém.

4. Elas resistem à gratificação imediata

Os cristãos emocionalmente maduros não eliminam as ansiedades e as tensões da vida. Isso é impossível. Eles aprendem, apoiados na cruz, a conter essas ansiedades sem buscar uma solução mais rápida e fácil.

Quase todos os vícios são o produto da nossa incapacidade de gerir as nossas emoções, particularmente os incômodos (stress, ansiedade e outros). Tendo lutado com um vício em pornografia, sei que isso é verdade. Pornografia era a minha libertação de momentos estressantes. Quando acontecem situações trágicas, procuramos uma libertação imediata. Ao invés de controlar a dor, muitas vezes nos voltamos para sexo, drogas, compras, alimentos ou álcool.

Os cristãos emocionalmente maduros não acreditam em soluções rápidas. Eles não perdem tempo procurando uma libertação imediata ou um esquema de “se livrar rapidamente de suas emoções desconfortáveis.”

Eles esperam pacientemente. Eles se inclinam em Deus. Eles sentem estresse e ansiedade, porém não permitem que essas emoções o controlem. E eles confiam que Deus transformará o desconforto e a dor, como fez na cruz.

5. Elas não são perfeccionistas

O perfeccionismo se veste de uma virtude mais desejável: a excelência.

Os cristãos emocionalmente maduros sabem que a perfeição é impossível e bastante tóxica para perseguir.

Como saber se você é um perfeccionista? Veja como:

  • Independentemente do que realiza, você fica com uma sensação irritante de fracasso;
  • Você fica impaciente com os outros e raramente comemora o seu sucesso;
  • Você não consegue reconhecer vitórias pequenas;
  • Você não pode relaxar ou brincar;
  • Você muitas vezes se micro-gerencia e vai atrás das pessoas para se certificar de que as coisas atendam ao seu padrão.

Os cristãos emocionalmente maduros nunca perdem de vista sua natureza falível e limitada. Eles comemoram as pequenas vitórias e estão bem com os erros. Eles trabalham duro, mas também descansam arduamente.

6. Elas não se fazem de vítimas

Cansei de contar as vezes que eu usei a “plaquinha” de vítima para comprar atenção e poder. Minha situação sempre era culpa “deles”. E o “deles” significa qualquer um ou qualquer coisa.

Mas esse recurso nunca declara a única coisa que transformará a sua vida: você é o problema e sua vida só vai mudar quando você tomar o controle de suas ações.

Os cristãos emocionalmente maduros, sem dúvida, ouvem as mentiras da vitimização, mas não prestam atenção nelas. Eles acreditam que a vida é uma escolha. Eles assumem o controle de suas ações. As pessoas e as circunstâncias não afetam sua alegria e paz.

7. Elas recebem críticas sem ficar na defensiva

Os cristãos emocionalmente maduros conhecem a si mesmos, seus pontos fortes e fracos. Eles também conhecem seus dons, as coisas pelas quais Deus os conectou para servir ao mundo. A crítica, portanto, não os destrói, nem um ataque pessoal.

A menos que saiba quem você é e encontre sua identidade em Deus, a crítica afetará você – quase sempre negativamente – porque ela está amarrada às opiniões dos outros.

8. Elas não são facilmente ofendidas

Cristãos imaturos são fixados em estarem certos, na aquisição de sucesso, na boa aparência e em roubar os holofotes. Eles precisam de um inimigo porque encontram significado em vencer batalhas e provar que os outros errados.

Por conta disso, eles são altamente sensíveis a pontos de vista opostos, rápidos em lançar os outros contra a parede e vivem uma existência reacionária.

Os cristãos emocionalmente maduros, no entanto, quase não se ofendem. Cheios de empatia pelo próximo, os cristãos emocionalmente maduros se concentram mais em amar e ouvir do que em convencer e corrigir.

9. Elas acreditam que Deus as ama por quem elas são, não pelo que elas fazem

Cristãos emocionalmente imaturos oscilam à beira do esgotamento e acreditam que Deus honra tal coisa. Dizem sim a todos e provavelmente olharão torto para um cristão que pensa o contrário. Em geral, sua visão sobre Deus e a visão Dele sobre eles depende do quanto eles fazem. Os cristãos emocionalmente maduros abraçam uma versão mais calma da vida cristã, acreditando que Deus se preocupa mais com quem eles são do que com o que fazem. Eles conhecem suas limitações.

Eles são pacientes e esperançosos, motivados pelo amor em servir os outros. Porém, não permitem que suas obras para Deus compensem seu tempo com Deus.

10. Elas não usam absolutos ou enxergam o mundo como “preto e branco”

Os cristãos emocionalmente maduros não precisam que o mundo faça sentido. Eles não precisam saber onde todos estão. Eles pintam o mundo de cinza e raramente usam absolutos como “nunca”, “sempre”.

Os absolutos ajudam os cristãos imaturos a comprimirem o mundo a um tamanho manejável, que é seguro e vazio de desconhecido.

Eles circulam os espaços vagos em torno da familiaridade e conforto porque, Deus nos ajude, o mundo é assustador e está caindo aos pedaços. Eles estão sempre supondo que a presença do mal é mais forte hoje do que qualquer outro período da história.

Os cristãos emocionalmente maduros, no entanto, evitam definir linhas e não têm medo de dizer o que acreditam. Eles abraçam o desconhecido, confiando em Deus para preencher os vazios.

11. Elas entram em conflitos e os resolvem de uma forma saudável

Os cristãos emocionalmente maduros resistem a rotular o conflito como “mau”. É difícil, é claro, mas não é ruim. “Luta ou fuga” – a forma como a maioria responde ao conflito – não resolve o conflito, resultando em explosões emocionais ou na perspectiva “cabeça na areia, o conflito não existe porque eu não vejo isso” (que geralmente só cria mais conflito).

Muitos cristãos equiparam a paz e a unidade à evasão de conflitos, o que prejudica o ministério de Jesus. “Varrer coisas pra debaixo do tapete” não faz o conflito ir embora e certamente não é uma ideia cristã.

A maturidade emocional diz que você pode lidar com o conflito de uma forma que traz resolução e crescimento para ambos os lados. Mas fazer isso requer empatia (uma consciência dos sentimentos e da situação da outra pessoa), estar no controle de suas emoções e foco em resolver as situações em vez de ganhar algo em troca.

A maturidade emocional não é apenas importante para o seu crescimento espiritual e maturidade, ela é essencial. Deus nos projetou com emoções. Eles são um componente importante de nossa humanidade, mas não devem afetar a nossa tomada de decisão.

Traduzido e Adaptado por Gustavo Neves. Link original aqui.

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